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Operação Havana investiga esquema que desviou recursos para atletas fantasmas

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação para investigar um suposto esquema criminoso que pode ter fraudado o progr..

Fernando Garcel - 18 de agosto de 2017, 13:28

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação para investigar um suposto esquema criminoso que pode ter fraudado o programa Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte. O programa é o maior patrocinador individual de atletas de alto rendimento que obtêm bons resultados em competições nacionais e internacionais do mundo. Segundo a PF, os investigados inseriam dados de atletas fantasmas nos sistemas do Ministério do Esporte para desviar recursos do programa. Cerca de R$ 850 mil podem ter sido desviados.

De acordo com a investigação, o esquema conseguiu criar 25 atletas fantasmas, inclusive de alto rendimento e nível olímpico. As fraudes teriam ocorrido no ano de 2012 e, de acordo com as informações encaminhadas pelo Ministério do Esporte, podem ter ultrapassado R$ 1 milhão em valores atualizados.

A operação recebeu o nome de Havana, capital de Cuba, pois, segundo a PF, o suposto líder e alguns participantes do esquema criminoso são brasileiros nascidos no país caribenho. Foram expedidos seis mandados de busca e apreensão e seis mandados de condução coercitiva, autorizados pela 10ª Vara da Justiça Federal no Distrito Federal.

Em nota, o Ministério do Esporte afirma que a operação sobre os desvios partiu de uma denúncia da própria pasta. A coordenação do Bolsa Atleta teria identificado uma possível fraude no sistema em 2012 e instaurou uma investigação interna e após a conclusão do processo administrativo, a denúncia foi encaminhada à PF e resultou na Operação Havana.

"O Ministério do Esporte reitera a importância do programa Bolsa Atleta, que desde 2005 apoiou 23 mil atletas, com resultados expressivos como os obtidos nos Jogos Rio 2016, quando 77% da delegação olímpica e 90,9% da paralímpica eram integradas por bolsistas. Dezoito das 19 medalhas olímpicas no Rio de Janeiro e todas as 72 paralímpicas foram conquistadas por atletas bolsistas", declarou o ministério em nota.

Bolsa Atleta

De acordo com a lei que regulamenta o programa todo candidato à bolsa deve atender a uma série de requisitos, como ter participado de competições nacionais e internacionais de suas modalidades no ano anterior e estar vinculado a alguma entidade de prática desportiva. Além disso, desde 2011, atletas de modalidades individuais olímpicas e paraolímpicas que se candidatem na chamada categoria Atleta Pódio, devem estar entre os vinte primeiros colocados do mundo em sua modalidade ou prova específica, conforme critérios definidos pelas respectivas entidades nacionais de administração do desporto em conjunto com o Comitê Olímpico Brasileiro ou Comitê Paraolímpico Brasileiro e o Ministério do Esporte.

No último edital para inscrições no programa, publicado pelo Ministério do Esporte no último dia 7, as bolsas equivalem a vão de R$ 370, para categoria Atleta de Base e Estudantil, até R$ 3,1 mil para o nível Olímpico e Paralímpico.