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“Ele era um doleiro”, dizem delatores sobre Rodrigo Tacla Duran, da Odebrecht

Réus de ação penal da Operação Lava Jato, o ex-diretor financeiro da UTC Engenharia, Walmir Pinheiro Santana e o consult..

Roger Pereira - 05 de março de 2018, 20:46

Réus de ação penal da Operação Lava Jato, o ex-diretor financeiro da UTC Engenharia, Walmir Pinheiro Santana e o consultor da Odebrecht Olívio Rodrigues Junior, disseram ao juiz federal Sérgio Moro que tiveram contato com o ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacala Duran, já condenado em outra ação relativa à Operação, para tratar de operações de caixa 2 de de lavagem de dinheiro.

Tacla Duran tornou-se um dos principais personagens da Lava Jato após acusar o Ministério Público Federal de forjar provas na Operação e criticar o juiz Sérgio Moro por aceitar essas provas sem questioná-las. Ele foi preso em novembro de 2016, na Espanha, na 36ª fase da Lava Jato, por ordem do juiz Sergio Moro, e libertado depois que a Justiça espanhola negou sua extradição. Nos processos contra Lula, a defesa do ex-presidente insiste na oitiva do advogado como testemunha de sua tese de adulteração no sistema de propina da Odebrecht, mas Moro vem rejeitando sistematicamente os pedidos.

http://paranaportal.uol.com.br/operacao-lava-jato/627-advogado-acusa-ministerio-publico-forjar-provas-nega-propina-pmdb/

“Eu conhecia e negociava pessoalmente com ele (Duran). Ele era um doleiro”, disse Rodrigues, proprietário de empresas de consultoria contratadas pela Odebrecht para realizar “pagamentos não contabilizados a eoffshores no exterior”. “Eu procurei o escritório dele para fazer operações de Caixa 2”, afirmou Santana, responsável pelos pagamentos das “vantagens indevidas” feitos pela UTC. Ambos depuseram na condição de réus colaboradores.

Santana explicou como funcionava o trabalho de Duran para a UTC. “Ele fazia um contrato fictício de serviços dentro do valor que eu precisava. Fazia o contrato, a gente assinava, mensalmente ele mandava as notas, a gente pagava e, em até 48 horas ele nos mandava de volta o recurso”.

Rodrigues disse que utilizava mais de 10 contas diferentes no exterior para fazer os pagamentos da Odebrecht, com o objetivo de dificultar a identificação. “Não teve mercadoria, não teve serviço prestado, não teve nada. Era só a transferência de reais para dólar que ele (Duran) fazia aqui no Brasil. Toda a pessoa que entrega reais no Brasil a gente considera doleiro”, apontou.

Rodrigues também afirmou que todas as ordens de pagamentos eram comunicadas a ele através do sistema Drousys, ao qual Tacla Duran tinha amplo acesso, “com o codinome Black Z”.