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Parece que foi eu que matei o filho dela, diz Christiane Yared sobre discussão

Com Francielly AzevedoA deputada federal Christiane Yared, mãe de Gilmar Yared, uma das vítimas fatais da colisão..

Andreza Rossini - 28 de fevereiro de 2018, 11:01

Com Francielly Azevedo

A deputada federal Christiane Yared, mãe de Gilmar Yared, uma das vítimas fatais da colisão de trânsito envolvendo o ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho, chegou ao tribunal do Júri por volta das 09h40 desta quarta-feira (28), para o segundo dia de julgamento do ex-deputado.

Yared afirmou que espera que o dia de julgamento seja mais pesado se comparado a ontem, quando foram ouvidas as testemunhas e o réu. "Peço à Deus que nos dê forças para aguentar porque são dias horríveis, nós revivemos toda aquela dor e angústia. A todo momento que eu e meu esposo conseguíamos tentar descansar nós acordávamos naqueles solavancos. Eu com aquela imagem que eu vi do meu filho com a cabeça nos joelhos. Foi uma coisa desumana, mas necessária", afirmou.

Carli Filho responde por duplo homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. No momento do acidente que matou Gilmar Yared e Murilo Almeida, em maio de 2009, ele estava com a carteira de habilitação suspensa por multas e havia ingerido bebida alcoólica. O inquérito policial mostrou que ele dirigia entre 161 e 173 km/h no momento do acidente."Se ele pegar um ano, dois, seis meses ou uma semana de cadeia ... é a sentença dele", disse a deputada.

Sobre a discussão com a família de Carli no Tribunal, a deputada afirmou que o cenário foi torcido."A família tem que apoiá-lo, vai fazer o quê?", questionou. "A prima veio falar comigo e disse 'vá pedir perdão para a mãe dele'. Eu pensei: tem algo invertido nessa situação, parece que foi eu que matei o filho dela", ponderou.

O julgamento começou às 13 horas de terça-feira (27) e se estendeu até aproximadamente 22h30.

No primeiro dia, foram ouvidas seis testemunhas arroladas pela defesa e pela acusação, e o próprio réu. Nesta quarta-feira, o julgamento será retomado com o debate entre as partes: acusação e defesa, que pode levar até cinco horas. Por fim, os jurados se reúnem em uma sala secreta, votam por cédulas e o juiz anuncia a sentença.

O julgamento ocorre após nove anos do acidente. Nesse tempo, a defesa de Carli Filho apresentou mais de 30 recursos na Justiça. O julgamento foi marcado e adiado mais de uma vez enquanto os advogados buscavam que ele respondesse por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, nas instâncias superiores do Judiciário.

Pedido de perdão e revolta

Durante o intervalo da audiência, uma tia do ex-deputado Carli Filho, que não se identificou, pediu a Yared que perdoe o sobrinho.

“Perdoe, vai falar com a mãe dele e o pai… Você promete? Ele não teve intenção de causar o acidente… não saiu de casa para matar… Seu filho morreu, mas foi um acidente… e se fosse seu filho?”, questionou a tia.

O pedido causou revolta. Yared argumentou que nunca recebeu o pedido de perdão, apesar do vídeo que foi publicado pelo réu nas redes sociais.

“Carli Filho não me pediu perdão. Ele não pediu perdão a mim, ele pediu perdão a uma rede social. Ele pediu perdão para tentar melhorar a imagem dele perante a sociedade. Perdão se pede olhando nos olhos, chorando e abraçando”, afirmou.