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Polícia Federal começa ouvir depoimentos da Operação Quadro Negro

Redação com BandNewsCuritibaComeçaram a ser ouvidas, nesta quinta-feira (01),  as 18 pessoas intimadas pela Políc..

Jordana Martinez - 01 de fevereiro de 2018, 15:31

Redação com BandNewsCuritiba

Começaram a ser ouvidas, nesta quinta-feira (01),  as 18 pessoas intimadas pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos no âmbito da Operação Quadro Negro. Durante a manhã, seis pessoas prestaram depoimento; entre elas o secretário Especial de Cerimonial e Relações Internacionais, Ezequias Moreira e o atual chefe de gabinete do secretário estadual da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB), Gerson Nunes da Silva.

A força-tarefa apura um esquema de desvios de recursos da construção e reforma de escolas públicas do Paraná que teria provocado um rombo estimado em mais de R$ 20 milhões.

A investigação foi deflagrada em 2015 pelo Gaeco, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público do Paraná. Mas esses depoimentos em específico serão colhidos pela PF por causa do possível envolvimento de autoridades com foro no Supremo Tribunal Federal.

A Assessoria de Imprensa da Polícia Federal em Curitiba, informou que a Corporação não deve se pronunciar porque as informações serão enviadas diretamente à Brasília. Entre os intimados estariam pessoas próximas ao governador Beto Richa (PSDB) e nomes que integram o primeiro escalão do Executivo estadual. Mesmo assim, o político se diz absolutamente tranquilo.

"Eu conversei com todos eles e estão também absolutamente tranquilos. Não é que estão sendo investigados, foram convidados a depor para dar alguma contribuição. Todos nós estamos à disposição da Justiça naquilo que for necessário... O maior interessado é o governo para que tudo se esclareça. Aliás, as primeiras investigações deste caso aconteceram no meu governo por determinação minha. Pessoas foram afastadas, demitidas do cargo, muitas presas pela polícia, pela PGE os suspeitos tiveram os bens bloqueados para ressarcimento aos cofres públicos. Então não faltou nada da parte do governo", afirmou em entrevista à BandNews.

As investigações apontam que as irregularidades ocorreram entre os anos de 2011 e 2014 e que o dinheiro teria sido usado para abastecer a campanha à reeleição de Richa em 2014. O dono da Valor Construtora, Eduardo Lopes de Souza, fechou um acordo de delação com a Justiça e citou ainda o pagamento de propina ao deputado federal licenciado e secretário-chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB). Outras pessoas com direito a foro privilegiado também teriam sido mencionadas por ele.

O nome do engenheiro Maurício Fanini, ex-diretor da Secretaria de Estado da Educação, é mais um que aparece nas declarações do empresário. Ele está preso, é apontado como um dos principais envolvidos nas fraudes e também tenta fechar um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República.

As ações da Quadro Negro que tramitam no STF são paralelas às que correm na primeira instância da Justiça estadual, em relação aos réus que não têm foro. Segundo o MP, a equipe chefiada por Fanini produzia relatórios fraudados sobre o andamento das obras das escolas. Com isso, pagamentos eram liberados pelo Poder Público sem a execução dos serviços correspondentes.

À imprensa, Valdir Rossoni tem negado participação no esquema e sustentado que renuncia ao cargo público se alguém provar alguma coisa contra ele.