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Homem poderoso na política, Cunha abre mão de liderança na cadeia

Por Lenise Aubrift Klenk e Thaissa MartiniukPolítico que foi sinônimo de poder nos quatro mandatos como deputado ..

Narley Resende - 19 de outubro de 2017, 15:17

Por Lenise Aubrift Klenk e Thaissa Martiniuk

Político que foi sinônimo de poder nos quatro mandatos como deputado federal, o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não faz questão de exercer papel de liderança entre presos, como ocorreu com outros réus da Lava Jato. Ele completou um ano de prisão nesta quinta-feira (19).

Reservado, o deputado cassado Eduardo Cunha não tem construído vínculos com detentos com quem divide espaço em uma galeria do Complexo Médico-Penal (CMP) de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Foi lá que ele passou dez dos últimos 12 meses de prisão. Nos dois primeiros, ficou detido na Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense.

Dentro da cadeia, Cunha não ocupa papel de liderança. Diferente de alguns réus da Lava Jato que estiveram na unidade, como o empresário Marcelo Odebrecht e o ex-ministro José Dirceu. Líderes fora da prisão, eles seguiram influenciando colegas de cela. Segundo alguns relatos, Eduardo Cunha não faz questão de ocupar esse espaço.

A advogada Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho da Comunidade em Curitiba e região, se tornou uma espécie de interlocutora dos presos da Lava Jato. Aos 80 anos, ela acumula quatro décadas de experiência no sistema prisional paranaense e não raras vezes se torna confidente e conselheira de detentos. No caso de Cunha, o contato tem sido protocolar.

"Tive três contatos com ele. No primeiro ele tinha chegado havia poucos dias. Cumprimentei como como cumprimento a todos, perguntando como ele estava. E ele estava, assim, bastante nervoso, sabe? Dava pra gente ver que ele estava bastante abatido. Depois, em outras duas vezes eu tive a oportunidade de falar com ele mais duas vezes, mas coisas, assim, sem muita importância. Amenidades mesmo. Aí já achei que ele estava melhor, em melhores condições. Porque pra eles é importantíssimo trabalhar, né. Ele já estava trabalhando, ele seria o responsável pela entrega e distribuição das refeições", conta a presidente do Conselho da Comunidade.

O ex-presidente da Câmara trabalha desde março no Complexo Médico-Penal. A atividade pode render redução na pena de 15 anos e quatro meses de prisão a que foi condenado neste ano, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ainda tramita recurso contra a sentença.

Até ser transferido temporariamente para audiências em Brasília, no mês passado, Cunha dividia cela com o ex-deputado federal Luiz Argôlo, também condenado na Lava Jato.

"Ele Galeria onde ficam os presos da Lava Jato no CMP. Eles ficam logo na entrada (lado esquerdo da foto). Reprodução / Google Maps Ala onde ficam os presos da Lava Jato no CMP. Eles ficam logo na entrada (lado esquerdo da foto). Reprodução / Google Maps