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Mortes de cães preocupam, mas são pouco denunciadas

Por Rafael Neves, Metro CuritibaA volta do Carnaval começou triste para a família da advogada Carla Karpstein: qu..

Mariana Ohde - 20 de fevereiro de 2018, 09:08

Por Rafael Neves, Metro Curitiba

A volta do Carnaval começou triste para a família da advogada Carla Karpstein: quando voltou de viagem e foi buscar seus cachorros em um hotel canino no Capão da Imbuia, em Curitiba, descobriu que Milk, um SRD (sem raça definida) adotado por ela há sete anos, comeu salsichas envenenadas atiradas por alguém da rua e não sobreviveu.

“Eu cuido dos meus cachorros como se fossem meus filhos. Acabou com meu mês, acabou com o meu ano, sabe?”, lamenta Carla, que teve outro pet intoxicado – um schnauzer que foi socorrido a tempo e passa bem – no mesmo incidente.

Não há números oficiais, em Curitiba, sobre envenenamentos de animais, crime que prevê penas de três meses a mais de um ano de prisão. Especialistas da área acreditam que a prática diminuiu nos últimos anos, em parte pelo fortalecimento da cultura de respeito aos animais e também pelo aumento de câmeras de segurança, públicas e privadas, pela cidade.

“Há 10 anos era bem mais comum a gente buscar vítimas de envenenamento do que agora”, diz Léia Penner, proprietária do crematório de animais Pet World.

Isso não significa, porém, que os crimes tenham cessado. Eleita com a plataforma dos direitos dos animais e dona de 20 cachorros, a vereadora Fabiane Rosa (PSDC) diz que recebe denúncias com frequência em seu gabinete. Ontem, por exemplo, a parlamentar compartilhou em sua conta no Facebook uma foto de pães envenenados entregues a três cães que tiveram sua casinha incendiada na semana passada – pela segunda vez, os animais escaparam ilesos dos ataques.

Como denunciar

Fabiane tenta encorajar as vítimas a fazerem BOs (Boletins de Ocorrência) na DPMA (Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente) ou na delegacia mais próxima para tentar identificar os responsáveis.

“Isso só vai diminuir de verdade quando as pessoas não abrirem mão de denunciar. Tem que denunciar logo que um vizinho faz uma ameaça, porque a ameaça já é crime”, diz a vereadora.

“Recebemos muitas vítimas de envenenamento”, conta Soraya Simon, presidente da SPAC (Sociedade Protetora dos Animais). “Quando morre, é preciso guardar no freezer, se não puder levar imediatamente ao laboratório, e fazer necropsia com exame toxicológico”, ensina. Informações sobre ameaças também são úteis a uma investigação.

“Pode-se relatar que tal pessoa ameaçou, mesmo sem poder afirmar que foi ela quem envenenou”, explica a protetora, que costuma orientar as famílias. A falta de crença na punição dos responsáveis, porém, acaba inibindo as denúncias.

A advogada Carla Karpstein, por exemplo, conta que não fez o BO por considerar “impossível” que o crime seja solucionado. “Foi aquele choque tão grande que você nem quer mexer com isso, até porque nem tenho por onde começar: nós até fomos atrás de umas câmeras de segurança, mas elas não mostravam a frente da casa”, diz Carla.

Nem só bichos domésticos, nos quintais das casas, são alvos dos criminosos: no ano passado, sete cães que viviam na rua (os chamados cães comunitários) morreram envenenados em um espaço de um mês, entre junho e julho, sem que se descobrissem os autores.

Para a vereadora Fabiane, estes são os mais vulneráveis. “Não existe covardia maior do que oferecer uma salsicha ou um pão envenenado para um cão com fome na rua”, afirma.

PL aumenta sanções para chumbinho

A proprietária do crematório Pet World, Léia Penner, diz que os ataques a cães mais comuns que ela presencia não são por venenos, mas sim materiais como cacos de vidro, lâminas ou chumbinho (um produto clandestino) misturados à carne.

“São as ocorrências mais tristes. O animalzinho vomita e evacua sangue, sofre e entra em colapso muito rápido”, lamenta.

A venda do chumbinho é proibida no Paraná desde 2006, mas praticada em pequenas lojas. Tramita desde abril um projeto da vereadora Fabiane Rosa que aplica as sanções da lei de maus tratos – que vão da cassação do alvará a multas de até R$ 200 mil – a quem vender o produto