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Moro manda soltar operador que já foi investigado no Swissleaks

O juiz Sérgio Moro mandou soltar o empresário Henry Hoyer de Carvalho, preso na última sexta-feira (18), na fase mais re..

Narley Resende - 22 de agosto de 2017, 16:49

O juiz Sérgio Moro mandou soltar o empresário Henry Hoyer de Carvalho, preso na última sexta-feira (18), na fase mais recente da Operação Lava Jato. Ele está preso temporariamente na Operação Lava Jato desde a sexta-feira (18), em Curitiba, e pode ser solto a qualquer momento. Veja o alvará de soltura.

Em despacho publicado nesta terça-feira (22), o juiz afirmou que até o momento Polícia Federal e Ministério Público Federal (MPF) não se manifestaram desde a prisão do investigado.

Apesar disso, Moro afirma que há provas de que Carvalho teria intermediado o pagamento de vantagens indevidas ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e que, portanto, a suspeita de envolvimento do investigado é fundada.

Por isso, foram determinadas medidas cautelares, como a impossibilidade deixar o país, de contato com os demais investigados, de mudança de endereço e compromisso de comparecimento em todos os atos do processo.

No mesmo despacho (veja abaixo) que libera Carvalho, Moro citou que o ex-gerente da Petrobras Dalmo Monteiro não foi encontrado na operação de sexta-feira (18). Ele está no exterior e, por meio da defesa, se comprometeu a comparecer perante a Justiça na quinta-feira (24).

Swissleaks

Em 2015, o empresário também era investigado na CPI do Swissleaks, que apura supostas irregularidades em contas de brasileiros no HSBC da Suíça. Segundo Paulo Roberto Costa, Carvalho substituiu o doleiro Alberto Youssef como interlocutor com o Partido Progressista em 2012. O partido estaria insatisfeito com a demora no repasse de subornos.

Veja a íntegra do despacho:

"DESPACHO/DECISÃO

1. A pedido do MPF, foi decretada, em 24/06/2017 e em 16/08/2017, a prisão temporária de Henry Hoyer de Carvalho e de Dalmo Monteiro Silva (eventos 3 e 33).

Segundo informações, a prisão de Dalmo Monteiro Silva não foi cumprida, pois ele não foi encontrado.

A prisão temporária de Henry Hoyer de Carvalho foi efetivada em 18/08/2017.

Até o momento, nem autoridade policial, nem o MPF se manifestaram nos autos desde a efetivação das buscas e prisão.

2. Relativamente à Henry Hoyer de Carvalho, há prova, em cognição sumária, de que ele teria intermediado vantagem indevida para o Diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa em contratos de afretamento. Há, porém, informação de que ele teria se afastado de tal atividade específica há algum tempo.

Havendo fundada suspeita do envolvimento do investigado em crimes contra a Administração Pública, impolho, com base no art. 282 do CPP e art. 319, especialmente I, II e e VI, do CPP, as seguintes medidas cautelares:

a) proibição de que contrate com a Administração Pública direta ou indireta ou de que intermedie, de qualquer forma, direta ou indiretamente, contratos com a Administração Pública direta ou indireta;

b) compromisso de comparecimento a todos os atos do processo;

c) proibição de deixar o país, com a entrega do passaporte a este Juízo em 48 horas;

d) proibição de contatos com os demais investigados, salvo familiares.

e) proibição de mudança de endereço sem autorização do Juízo.

Expeça-se alvará de soltura e termo de compromisso, encaminhando à autoridade policial para cumprimento e tomada de assinatura.

Oficie-se à Delegacia de Fronteiras da Polícia Federal solicitando a anotação da proibição para que Henry Hoyer de Carvalho deixe o país e para que seja proibida a emissão de novos passaportes em seu nome.

3. Ciência ao MPF e à autoridade policial, devendo esclarecer a situação de Dalmo Monteiro Silva, bem como o resultado das demais diligências cumpridas em 18/08. Prazo de três dias.

Curitiba, 22 de agosto de 2017."