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Amigo de Temer adia depoimento há 8 meses

RUBENS VALENTE, REYNALDO TUROLLO JR. E BRUNO BOGHOSSIANBRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)O coronel aposentado da Polícia M..

Mariana Ohde - 04 de fevereiro de 2018, 15:25

RUBENS VALENTE, REYNALDO TUROLLO JR. E BRUNO BOGHOSSIAN

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo e amigo do presidente Michel Temer João Baptista Lima Filho conseguiu adiar, ao longo de oito meses, as tentativas da Polícia Federal de ouvi-lo no inquérito que apura supostas irregularidades em decreto do setor portuário.

O interrogatório é importante para esclarecer, entre outras coisas, suspeitas sobre papéis apreendidos na casa e na empresa do coronel, um deles com referência a uma obra num imóvel de uma filha de Temer, e mensagens de celular enviadas por ele.

Nos últimos meses Lima Filho, que tem 74 anos, apresentou pelo menos três atestados médicos para dizer que não tem condições de ir à PF para prestar depoimento.

O primeiro atestado é datado de 29 de maio passado, emitido por um neurologista do hospital Albert Einstein, em São Paulo. Onze dias antes, a empresa do coronel, a Argeplan Arquitetura, havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão emitido pelo Supremo Tribunal Federal a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República).

O médico afirmou que quase um ano antes, em junho de 2016, o coronel sofrera um "acidente vascular cerebral isquêmico" que provocara uma lesão, comprometendo "a força na mão direita e , comprometendo-se a fazê-lo oportunamente."

Mensagens

Relatório preliminar da PF feito em dezembro no âmbito do inquérito que investiga a edição do decreto dos portos, assinado por Temer em maio de 2017, menciona mensagens de celular que foram consideradas suspeitas.

Em uma dessas mensagens, de 30 de abril de 2017, o militar aposentado escreve: "Amiga, nessas condições, ainda tenho esperança de receber as 'gorjetas' que você não me deu. Bom domingo!".

A PF escreveu que a interlocutora das mensagens, Maria Helena, não foi identificada.

Em outra troca de mensagens, de junho de 2016, Lima Filho conversa com um sócio de sua empresa que lhe pergunta "se Rodrigo já teria feito contato", de acordo com o relatório policial.

"Como a data da conversa se dá no período de prováveis atividades objeto da investigação, é possível que o 'Rodrigo' mencionado seja Rodrigo Rocha Loures, o que, todavia, poderá ser esclarecido em eventual interrogatório."

Rocha Loures (MDB-PR), ex-assessor de Temer no Planalto e ex-deputado, é investigado no mesmo inquérito. Em abril de 2017, ele foi flagrado correndo com uma mala com R$ 500 mil entregue pela JBS e é suspeito de ter atuado no decreto do setor portuário.

Outro lado

A reportagem não conseguiu localizar o coronel Lima. A reportagem ligou três vezes, na quinta (1º) e na sexta (2), para o escritório de seu advogado, Cristiano Rêgo Benzota de Carvalho, mas a secretária informou que ele não estava. A funcionária anotou o recado, mas não houve resposta.