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Lula desiste de testemunho de ex-ministros Padilha e Wagner

Em petição protocolada às 22h da última quarta-feira, a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desistiu da oi..

Roger Pereira - 29 de junho de 2017, 21:10

Em petição protocolada às 22h da última quarta-feira, a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desistiu da oitiva do ex-ministro da saúde Alexandre Padilha como sua testemunha em ação penal em que é réu por recebimento de vantagens indevidas da Odebrecht, através da aquisição de um terreno para o Instituto Lula e de um apartamento, vizinho ao que reside, em São Bernardo do Campo. O depoimento de Padilha estava previsto para as 9h30 desta sexta-feira (30) e a desistência da oitiva foi comunicada com menos de 36 horas da audiência. Lula também desistiu das oitivas de outras duas testemunhas com depoimentos marcados para esta sexta-feira: Celso Oliveira Marcondes de Faria e Clara Levint Ant.

Na mesma petição em que requisita o cancelamento do depoimento de Padilha, a defesa do ex-presidente também comunica a desistência de ter o ex-ministro Jaques Wagner como sua testemunha de defesa. O depoimento de Wagner estava marcado para o dia 3 de julho, segunda-feira. A defesa justifica que os depoimentos dos ministros versariam sobre questões já foram esclarecidas por outras testemunhas e documentos carreados aos autos.

87 testemunhas

Padilha e Wagner fazem parte do rol de 87 testemunhas que o ex-presidente Lula indicou no processo. O número elevado irritou o juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso, que identificou intenção da defesa do ex-presidente em prolongar o tempo de tramitação do processo pela necessidade da realização de dezenas de audiências para a oitiva das testemunhas de Lula. Por conta desta manobra, Moro chegou a determinar que Lula comparecesse a todos os 87 depoimentos, mas um habeas corpus obtido no Tribunal Regional Federal da 4ª Região desobrigou o ex-presidente do comparecimento. As desistências das testemunhas às vésperas dos depoimentos, sem tempo hábil para o adiantamento de outras oitivas corroboram com a tese de Moro.