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Educação se prepara para chegada de refugiados no Paraná

Por Metro CuritibaA Seed (Secretaria de Estado da Educação) passou a ofertar neste ano cursos de PFOL (Português ..

Mariana Ohde - 05 de março de 2018, 08:51

Por Metro Curitiba

A Seed (Secretaria de Estado da Educação) passou a ofertar neste ano cursos de PFOL (Português para Falantes de Outras Línguas) gratuitamente em escolas da rede estadual de ensino.

Até o ano passado, o ensino da língua para migrantes, refugiados e apátridas não estava estruturado pelo Estado e grande parte das iniciativas nesse sentido (originadas a partir da chegada de haitianos) se concentravam na capital, com os programas da UFPR, UTFPR e de entidades religiosas, como a Pastoral do Migrante.

A própria Prefeitura de Curitiba tem um projeto. Agora, catorze colégios estaduais de nove cidades de diferentes regiões já estão com turmas em andamento. Segundo a coordenadora da educação de jovens e adultos da Seed, Márcia Dudeque, a idade mínima para ingressar é de 11 anos e não há limite máximo. A matrícula também pode ser feita a qualquer momento, com fotocópia de visto no passaporte ou do documento de identidade de estrangeiro.

São cinco turmas em Cascavel, duas em Londrina – e mais quatro próximas na região Norte (Cambé, Rolândia, Jaguapitã e Arapongas). Ainda há uma Nova Laranjeiras, no Centro-Sul e duas na RMC: em Pinhais, no Colégio Estadual Arnaldo Busato, e na capital, no Instituto de Educação do Paraná Erasmo Pilotto.

“O ensino de português como língua estrangeira tem abordagem pedagógica diferente, não é igual a Língua Portuguesa da grade curricular, uma alfabetização. E como não é uma escolarização formal facilita a entrada de novos alunos ao longo do ano”, explica Dudeque.

Com carga horária de 160 horas-aula e duração de um ano, sendo duas aulas de 50 minutos por semana, o curso ofertado através do Celem (Centro de Línguas Estrangeiras Modernas) vai emitir um certificado aos estudantes que apresentarem frequência mínima de 75% e média igual ou superior a 6,0.

Treinamento já a espera de venezuelanos

A estrutura para atender migrantes e refugiados será ampliada em breve. Um curso para capacitar mais professores em PFOL será ministrado em duas etapas: no mês que vem e em maio.

“De 60 a 70 participantes dos 32 núcleos de educação devem fazer a capacitação e multiplicar o conhecimento para os demais professores de Língua Portuguesa”, diz Dudeque. A intenção é ampliar as turmas do Celem pelo Estado e também ter profissionais preparados para dar aulas para crianças estrangeiras na grade curricular normal.

“Estamos antevendo isso, vamos receber bastante gente”, espera a coordenadora. Com a crise econômica e humanitária na Venezuela, mais de 40 mil pessoas já cruzaram a fronteira nos últimos meses, principalmente em Roraima.

No mês passado, o Governo Federal já adiantou que irá distribuí-los a pelo menos quatro estados: São Paulo, Amazonas, Mato Grosso do Sul e Paraná.