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Tudo o que você precisa saber sobre febre amarela

Com Francielly AzevedoA confirmação de um caso de febre amarela em Curitiba, nesta quarta-feira, acendeu o sinal ..

Roger Pereira - 01 de fevereiro de 2018, 19:09

Com Francielly Azevedo

A confirmação de um caso de febre amarela em Curitiba, nesta quarta-feira, acendeu o sinal de alerta na população da capital paranaense e de todo o estado. Mesmo sendo um caso importado (de um paciente que contraiu o vírus em viagem para o estado de São Paulo), o quadro de epidemia vivido no sudeste do país preocupa e lança muitas dúvidas sobre como prevenir e combater a doença. O vice-presidente da Sociedade Paranaense de Infectologia, Jaime Rocha esclareceu ao Paraná Portal todas as dúvidas acerca da doença.

O que é febre amarela?

É uma doença viral que faz parte do grupo das araboviroses, que são doenças transmitidas por mosquitos e outros insetos. É um vírus de uma família de vírus  Flavivirus , do qual faz parte, também a dengue, entre outras. É uma doença endêmica, vive em nosso país há muitos e muitos anos.

Estamos vivendo uma epidemia?

As pessoas confundem muito o termo epidemia, que gera muito pânico. Temos que entender que epidemia é um termo técnico que quer dizer que ou está surgindo uma nova doença em uma região ou está aumentando o número acima do previsto, que é o que está acontecendo. Não é uma coisa fora de controle.

Vai chegar ao Paraná?

O estado do Paraná tem uma região, a região oeste, que é considerada zona de transição, uma região que vivem entre as áreas de risco e as áreas que não têm casos de febre amarela. O último caso autoctone (contraído na região) no estado já tem mais de 10 anos. O estado mantém monitorização sobre os macacos, monitora, também, os mosquitos e não temos registros de casos autoctones no estado. O caso registrado em Curitiba e os casos em outras cidades, são casos importados, de pessoa que viajou para área de risco e contraiu a doença fora.

Qual o perfil das vítimas?

Homem jovem, porque a doença tem dois ciclos, o silvestre e o urbano. No país, não existe o ciclo urbano. Estamos vivendo o ciclo silvestre, em que o mosquito é o Haemagogus e o hospedeiro é o macaco. O homem entrou como hospedeiro acidental. Ele entrou em uma área de floresta e acabou picado pelo mosquito. O homem jovem é a principal vítima porque é a pessoa que mais se expõe a essas áreas endêmicas e, também, porque é o que mais negligencia o calendário de vacinação. Praticamente todas as pessoas que contraíram a doença tinham a indicação da vacina e não a fizeram.

Existe o risco de se tornar urbana?

É um risco bastante remoto. O Brasil não tem febre amarela urbana desde a década de 1940. As pessoas estão sendo, no momento, reativas e passionais. Ao invés de terem sido preventivas e feito a vacina na hora certa, estão correndo atrás agora. Mesmo as que não precisam.

É necessário isolar ou até matar os macacos?

Não há necessidade de qualquer atuação com os macacos. Se você matar todos os macacos, você não vai acabar com a doença. O macaco não passa a doença para a gente e serve, ainda, como indicador de que a doença está prevalente naquela região. Acabando com os macacos, acabaremos com nosso alerta. O procedimento é, ao encontrar um macaco morto, comunicar às autoridades sanitárias, para que seja investigado.

Quem precisa se vacinar?

A vacina é precisa, segura, mas não é balas de goma. Existem efeitos colaterais graves, na ordem de um para um milhão de casos. Por isso, só precisa de vacina quem mora ou vai viajar para a áreas de risco. A pessoa que não tem recomendação de fazer a vacina, deve evitar fazê-la neste momento. A recomendação segue a mesma, independente da epidemia. Não temos casos urbanos, então, a estratégia de vacinação ainda é bloqueio.

Como é feito o diagnóstico?

A febre amarela é bifásica. A primeira fase se caracterisa por sintomas inespecíficos que podem lembrar uma gripe:  febre, dores, tontura, náuseas e vômitos. Trata-se do estágio inicial da doença, que dura poucos dias. Cerca de 20% das pessoas infectadas evoluem para a segunda fase, que é a fase de risco, caracterizada pela coloração amarelada da pele, falência renal e sangramentos. Dos que chegam a essa segunda fase, 40% vão a óbito, um letalidade muito alta comparada às outras doenças.

Por que esta epidemia neste momento?

Os gráficos do Ministério da Saúde mostram que a doença é cíclica. É esperado um ciclo maior a cada sete anos, em médica. O que aconteceu agora é que atingiu um número até maior que o esperado, porque chegou a regiões silvestres, mas de transição com áreas urbanas mais populosas, deixando um número maior de pessoas apostas.

Como combater?

Educação, vacinação, controle do mosquito. Mas a doença não tem tratamento específico. Existe cura espontânea. Quem fizer de forma leve ou de forma grave e sobreviver, estão curadas e imunes.

Só preciso me vacinar uma vez?

Não se trabalha dose fracionada, a dose plena é suficiente. A fracionada é uma medida que seria necessária quando se quer vacinar um número muito grande de pessoas em um período muito curto, é uma medida correta para lugares que precisam fazer um número maior de doses. Não precisa de reforço. Anteriormente recomendava-se o reforço em 10 anos, isso foi revisto. Mesmo as pessoas que tomaram no passado, já estão imunes para o resto da vida.