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De 49 flanelinhas, 32 têm ‘ficha’ na polícia

Repórter Eduardo Xavier, do Metro MaringáUm levantamento realizado pela PM (Polícia Militar) mostra que de 49 pessoas qu..

Andreza Rossini - 25 de agosto de 2017, 09:28

Repórter Eduardo Xavier, do Metro Maringá

Um levantamento realizado pela PM (Polícia Militar) mostra que de 49 pessoas que trabalham como flanelinha averiguados por policiais na ruas de Maringá, no noroeste do estado 32 têm antecedentes criminais.

Tentativas de regularizar a atividade desde 2008 não prosperaram. “Sabemos que há gente de bem trabalhando, a exemplo de idosos que tentam complementar a renda. Mas também existem pessoas que não deveriam exercer esse tipo de atividade porque ameaçam e exigem dinheiro dos motoristas”, disse o presidente do Conseg (Conselho de Segurança Comunitário de Maringá), Antonio Tadeu Rodrigues.

Para o presidente do Conseg, é preciso envolver a prefeitura, polícia, GM (Guarda Municipal), a Câmara, o Ministério Público e entidades para discutir a atividade. “Se não houver combate aos flanelinhas que não deveriam estar atuando por causa de problemas com a polícia, o problema vai só piorar. Tem que haver envolvimento de toda a cidade para encontrarmos uma solução”, afirmou.

Em um show na noite da última quarta-feira na Uningá (Centro Universitário Ingá), no Parque Industrial 200, flanelinhas estavam cobrando até R$ 25 para que motoristas estacionassem às margens da PR-317. “O que eles (flanelinhas) fazem é um absurdo. E tem que dar o dinheiro adiantado porque senão é perigoso acontecer algo com o carro”, afirmou uma motorista.

O vereador Jean Marques (PV) aguarda a revisão de uma recomendação do Ministério Público feita em junho deste ano, no sentido da prefeitura restringir a atuação da GM, para apresentar um projeto de lei que vai exigir dos flanelinhas o registro na Delegacia do Trabalho e definir pontos para o exercício a atividade.

O Ministério Público entendeu que as ações da GM configuravam em “batidas policiais” e que a competência da corporação é coibir a prática de infrações penais contra bens, serviços e instalações municipais. A profissão guardador de carro está prevista na lei federal 6.242.

Ela exige que para exercer o ofício é necessário ter registro na Delegacia do Trabalho e que o município deve fixar os parâmetros para a atividade. “Não é possível discutir um projeto sobre flanelinhas na atual situação da Guarda Municipal. Esperamos que a recomendação do Ministério Público possa ser revista para que a atividade passe a ser fiscalizada”, disse Marques.

De acordo com o vereador, a revisão da recomendação do MP só poderia ser efetivada com a conclusão do estatuto da GM. A corporação vai adotar o uso de arma de fogo. Hoje, os guardas utilizam armas não letais, de choque.

Para isto é preciso de autorização da Polícia Federal e que os guardas passem por treinamento com a PM. Em abril passado, Marques organizou uma audiência pública na Câmara sobre o exercício da atividade de flanelinhas. Em fevereiro deste ano, um projeto de lei para regulamentar a atividade de flanelinhas foi arquivado pela Câmara Municipal. Ele previa a formação de um cadastro de guardadores de veículos, com a exigência de uma série de documentos, a exemplo de certidão negativa de antecedentes criminais.