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Moro manda bloquear R$ 6 milhões nas contas de filho de ministro do TCU

Por Andreza Rossini e Mariana OhdeO advogado Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas..

Mariana Ohde - 23 de agosto de 2017, 10:58

Por Andreza Rossini e Mariana Ohde

O advogado Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas da União (TCU), foi alvo de mandado de busca e apreensão na 45ª fase da Operação Lava Jato, a Abate II, deflagrada nesta quarta-feira (23).

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), não há envolvimento do órgão no esquema. "Não há qualquer elemento por mínimo que seja, que aponte qualquer tipo de interferência do ministro do TCU", afirmou o procurador Athaide Ribeiro Costa.

Tiago e seu sócio e Sergio Tourinho Dantas teriam intermediado as negociações para facilitar a contratação da empresa Sargeant Marine junto a Petrobras e, por isso, são alvo da nova fase. Eles receberam uma intimação para prestar depoimento à PF em Brasília.

A empresa Sargeant Marine forneceu asfalto para a Petrobras entre 2010 e 2013. O juiz federal Sérgio Moro determinou nesta manhã o bloqueio de até R$ 6 milhões nas contas e investimentos bancários dos suspeitos. O valor corresponde ao total pago pela empresa a título de comissão. "Ainda que eles tenham recebido somente parte dos valores, sua participação no esquema criminoso torna-os, em princípio, responsáveis pelo todo", decreta o juiz.

De acordo com Costa as investigações não são ligadas a prática de advocacia e sim aos delitos cometidos junto à estatal. "O grupo tinha uma pauta de negócios interessantes a eles na Petrobras. Existe um arquivo que foi apreendido na 16ª fase, com Othon Pinheiro da Silva, que apontava os interesses. A Sargeant Marine é um dos negócios que foi concretizado", afirmou.

Assim como as 43ª e 44ª fases da operação, a 45ª tem como base as delações do ex-diretor Paulo Roberto Costa.

Foram cumpridos, ao todo, quatro mandados em Salvador (BA), Brasília (DF) e Cotia (SP). A assessora do ex-deputado Cândido Vaccarezza, Ana Cláudia de Paula Albuquerque foi alvo de mandado de condução coercitiva, quando é levada para prestar depoimento, assim como os advogados envolvidos no esquema. Os três também foram alvos de busca e apreensão.

Segundo o MPF, as investigações indicam que a então assessora teria participado da prática criminosa, recebendo parcela dos valores em espécie destinados ao parlamentar, que teve participação decisiva nas tratativas para que a Sargeant Marine estrangeira fosse contratada pela Petrobras para fornecer asfalto. Nesse contexto, são investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Investigações

A operação foi batizada Abate II por se tratar de um aprofundamento das investigações iniciadas na Operação Abate, deflagrada na sexta-feira (18) - segundo as investigações da Abate, a empresa norte-americana Sargeant Marine teria pago US$ 500 mil ao PT, aVaccarezza e a funcionários da Petrobras por contratos de fornecimento de asfalto.

A Abate II investiga a participação de dois advogados - Tiago e o também ex-deputado federal Sergio Tourinho Dantas - no esquema que tinha como objetivo facilitar a contratação da Sargeant Marine.

Segundo depoimento do lobista Jorge Luz, preso na Operação Blackout, Tiago Cedraz era um deles - ele teria recebido US$ 20 mil em contas mantidas na Suíça em nome de offshores para intermediar as negociações.

Em nota, o advogado disse estar tranquilo e que jamais participou de "qualquer conduta ilícita". Ele ainda se colocou à disposição para esclarecimentos".