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Testemunha tentou evitar que Carli Filho dirigisse; estava trançando as pernas

Fernando Garcel e Jordana MartinezCinco mulheres e dois homens vão decidir se o ex-deputado Fernando Ribas Carli ..

Jordana Martinez - 27 de fevereiro de 2018, 16:20

Foto: Daniel Derevecki
Foto: Daniel Derevecki

Fernando Garcel e Jordana Martinez

Cinco mulheres e dois homens vão decidir se o ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho assumiu, ou não, o risco de matar ao conduzir um Passat blindado a mais 160 km/h, com a carteira cassada, depois de ingerir quatro garrafas de vinho junto com amigos.

Os jurados foram selecionados entre 45 cidadãos. A identidade é protegida pela Justiça.

A primeira testemunha a ser ouvida foi o médico e amigo de Carli Filho Eduardo Míssel, que bebeu com Carli Filho na noite do acidente. Segundo a testemunha, ele e a namorada tomaram quatro garrafas de vinho naquela noite e o réu se sentou juntou e acompanhou na bebida. Eduardo contou que chegou a oferecer carona para o ex-deputado.

“Ele aceitou a carona. Inicialmente o Fernando e Daniela entraram no meu carro, mas depois ele mudou de ideia. Perguntei se ele queria ir com a gente como tínhamos combinado e ele disse que não”, conta a testemunha.

Outra testemunha indicada pela defesa, o médico José Antônio Maingue, presidente da Associação Paranaense de Neurocirurgia,  foi o segundo a falar. Ele atendeu o ex-deputado e descreveu a gravidade das "múltiplas fraturas" e sequelas deixadas pelo acidente.

"Foi segurou e entrou”, declarou a testemunha ao ser questionado pelos advogados do ex-deputado.

Perito

O perito Ventura Raphael Martello Filho afirmou, em depoimento, que foi impossível precisar a velocidade do carro dirigido pelo réu.

“É muito difícil estimar a velocidade… a deformação dos veículos, tudo isso é levado em consideração... O Passat passou com sua parte mais resistente na parte mais frágil da Honda Fit. Nenhum dos métodos que a gente conhece teria condição de ser aplicado nesse caso. Tem método baseado na frenagem, no dano ao pedestre, na deformação… O método foi muito precário nesse caso. Eles evoluíram de uma forma indeterminada. A gente não tinha os elementos necessários para fazer um método preciso”, explicou.

Relembre o caso

Na madrugada do dia 7 de maio de 2009, Carli Filho dirigia a pelo menos 160 Km/h com a carteira de motorista cassada. O carro, um Passat blindado, decolou do asfalto e arrancou o teto do Honda Fit de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo, que morreram antes da chegada do socorro. O ex-deputado foi levado para o hospital com um quadro grave e instável, ficou na UTI, respirando por aparelhos. Ainda no hospital, um exame indicou que Carli Filho tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Por ter sido feito sem consentimento, a defesa conseguiu que o teste fosse desconsiderado como prova.  Uma perícia contratada pela família de uma das vítimas afirma que as câmeras de segurança do local do acidente foram adulteradas.

Carli Filho foi eleito deputado em 2006, com 46 mil votos, quando tinha 23 anos de idade. Recebeu mais de 46 mil votos, cerca de 37 mil deles na cidade onde o pai era prefeito. Se for condenado por duplo homicídio, a pena pode chegar a 30 anos de prisão.