Piti Hauer

Piti Hauer

Presidente da Comissão de Políticas sobre Drogas da OAB-PR. Representante da OAB-PR no Conselho Estadual de Políticas Públicas sobe Drogas do Estado do Paraná. Especialista em Dependência Química pela UNIFESP. Professor na Faculdade Bagozzi. 1° Vice-Presidente da Fepact - Federação Paranaense das Comunidades Terapêuticas.

Política de Drogas: Conselho, Conselheiros e Canetadas

“É preciso unir as forças políticas para resolver os problemas de nosso Estado. Não se pode dividir antes de somar”.

Mércio Franklin

Quando adentramos ao tema das “Drogas”, seu fenômeno, efeitos, causas e consequências, sabemos, por uma óbvia complexitude, que o assunto não é harmonioso, tampouco uniforme. Os ecos de seus paradigmas passam pela Legalização, Proibição, Descriminalização e Regulamentação, sendo que o ajuste fino para a formulação e implementação de Políticas relacionadas ao assunto passa pelo diálogo e transparência de suas ações, a discordância faz parte para avançarmos com ideias advindas de todas as vertentes e sentidos, mas um fato é unânime a participação da sociedade civil organizada é imprescindível para a aplicabilidade de Políticas Públicas sobre Drogas, tanto na esfera municipal, estadual e, principalmente, Federal.

Pois bem, ao assinar o decreto 9296 de 19 de julho de 2019 o Presidente Jair Bolsonaro excluiu ou, na melhor das interpretações, limitou a participação da sociedade no CONAD, tornando-o um simples Conselho consultivo, e sua alegação para tal ato é um tanto quanto equivocada em um estado democrático de direito, resta saber quem foi a “acéfala inteligência suprema” que sugeriu a exclusão de representantes da OAB, CFP, CFM, CFSS, SBPC, CFE e CNE, todos órgãos representativos de classe e que deveriam indicar, conforme o decreto 5912 de 2006, pessoas com comprovada experiência em prevenção, produção científica e atuação com drogas.

Os conselhos são mecanismos legais e institucionais de controle social das políticas no Brasil, e que têm a sua organização e funcionamento iniciado com o processo Constituinte de 1988 e posteriormente com rigorosas leis. São espaços democráticos de decisão e participação social na construção da políticas públicas, de forma deliberativa. Em especial os artigos 198, 204 e 206 da Constituição deram origem a criação de conselhos de políticas públicas no âmbito da saúde, assistência social e educação nos três níveis de governo. Tais experiências provocaram a multiplicação de conselhos em outras áreas temáticas e níveis de governo.

A estrutura proposta fere os princípios da democracia participativa e o da participação popular, além de não observar os critérios da paridade e, em seu artigo 11 fere, acintosamente, o princípio da transparência. Ademais, o álcool e outras drogas é assunto constante e inerente as crianças, adolescentes e jovens, a sociedade precisa participar, através de suas entidades representativas, deste debate que permeia o cotidiano, estigmatiza o usuário e dependente químico e fragiliza a família e as instituições cientes que, com esse modelo proposto, além dos três “c” da dependência química – clínica, cadeia e cemitério, acrescentaremos mais outros três: conselhos, cacetadas e canetadas.

DROGAS SINTÉTICAS – PAULADA PURA PARA QUEM USA E UM SOCO NO ESTÔMAGO NA POLÍTICA DE DROGAS

Já ouviu falar de 25B-NBOMe ou Pandora? 2C-B e Metilona? 6-APB e Mefedrona? Flobromazolam, Spice ou K2? Pó de Macaco, Flakka e Miau-Miau? Pois é, estes são alguns exemplos de substâncias psico-ativas sintetizadas em laboratório e são algumas das drogas sintéticas que tem em sua composição a anfetamina e o meth e seus princípios ativos não são encontrados na natureza. 

    

A hegemonia das drogas ilícitas naturais irá acabar, a maconha originária da “cannabis”, a heroína da flor papoula e a cocaína das folhas de coca serão, daqui a alguns anos, o instante de uma época “cult”, onde discutia-se a legalidade e o proibicionismo das drogas. As drogas de laboratório ou sintéticas crescem em números avassaladores entre os jovens do mundo todo e é um negócio mais tranquilo e lucrativo para quem as produz.  Elas já são a coqueluche das drogas, assim como foi o LSD nos anos 60 e a cocaína nos anos 80 e, segundo a ONU, a cada 3 dias surge uma nova droga produzida em laboratório. 

 

O tsunami do mercado do prazer efêmero das drogas sintéticas é o mais apreciado e consumido entre o público frequentador das baladas e raves já há algum tempo e multiplica-se nas camadas sociais das classes  média e alta, são geralmente universitários, boa escolaridade, estão inseridos no mercado de trabalho e são produtivos em uma sociedade civil organizada. São consumidas em um contexto predominantemente recreativo, onde a música e o cenário contribuem para a “viagem”  e o bem-estar do indivíduo, alterando o seu estado de consciência e, em sua maioria, não consideradas ilegais. É o autêntico efeito bumerangue escarrado na ineficiente Política Pública sobre Drogas, onde a prevenção, a informação e o tratamento foram sobrepujados pela agressividade, intolerância e repressão ao usuário e/ou dependente químico. 

 

Mas como que surgiram as drogas sintéticas? Quem as criou? Quais os riscos oferecem? Por que sua comercialização é permitida? A primeira droga sintética que se tem notícia surgiu em 1869 com a designação de Hidrato de Coral. Reveladas ao Mundo de uma forma peculiar, em forma de incenso e sais de banho e assim adquiridas via internet, em 2011 por causar um envenenamento em quase 7 mil pessoas nos E.U.A. começaram a constar nos relatórios da ONU sobre drogas. São produzidas em pequenos locais como sala, garagens, quartos ou porões – laboratórios caseiros – a partir de produtos que podem ser comprados em Supermercados, lojas de conveniência e farmácias; reproduzem os efeitos da maconha, haxixe, cocaína ou qualquer outra droga e são altamente potentes.  Os efeitos destas drogas são os mais diversos, muito depende de como é administrada e em qual forma é consumida (comprimidos, injeção, papel ou pó), elas estimulam o Sistema Nervoso Central, causam uma aceleração do batimento cardíaco, sudorese, náuseas, calafrios, euforia, taquicardia, insônia, perda do apetite, midríase (dilatação das pupilas), desidratação, aumento da pressão arterial e vertigens e as pessoas tendem a ficar agressivas, à depressão grave, comportamentos suicidas e podem levar a óbito, e com o uso frequente, podem causar danos na atenção, na memória e no fígado.

 

No Brasil, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, onde o consumo destas NSP evoluem em progressão aritmética, as drogas sintéticas, além do ecstasy e 2CB, são a Pandora (25B-NBOMe) e o “Ice” ou “Meth”. A primeira imita oLSD com efeitos devastadores e a segunda  é uma metanfetamina potentíssima em forma de cristais e muito mais perigosa que o crack e já presente com até 20% na composição do ecstasy.  O “Boom” destas drogas sintéticas já começou, elas se proliferam por uma série de fatores que as favorecem como a sua obtenção  – 4 mil laboratórios na China e Índia vendem a maconha sintética, 500 vezes mais potente que a natural através da internet -, muitos componentes em suas fórmulas são legais, tem um alto rendimento em custo/benefício, são drogas limpas e de fácil administração não precisando de cachimbos, cartões, pratos, seringas, isqueiros, sedas, dechavadores ou qualquer outra parafernália que é necessária para o consumo das drogas ilícitas naturais e tem efeito prolongado de até 12 horas ou mais. Além do mais, através da internet, a aquisição destas substâncias é muito fácil, basta fazer o pedido nos sites disponíveis e o produto será entregue em sua residência, muitas vezes etiquetados como sais aromáticos, de banho ou enfeites.  

 

 Este novo tipo de estereótipo da droga é um soco no estômago da atual política repressiva sobre drogas, a descentralização de um modelo de traficante truculento, mafioso ou ocupante em biqueiras nas favelas se desfaz com a possibilidade de qualquer “nerd” em química ser capaz de inventar algo novo e extremamente potente de um momento para o outro, como é o caso da série “Breaking Bad”. O ordenamento legal em qualquer esfera não consegue dar conta deste novo quadro de substâncias, que até a realização de estudos e testes para serem classificados como drogas, são Legais… mas o principal é saber que, mesmo sendo adquiridas legalmente, as Novas Substâncias Psico-Ativas não são seguras, elas são muito mais nocivas e letais que as tradicionais…é paulada pura. Nestes casos se faz necessário e urgente, como forma de enfrentamento a esta nova escalada de drogas, medidas e investimentos em informação e prevenção, pois o conhecimento é a melhor forma de combatermos esta nova realidade. 

 

 

 

 

SUICÍDIO E SUA ESTREITA LIGAÇÃO COM O ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS E DEPRESSÃO

 

Quando está escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar
Há uma luz no túnel
Dos desesperados
(Paralamas do Sucesso)
É irônico e lamentável que certas coisas tenham que tomar proporções que escapem ao controle para darmos atenção ao O QUE está acontecendo. Ou não damos a atenção devida ou o viés é de “divertimento”. Foi assim em relação ao crack em seu início, quando a imagem de usuário era de nóia, vagabundo, pobre que incomoda  e havia a ideia de que logo iria morrer e não mais importunar a sociedade. Essa esguelha vesga também aconteceu com a depressão que era vista como um comportamento mimado, uma tristeza um pouco mais acentuada ou como doença de rico e de quem não tinha nada o que fazer. Bem, não é e foi nada disso…os anos nos revelaram algo bem mais profundo e de dor.
A depressão até 2020, isso mesmo, ano que vem, será a doença mais incapacitante do mundo, no Brasil em 2016 mais de 75 mil trabalhadores foram afastados de seus empregos em decorrência deste distúrbio e, enquanto que a média mundial é 4,4%, no Brasil 5,8% da população sofrem deste mal (Fonte: Relatório OMS 2015). Quanto ao crack, álcool e outras drogas, inclusive medicamentosas, alguns índices são mais do que preocupantes: cerca 3% da população mundial é dependente de drogas ilícitas, segundo o  relatório Global status report on alcohol and health 2018 3 milhões de pessoas morreram por causa de uso nocivo do álcool em 2016 sendo 28% resultado de lesões, como as causadas por acidentes de trânsito, autolesão e violência interpessoal, 21% se devem a distúrbios digestivos, 19% a doenças cardiovasculares e o restante por doenças infecciosas, câncer, transtornos mentais e outras condições de saúde. Estima-se que mais de 2,3 bilhões de pessoas consumam álcool atualmente.
E o que o álcool, drogas e depressão tem a ver com o suicídio? Muito, a começar que ao término de leitura dos dois primeiros parágrafos uma pessoa no mundo já se suicidou, e mais outra irá se suicidar quando acabar essa leitura. São 800 mil casos de suicídio em todo o mundo (quase 12 mil somente no Brasil), 1 a cada 40 segundos e dois terços destes suicídios resultantes da depressão e o uso de álcool e outras drogas. E, ainda, para cada caso consumado outros 20 foram tentados (Fonte: OMS). Os meios mais comuns de suicídio são envenenamento, enforcamento e armas de fogo e a proporção é de 4 suicídios masculinos para um feminino.
Preconceito e falta de informação adequada são duas circunstâncias que podem agravar o caso de suicídios, por isso não é coisa de doido a pessoa ou familiar consultar um Psicólogo ou Psiquiatra, estamos em uma era que o conhecimento é preponderante para evitarmos possíveis reveses. Alguns sinais de alerta para uma tendência suicida: tristeza excessiva, isolamento, falta de interesse pela vida, alterações bruscas de humor, eventos estressantes, uso de álcool e outras drogas e alarmes verbais, por isso sempre considere quando a pessoa fala “essa vida é uma m%$#@”, “não sei o que estou fazendo aqui”, “vou me suicidar” entre outros, são formas do doente pedir ajuda.

 

Portanto, ao contrário daquelas pessoas que vivem no período jurássico, pensando e falando pérolas de ignorância de que não se deve gastar em prevenção, informação correta e tratamento, tanto em Políticas Sociais, de Saúde, de Urbanidade Saudável e em Políticas Públicas sobre Drogas, direcionando seu interesse apenas a tonalidade cinza do cimento excludente ao invés de espaços de convivência humanizados, não se iluda… depressão, dependência química, uso abusivo de drogas e suicídio estão mais próximos do que se imagina!

O APARTHEID CURITIBANO

  Desigualdade social …

      Um morava na Rua do Meio.
      O outro no meio da rua.

                                  Jessier Quirino

 
 
Na madrugada desta sexta para sábado um incêndio arruinou, devastou a Vila Corbélia na CIC. A prefeitura afirma que 100 habitações foram queimadas, já o Corpo de Bombeiros relata a devastação de quase 300 casas pelo fogo. No dia anterior a destruição da Vila um policial foi assassinado e, o que se seguiu, foi uma forma de expulsar seus moradores daquela localidade, já que esta era de ocupação mas, a corrente dominante, é que o incêndio foi uma retaliação aos traficantes, segundo depoimento de Tenente da PM, ou seja, este foi o “MOMENTO SUBLIME DE COMBATE ÀS DROGAS EM CURITIBA.”
As imagens, filmagens e fotografias do ocorrido me remetem a uma época triste da História Humana, o Apartheid na África do Sul, aquele regime de segregação ocorrido durante os anos de 1948 a 1994. A lembrança vem, não somente pela semelhança do fogo nos barracos, mas, principalmente, pela privação da cidadania, da Saúde, da Educação e de diversos outros serviços públicos que o Estado e o Município deveriam oferecer e, o principal, o direito à moradia consolidado em nossa Constituição em seu artigo 6º “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia…”.  Ademais, é objetivo fundamental, conforme artigo 3° de nossa Carta Magna, “Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.” 
    
É até irônico essa barbárie na Vila Corbélia verificar-se de sexta para sábado, logo após o encerramento da Conferência Municipal sobre Drogas de Curitiba e, embora o evento tenha primado pela organização e debate de ideias, o que prevalece, infelizmente, é o direcionamento, viés da bala e da borracha, o negócio é enquadrar e se não der mais para enquadrar…mete fogo, literalmente. Nunca antes houve tanta miséria e desigualdade social e esses dois fatores são a mola mestra para a proliferação do tráfico, este se reproduz como coelho entre crianças e adolescentes que não têm nada, em que o Estado nada oferece e, na oportunidade, de ganhar um bom dinheiro na operacionalização no mercado de drogas frente a um estudo e trabalho, é lógico, que essas crianças e adolescentes preferem o primeiro, pois a segunda é uma miragem, uma fake news. Ninguém nunca lhes deu alguma coisa, mas o traficante lhe dá uma chance e uma arma… é tudo o que desejam.
 
Então, nesta época de confraternização e de Paz, o que vemos? Curitiba está sublime em sua iluminação, temos desfiles majestosos, shoppings suntuosos em suas decorações, árvores Natalinas magníficas, trens e caminhões imponentes em suas andanças pelo novo asfalto da cidade. SIM, temos tudo isso (e que bom), mas toda esta festa acaba, no máximo, no dia 06 de janeiro, dia dos Reis, esses mesmos Reis que presentearam Jesus em sua manjedoura, e qual o presente que os munícipes curitibanos irão receber e herdar? A ausência de Políticas Sociais Inclusivas, uma Política Pública de Drogas baseada na repressão e não no tratamento, no cuidado e prevenção continuada, a segregação e estigmatização de usuários de drogas, a supressão de serviços de Saúde Mental, a falta de segurança pela insuficiência de educação e de locais próprios para o ensino e a intolerância de gestores. Fica difícil desejar Feliz Natal, pois como dizia Saramago: “Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia”.

DROGAS: Quanto Vale $$$$ a Cocaína??

                                                                                                                                                                                          “Todos os impérios são criados de sangue e fogo.“
                                                                                                                                                                                                                                                                  Pablo Escóbar
 
 
E aí você sabe quanto vale, custa a cocaína? Não essa que é misturada com um monte de porcaria como cimento, giz, mármore, talco, aspirina e outras esterqueiras que a grande maioria cheira e pensa que é o maioral. É, a grande maioria, do político e seus assessores em seus gabinetes ao homem do cafezinho, dos atores de palco e televisão ao contra-regra da emissora de TV, do médico para conseguir acabar seu terceiro plantão seguido ao caminhoneiro que está na boléia há 4 dias sem dormir, do professor que dá aula para os seus filhos ao coroinha ou auxiliar do pastor no culto. Ah tá, você pensa que eles não cheiram?? CHEIRAM SIM. Mas não é dessa cocaína no varejo que já foi batizada, misturada 8 vezes com impurezas para aumentar sua quantidade que estou falando. Me refiro àquela cocaína que chega em quilo…sim, o produto na origem.
 
O trio de ferro do petróleo branco, Colômbia, Peru e Bolívia produz em torno de 850 toneladas/ano e o mercado nasal está aumentando, é o melhor mercado do mundo, nada há que se compare aos ganhos do ouro branco, nem a bolsa fatura tanto como o mercado branco do pó. Só para termos uma ideia em 2012 a Apple teve o recorde como a empresa que mais capitalizou no ano, suas ações subiram 67%, mil Euros aplicados em ações, no começo do ano na Apple, lhe renderiam 1670 Euros ao final deste mesmo ano, já estes mesmos mil Euros empregados na cocaína lhe renderiam 180 vezes mais, e você teria 182 mil Euros…um bom negócio não?
 
É por causa dessa rentabilidade que muitos desejam que a cocaína seja Legalizada, principalmente pessoas ligadas a diversos movimentos ou governos com alto grau de corrupção e proveito próprio de recursos do Estado. À essas pessoas lamento informar  A COCAÍNA NÃO SERÁ LEGALIZADA, não há interesse daqueles que comandam a cadeia da coca que isto aconteça. Imaginem se eles desejam a ingerência do Estado ou de terceiros alheios ao mercado do pó em seus negócios…NUNCA. O negócio da cocaína, desde a sua produção das folhas do “Erythoxilum coca” até ao consumo final – nas ruas, boates, casas particulares, bacanais – NÃO funciona dessa maneira. Os locais de produção são feudos, onde prevalece a violência, a selvageria e a brutalidade além da pobreza e trabalho análogo ao escravo, somente poucos dos milhares que laboram neste comércio é que ganham rios de dinheiro. Estes donos do mercado não querem a intromissão e a interferência de Direitos Humanos, de obrigações trabalhistas, de processos legais para desembaraçar uma carga no porto que não foi liberada porque a propina não foi suficiente, de impostos pagos ao sócio Estado (que nunca aparece mas leva seu quinhão) e que sabem que não terão o destino que deveriam, em tese, ter. É muito mais rentável e lucrativo correr determinados riscos, já calculados, do que pagar impostos e fazer parte de um sistema de Estado falido e inchado quanto a sua arrecadação. 
 
Há lugares no mundo onde não há água potável, saneamento básico, quanto mais escolas e saúde pública, mas a cocaína não pode faltar e, lamentavelmente, no Brasil há muitos desses lugares. Segundo a ONU em 2009 a América do Norte consumiu 179 Toneladas de coca, Europa 129T,  21T na África, 14T na Ásia e 101 na América Latina e Caribe. O preço do quilo na Colômbia é de 1500 dólares, chega ao México pelo valor de 14 mil (em média), nos EUA vai a 27 mil e vai a patamares de 46 a 57 mil quando desembarca na Europa e 77 mil para os seguidores da coroa britânica no Reino Unido.
 
Quando Albert Niemann sintetizou a molécula da cocaína a primeira vez em 1859 ou quando Freud a receitava para seus pacientes sequer imaginariam o mercado multi-bilionário em que o ouro branco se transformaria. Entretanto para os usuários, dependentes da coca, bem como para os barões do pó, depois da diversão sem limites, do pensamento de que pode tudo, a cobrança em vida da cocaína é mais cara do que juros do pior agiota, ela te acelerou e vai acelerar quatro vezes mais a sua queda. É Tudo ou Nada.

BEN AFFLECK FINALIZA TRATAMENTO PARA O ALCOOLISMO

Nesta semana o ator Ben Affleck, Batman e Demolidor, completou mais um tratamento para a dependência do alcoolismo. Em 2001 ele já havia realizado outro tratamento para alcoolismo em uma clínica de reabilitação. Para ele “este é o primeiro passo tomado na direção da recuperação”.

AJUDA

Em seu perfil do facebook o ator e diretor afirmou “”Quero que meus filhos saibam que não há vergonha em procurar ajuda quando você precisa, e que eles devem ser a fonte de força para qualquer um por aí que precisa de ajuda, mas tem medo de dar o primeiro passo.”

CELEBRIDADES

A dependência de álcool e outras drogas não é novidade no meio artístico, diversos atores já passaram por clínicas de reabilitação e estão em recuperação, confira alguns deles:

Drew Barrymore  admitiu que começou a fumar e beber aos 9 anos, experimentou a maconha pela primeira vez aos 10 e aos 12 cocaína. Aos 14 anos ela cortou os pulsos em uma tentativa de suicídio. Realizou dois tratamentos em clínicas e se encontra em recuperação.

Elton John – Ao longo de sua carreira o músico tornou-se dependente em álcool e cocaína. Em 1975 sobreviveu a uma overdose e desde 1990 encontra-se em sobriedade.

Robert Downey Jr.  usou maconha a primeira vez com seu Pai, já foi preso por porte de cocaína, heroína e maconha e realizou tratamentos diversas vezes em clínicas de reabilitação. Limpo e sóbrio desde 2001, hoje em dia, Robert é um dos atores mais bem pagos de Hollywood.

Lady Gaga – Em 2013, Lady Gaga admitiu ao The Huffington Post que foi dependente de várias substâncias psicoativas por períodos de sua vida, inclusive maconha, que ela afirma ter fumado de 15 a 20 baseados por dia. Decidiu procurar tratamento ao perceber que isso estava comprometendo sua saúde.

Tom Hardy – O ator afirmou ao Yahoo australiano que “tem sorte de estar vivo” e que houve uma época em que venderia a própria mãe por uma pedra de crack. Está em recuperação desde 2003.piti.hauer

O MAIOR ENCONTRO DE COMUNIDADES TERAPÊUTICAS DA AMÉRICA LATINA

Iniciou nesta quinta-feira, 07 de dezembro o maior encontro de Comunidades Terapêuticas da América Latina, em Campinas e organizado pela FLACT – Federação Latino Americana e FEBRACT – Federação Brasileira das Comunidades Terapêuticas.

Com mais de 15 países participantes e próximo de 1200 inscritos e com a proposta temática “Comunidades Terapêuticas: conservar a essência de portas abertas para a inovação” conta ainda com ícones do mundo das CTs como Padre Haroldo Rahm, George de Leon, Prof. Saulo Montserrat, os Presidentes da FLACT e FEBRACT, Fabian Chiosso e Luis Roberto Sdoia, respectivamente, além de palestrantes e lideranças das CTs no Brasil, como Laura Fracasso, Juliano Santos, Pablo Kurlander, Edson Eckel, Henrique França, Ricardo Valente, Areolenes Nogueira, Matheus Leite, Roseli Nasbony, Ronaldo Viana, Adalberto Calmon, Dra. Maria de Fátima R. Padin, Padre Gabriel Meija, Célio Luiz Barbosa entre outros.

O Paraná está representado pela FEPACT – Federação Paranaense das Comunidades Terapêuticas, com mais de 50 pessoas, parceira e filiada a FEBRACT, e tendo como presidente Frei Chico, coordenador da CSS – Casas do Servo Sofredor.piti.hauer

6 COISAS PARA PROCURAR EM AMBIENTES DE TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA PARA AS MULHERES

A Dependência Química afeta tanto homens quanto mulheres, mas locais para tratamento visando o público feminino é, ainda,  escassa no Brasil, embora o consumo de álcool e outras drogas pelas Mulheres tenha aumentado exponencialmente, segundo pesquisas. Serviços Públicos, então, nem se fala, NÃO há uma preocupação e uma diretriz normativa eficiente nas políticas públicas sobre drogas voltada para grupos em situação de vulnerabilidade, nos quais se incluem as Mulheres; a opção são clínicas particulares ou comunidades terapêuticas que realizem este atendimento ou acolhimento. Mas, então, o que procurar nesses locais? Aqui vão 6 dicas daquilo que é imprescindível para um bom tratamento.

1. Tratamento que aborda toda a pessoa

Um programa de tratamento integrativo que aborda toda a pessoa é tipicamente o mais eficaz para as mulheres que estão lutando contra uma dependência . Tal programa de tratamento aborda os aspectos físicos e psicológicos da doença, bem como os componentes espirituais e sociais.

Os ambientes de tratamento para mulheres devem oferecer terapias para abordar quaisquer traumas emocionais ou sexuais que possam ter contribuído para a dependência, bem como transtornos alimentares, problemas familiares, problemas de imagem corporal ou questões de auto-estima.

2. Terapia de suporte

As mulheres tendem a se definir por suas relações e conexões com outras pessoas. Assim, ter um terapeuta de apoio, criador e empático é uma obrigação .

Os grupos de apoio com outras mulheres que tem problemas semelhantes também são um aspecto crucial do processo de recuperação. A pesquisa mostrou que as mulheres que sofrem de um vício se beneficiam mais de terapias de suporte do que qualquer outra abordagem. 2

3. Tratamento da Dependência durante a gravidez

A mulher grávida com dependência química deve procurar um programa de tratamento que atenda aos desafios únicos que enfrenta. A gravidez pode tornar o tratamento mais difícil e pode levar a uma mulher a terminar o tratamento precocemente.

Os locais para o tratamento devem apoiar as mulheres grávidas abordando as preocupações nutricionais e a saúde fetal enquanto discutem abertamente a gravidez, incluindo visitas ao consultório médico e também devem fornecer desintoxicação e estabilização medicamente assistida quando necessário. 2

4. Serviços de assistência à criança e de parto no local

Os serviços de assistência à infância no local são outra comodidade importante a considerar para aqueles que têm filhos . Estudos mostraram que as mães cujos filhos ficaram com eles durante a reabilitação foram mais propensas a realizar o tratamento até a conclusão. Para aqueles que têm pouco apoio familiar, a assistência à infância no local pode ser a sua única opção durante a reabilitação.

É interessante verificar se os locais de tratamento para mulheres oferecem serviços de aconselhamento especializado para os pais abordarem problemas de parentes comuns associados ao vício. Esses serviços podem ser inestimáveis ​​para as mães em recuperação. 2

5. Sexo dos Profissionais de Tratamento

As mulheres podem querer considerar o gênero dos profissionais de tratamento em uma instalação de reabilitação. Alguns centros de tratamento podem ser exclusivos das mulheres, mas os provedores podem ser de ambos os sexos. Se uma mulher sente que ela pode se beneficiar mais com profissionais de tratamento feminino, ela deve fazer alguma pesquisa e garantir que o centro de tratamento que planeja a possa atender a essas necessidades.

6. Abordando riscos de recaída exclusivos de gênero

Existem vários riscos de recaída exclusivos de gênero que um centro de tratamento para mulheres deve abordar. Estes incluem: 2

  • Baixa auto-estima nos relacionamentos.
  • Trauma infantil anterior.
  • Ataque sexual anterior.
  • Distúrbios alimentares associados ao uso de drogas.
  • Dificuldade em terminar relações com outros usuários de drogas, especialmente em casos de cônjuges, parceiros românticos e familiares próximos.

 

 

Referências

1. NIDA. (2012). Princípios do tratamento da dependência química: um guia baseado em pesquisa .
2. Centro de Tratamento de Abuso de Substâncias. (2009). Tratamento de Abuso de Substâncias: Abordando as Necessidades Específicas das Mulheres. Rockville (MD): Administração de Serviços de Abuso de Substâncias e Serviços de Saúde Mental (EUA). (Série de Protocolo de Melhoria do Tratamento (TIP), No. 51.) Capítulo 7: Tratamento de Abuso de Substâncias para Mulheres .piti.hauer

CONVERSAS E PARTILHAS

“A arte de escutar é como a Luz que dissipa a escuridão da ignorância.” Dalai Lama

 

No intervalo de uma conferência sobre drogas, quatro conhecidos reencontram-se e decidem tomar um café e colocar a conversa em dia. Após pegaram seus cafés notaram que a cafeteria do evento estava lotada e o único lugar disponível para sentarem e trocarem uma ideia era numa mesa, onde lá se encontrava uma outra pessoa, com quatro cadeiras disponíveis. Foram até à mesa e perguntaram se havia algum inconveniente de sentarem naquele local. O senhor que ali se encontrava não fez nenhuma objeção e estendeu o braço para as cadeiras como um sinal de aval para ali ficarem.

 

Entre um gole e outro e a introdução costumeira de uma conversa entre pessoas que há algum tempo não se vêem, como: aonde está morando? Trabalhando? Casou? Filhos?; e tergiversando quando o assunto era drogas, tratamento e recuperação e sob a indiferença vaga do “dono” da mesa de café, que naquele momento lia uma revista, o mais afoito, mas seguro de sua atitude, iniciou sua fala:

 

-Então, como sabem comecei a usar drogas muito cedo, comecei com solventes, depois álcool, cocaína e acabei no crack, fiz uso do craçk durante 9 anos de minha vida, morei nas ruas até o momento em que não tinha mais nada e vi meu amigo mais próximo ser assassinado por causa de dívida com os traficantes e, a partir daquele instante decidi mudar de vida e fui à uma comunidade terapêutica para me tratar, completei o tratamento de nove meses e hoje estou aqui, limpo há mais de 4 anos. Seus amigos completaram: “ViVa”, “Muito Bem”, “Só por Hoje” enquanto o quinto participante da mesa levantou a cabeça sobre a revista e a conversa já começava a lhe interessar.

 

Logo em seguida, a única mulher dentre os quatro companheiros, completou: – Pois é, eu fiz uso de álcool mas a minha droga preferida era a cocaína, usei durante muito tempo, nem sei o quanto, estava em um relacionamento com um traficante de classe média alta até a época em que o peguei na cama com uma amiga minha e comecei a gritar com ele, foi quando ele me bateu e fui parar no hospital e, nesse hospital, conheci um pessoal do Narcóticos Anônimos que estava realizando um voluntariado, as palavras deles me pegaram de jeito e me apaixonei por aquilo que falavam, resumindo, ingressei na irmandade e estou limpa e serena há 21 dias, 6 meses e 4 anos. Em uníssono todos arremataram: “Isso aí”, “Tamo junto” a medida que o quinto integrante da mesa, nesse minuto, já tinha largado a revista e era só atenção aos outros quatro.

 

O mais velho do grupo, então, se manifestou: – A minha desgraça foi o álcool, meu Pai já era alcoolista e me iniciou ao consumo já com 10 anos de idade, bebi tudo o que podia, mas tudo mesmo…mais de trinta anos bebendo e bebendo sem parar, meu corpo não aguentou mais, problemas no fígado, não me alimentava e resolvi ir a um CAPs AD, não tinha dinheiro para pagar uma clínica e nem queria me internar, lá fui bem acolhido e passei a frequentar quase que diariamente o local, resultado: me encontro em recuperação há 3 anos e uma vez por semana sempre volto ao CAPs AD. Todos os outros bradaram “Sensacional”, Só por Hoje””, no mesmo segundo em que o quinto elemento do grupo aproximou sua cadeira da mesa com os olhos arregalados.

 

O último deles então disse: – Bem eu só usei maconha, mais de 20 anos, desde os 14, achando que não dava nada, até o dia em que tive um surto psicótico e quebrei tudo em minha casa, atualmente vou duas vezes por semana em uma Clínica Dia e continuo meu tratamento buscando minha recuperação constante e diária. Todos conclamaram “Espetacular”, “Tamo Junto” no instante em que, os quatro amigos, ao mesmo tempo, olharam para o quinto partícipe da mesa de café e partilhas e, notaram, que lágrimas escorriam pelos seus olhos, foi quando ele se manifestou:

 

– Meus caros, sou Pai de um filho que está fazendo uso de todas as drogas que falaram e mais algumas, seu quadro já é de dependência química e o uso inicial de drogas foi muito prematuro, mas vocês hoje me ensinaram muita coisa: 1ª) que nunca devemos nos dar por derrotados e sempre mantermos a esperança, 2ª) que devemos ter à disposição todos os tipos e modelos de ambientes de tratamento para os dependentes químicos ou usuários, à disposição e com acesso imediato ao desejo de parar com o uso e quando buscam ajuda, 3ª) que não existem critérios seguros para o uso de drogas, lícitas, ilícitas ou prescritas e 4ª) que devo ter um diálogo com meu filho e buscar junto com ele a sua recuperação e, por tudo que falaram, sou eternamente grato. Após isto pegou sua revista, deu um abraço nos quatro e foi embora, deixando um bilhete para eles com a seguinte frase: “SPH, limpo e sereno há mais de 25 anos, Bons Momentos”.

 

Minha Homenagem à todos os Pais, Mães, Voluntários e Adictos que, diariamente, lidam com a Dependência Química!!

 

 

 

 

 

 

 

 piti.hauer

Políticas Públicas sobre Drogas de Curitiba: entre audiências públicas e a indecisão

Invariavelmente as Políticas Públicas Sociais, apesar de serem as mais propaladas em épocas próximas às eleições, são as que ocupam o final da fila na hora de sua elaboração e aplicabilidade entre os gestores municipais, estaduais e federais. E o que dizer então de uma Política Pública Social sobre Drogas? Onde ainda prevalece a estigmatização do usuário de Substâncias Psicoativas, considerado como um pária da sociedade como se nada mais pudesse produzir ou criar, estando em uso de drogas ou em processo de recuperação de sua dependência de álcool e outras drogas?

 

Acentuo e relevo o termo POLÍTICA PÚBLICA SOCIAL SOBRE DROGAS, pois em alguns casos nos deparamos com termos “políticas anti-drogas” (espetacularmente medonho e sinistro) e o atual e mais difundido que não inclui o vocábulo “Social”, onde a primazia de orientação sinaliza um cenário preocupado única e primordialmente voltado às drogas dentro de um critério punitivo-repressivo, relegando ao indivíduo usuário ou dependente químico o direito constitucional  à Saúde e a sua dignidade humana. Faltam ambientes seguros e saudáveis de tratamento, além do que devemos estar de mente aberta para contextualizar a sociologia da droga e do ser humano que a utiliza.

 

Assim como em outros municípios  nesse imenso Brasil, as Políticas Públicas sobre Drogas (e não SOCIAIS sobre Drogas) são elaboradas, na sua grande maioria,  por engravatados de gabinetes que não vivem realmente o quadro profundo da atual situação de inúmeras famílias com a Dependência Química, a ótica e o pensamento da atuação do Poder Público é quase nula e o horizonte de ajuda e acolhimento é realizado por grupos de mútuo-ajuda como NAR-ANON, Al-ANON, Amor-Exigente e grupos ligados à Igrejas. Resta ao Legislativo, como forma de amenizar ou provocar a reflexão e o debate, os procedimentos burocráticos de sempre e de pouca eficácia e efetividade tais como: a criação de frentes parlamentares “contra” as drogas, comissões sobre ou “contra” as drogas e as audiências públicas, onde deve prevalecer o princípio da participação da sociedade na gestão do administrador público.

 

Em Curitiba não foi diferente, proposto pela vereadora do PV, Maria Letícia, a audiência pública sobre “O Diagnóstico de drogas em Curitiba” contou com a presença das secretárias municipais da Educação, da Saúde e Defesa Social; do Ministério Público, com a explanação do projeto SEMEAR de combate ao crack, álcool e outras drogas; da Presidente do Conselho Estadual e do Municipal sobre Drogas; do Presidente da FEPACT – Federação Paranaense das Comunidade Terapêuticas, o carmelita Frei Chico, que atua no tratamento e recuperação de dependentes químicos há mais de 25 anos e dirige a entidade com maior representatividade das CTs no Estado do Paraná, com mais de 75 filiados; do grupo Marista com o programa de Solidariedade Propulsão, representantes de Conselhos Tutelares e de grupos favoráveis à legalização da maconha e interessados sobre o tema do fenômeno das drogas.

 

Não obstante o pouco tempo para a exposição oral dos debatedores, sendo este o procedimento regimental de uma audiência, esta foi uma grata surpresa pela manifestação democrática de vários presentes ao evento e, embora tenhamos algumas pessoas que se dedicam e realizam um trabalho excepcional no Departamento sobre Drogas do Município, estamos muito aquém daquilo que seria plausível para uma Política Pública sobre Drogas no Município, há que se considerar a não efetivação legal do Departamento na Secretaria de Defesa Social, a indecisão sobre quem ocupar a função de Diretor do Departamento (estamos no terceiro nome em sete meses) e, principalmente, a elaboração, criação e implementação de um Plano de Políticas Públicas Sociais sobre Drogas (não existe um plano de Políticas sobre Drogas em Curitiba) que contemple mais a prevenção e o tratamento e atenda e atinja grupos em situação de vulnerabilidade, crianças, adolescentes, mulheres, gestantes usuárias, grupos da diversidade sexual e idosos. Oxalá consigamos.

 piti.hauer