câmara federal
Compartilhar

Câmara posta imagem polêmica de apologia ao uso de armas

Uma imagem postada por servidores da Câmara Municipal de Água Doce (SC) na página oficial do órgão no Facebook gerou dis..

Narley Resende - 29 de agosto de 2017, 17:25

Uma imagem postada por servidores da Câmara Municipal de Água Doce (SC) na página oficial do órgão no Facebook gerou discussão nas redes sociais na última semana. Acompanhada de um texto, a postagem do dia 21 de agosto contém uma imagem de uma mulher armada, protegendo uma criança contra um bandido. O texto diz que "uma arma na mão vale mais que toda a força policial no telefone".

Uma moção de repúdio ao Estatuto do Desarmamento proposta pelo presidente da câmara da cidade, James Francisco Beal (PP), em conjunto com o vereador Onírio de Matos (PP) e aprovada por maioria dos nove vereadores da cidade no 31 de julho, motivou o posicionamento. Apenas um vereador, Antonio Barbosa (PT), se absteve do voto.

Imagem recebeu apoio

"A imagem, nós estudamos bastante antes de publicar, a Polícia Militar havia publicado e nós pedimos autorização", conta o servidor Odin Gustavo Mendes Corrêa Rocha.

Segundo o servidor, a atitude teve apoio quase absoluto da população na internet. "Outras câmaras estão ligando para nós pedindo cópia da moção (de repúdio ao estatuto do desarmamento) para nós", afirma.

Rocha afirma que a postura é apoiada pelo juiz de execuções penais Marcio Humberto Bragaglia, da Comarca de Joaçab. "Ele se manifesta a favor de que as pessoas 'de bem' tenham uma arma", garante o servidor. O magistrado não foi encontrado pela reportagem para comentar o caso.

A Câmara de Água Doce, que tinha 109 seguidores antes da postagem, passou a ter 1,9 mil curtidas até esta terça-feira (29). Entre 733 mil visualizações, 7 mil compartilhamentos, 599 pessoas comentaram o assunto. Apenas nove comentários foram considerados contrários ao assunto.

Desarmamento

O Estatuto do Desarmamento é uma lei federal sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 23 de dezembro de 2003.

O governo promoveu um referendo popular em 2005 para saber se a população concordaria com o artigo 35 do estatuto, que tratava sobre a proibição da venda de arma de fogo e munição em todo o território nacional.

O artigo foi rejeitado com resultado expressivo, com 63,94% dos votos "não" contra apenas 36,06% dos votos "SIM".

O desarmamento da sociedade ainda é alvo de diversas críticas. Uma delas diz que a lei não teria contribuído para redução da violência no Brasil.

Por outro lado, o Mapa da Violência 2015 aponta que houve redução de mortes com arma de fogo graças ao Estatuto. De acordo com o relatório, o Estatuto foi responsável por poupar 160.036 vidas desde sua sanção pelo presidente Lula, em 2003 - o equivalente à população de uma cidade de médio porte. Desde total de pessoas salvas, o estudo indica que 113.071 foram jovens na faixa etária entre 15 e 29 anos.