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Divisa de PR, SP e MS é centro do tráfico de aves

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba Uma porção da Bacia do Rio Paraná, que abrange a divisa entre os Estados do P..

Narley Resende - 05 de outubro de 2017, 08:02

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

Uma porção da Bacia do Rio Paraná, que abrange a divisa entre os Estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, é tido por ambientalistas como um foco de risco a aves que vêm sofrendo com o desmatamento e o tráfico de animais na região.

Um dos pássaros locais, o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), é protegido há 20 anos pela Fundação Neotrópica do Brasil, uma ONG sul-mato-grossense que mapeou os hábitos da ave e as áreas de onde ela vinha sendo mais retirada por traficantes.

A zootecnista Gláucia Seixas, criadora do “Projeto Papagaio-verdadeiro”, falou sobre o problema ontem, data em que se celebra o Dia das Aves. Gláucia lamenta a dificuldade de proteger espécies como esta.

“É um bicho com menor valor na venda, porque não é tão raro. Então os traficantes ganham na quantidade. Capturam muitos e vendem bem mais barato do que os criadouros certificados”, conta a zootecnista.

Segundo ela, o Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) do governo do MS, onde ela também trabalhou, recuperou mais de 10 mil papagaios capturados desde 1988, mas não consegue estancar os crimes.

O Estado é um “fornecedor” clandestino de papagaios para várias outras partes do Brasil. Na tríplice divisa com PR e SP, os pássaros são alvos fáceis para os traficantes, que coletam filhotes ou até os ovos nos ninhos – os compradores preferem comprar filhotes – e deixam a região de barco, pelo Rio Paraná, geralmente em más condições, o que mata parte das aves antes da venda.

Enquanto papagaios legalizados custam até R$ 2 mil, os clandestinos são vendidos por R$ 500 ou menos.

“Essa espécie é muito apreciada porque é tida como o melhor falador entre os papagaios, o que melhor imita a voz humana”, conta a zootecnista.

Além de monitorar as populações dos papagaios, a Fundação acompanha o movimento do tráfico e faz campanhas de conscientização para que as pessoas não comprem aves clandestinas e denunciem os casos. A entidade não atua na reabilitação dos animais recuperados.

“Quando um pássaro é devolvido à natureza, a situação já não é a ideal. Eles passam meses nas mãos humanas e quase nunca voltam exatamente para o seu habitat. É um arranjo artificial”, explica Gláucia.

Recursos são escassos a não ameaçados

Além de serem mais baratos no mercado negro, os animais não-ameaçados de extinção têm outra desvantagem: os recursos para proteção, já escassos, tendem a se concentrar nas espécies mais ameaçadas no país. “Os patrocinadores tendem a focar nestas espécies”, conta a zootecnista Gláucia Seixas.

O Projeto Papagaio-verdadeiro, que ela criou há 20 anos, tem apoio da Fundação Boticário, do Parque das Aves, do refúgio ecológico Caiman e da Embrapa Pantanal, além do governo do Mato Grosso do Sul.

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