câmara federal
Compartilhar

Justiça começa nova fase de depoimentos na Quadro Negro

O principal delator da Operação Quadro Negro, Eduardo Lopes de Souza, dono da construtora Valor, foi ouvido na manhã des..

Andreza Rossini - 20 de fevereiro de 2018, 13:46

O principal delator da Operação Quadro Negro, Eduardo Lopes de Souza, dono da construtora Valor, foi ouvido na manhã desta terça-feira (20), pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, em Curitiba.

O depoimento é o pontapé inicial para uma nova série de oitivas relacionadas à Operação. Mais seis pessoas devem ser ouvidas pela Justiça, entre esta terça e a próxima quarta-feira (22).

Nas delações anteriores, Souza afirmou que os recursos desviados de obras em escolas estaduais foram repassados a lideranças do PSDB para que fossem utilizados na campanha de reeleição do governador Beto Richa (PSDB), em 2014. Richa nega as acusações.

De acordo com o Ministério Público, os nomes dos depoentes não serão divulgados, já que o processo corre em segredo de Justiça.

No início deste mês, a Polícia Federal ouviu 18 pessoas que prestaram esclarecimentos sobre as investigações, entre elas o secretário Especial de Cerimonial e Relações Internacionais, Ezequias Moreira e o atual chefe de gabinete do secretário estadual da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB), Gerson Nunes da Silva.

A força-tarefa apura um esquema de desvios de recursos da construção e reforma de escolas públicas do Paraná que teria provocado um rombo estimado em mais de R$ 20 milhões.

Quadro Negro

A operação foi deflagrada pelo Gaeco, em julho de 2015, e aponta que uma organização criminosa formada por servidores públicos, empresários e laranjas gerou um prejuízo aos cofres públicos de R$ 17 milhões entre 2013 e 2015. Também foi confirmado o envolvimento de políticos nas irregularidades.

Segundo o Gaeco, a quadrilha informava que as obras estavam adiantadas para receber os valores indevidos do Estado.

A empresa Valor Construtora, que venceu dez licitações da Secretaria Estadual de Educação, é acusada de receber indevidamente mais de R$ 18 milhões. Segundo o Ministério Público, o valor total pode chegar a R$ 54.573.716,19. Além da suspeita de irregularidades nas licitações, muitas das obras nem saíram do papel. Os réus respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e tráfico de influência.

Segundo o TCE (Tribunal de Contas), no total, R$ 29,7 milhões podem ter sido desviados em 14 projetos, sendo que a Construtora Valor participou de metade deles.