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‘Eike do Sul’ está entre condenados por Moro por desvios no IFPR

Com informações de Lenise Aubrift KlenkO empresário gaúcho radicado no Paraná Alexandre de Souza Azambuja, um dos conden..

Fernando Garcel - 08 de agosto de 2017, 20:50

Com informações de Lenise Aubrift Klenk

O empresário gaúcho radicado no Paraná Alexandre de Souza Azambuja, um dos condenados pelo juiz federal Sérgio Moro por desvio de recursos do Instituto Federal do Paraná (IFPR) nesta terça-feira (8), já chegou a ser conhecido como “Eike do Sul”, em referência à fortuna que foi construída pelo empresário Eike Batista. Azambuja chegou a ter 28 empresas. O empresário foi condenado a 8 anos e 6 meses de reclusão e 2 anos de detenção.

> Moro condena 16 pessoas por desvios e justifica demora para sentença

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, os desvios ocorreram em pagamentos de serviços e despesas simuladas feitos pelo IFPR para duas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips).

A sentença, do juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, foi proferida quatro anos depois de deflagrada a Operação Sinapse, que investigou o caso. Além do 'Eike do Sul', outras quinze pessoas foram condenadas. A sentença determina o confisco de bens e valores equivalente ao prejuízo estimado, que é de R$ 6,6 milhões.

“A opção pela utilização de Oscips para a execução dos cursos de EaD do IFPR foi o meio empregado pela organização criminosa para burlar as exigências de licitação e concursos públicos, o que propiciou a manutenção do esquema criminoso de desvios de recursos públicos por aproximadamente 4 anos”, afirmou Moro.

Os envolvidos foram condenados por crimes como o de peculato, corrupção passiva, falsidade ideológica, fraude em licitações e associação criminosa na execução de cinco termos de parceria para Educação a Distância (EaD), de 2009 a 2013. Os contratos foram firmados com o Ibepoteq (Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas para Otimização da Tecnologia e da Qualidade Aplicadas) e a ABDES (Agência Brasileira de Desenvolvimento Econômico e Social).

As organizações eram contratadas para atuar nos cursos a distância, superfaturavam valores e emitiam notas frias. Ao todo, 27 réus responderam ao processo. Desses, 16 foram condenados e 11, absolvidos. As penas variam de um ano a 22 anos de prisão. O processo identifica como líderes do esquema criminoso os servidores do IFPR José Carlos Ciccarino e Ricardo Herrera; os empresários Gilson Amâncio e Alexandre de Souza Azambuja, do Ibepoteq, José Bernardoni Filho, da ABDES; e Arnaldo Suhr, da empresa Obra Impressa.

Na sentença, o juiz Sérgio Moro, conhecido por tratar com celeridade os processos que comanda, justificou a demora na finalização do caso. Ele afirma não ter sido possível sentenciar a ação penal antes, em decorrência da complexidade da causa e do acúmulo de trabalho decorrente da Operação Lava Jato.