camara municipal
Compartilhar

Pedido de perdão de Carli Filho foi tentativa de comoção, diz promotor

Com Francielly AzevedoO júri popular do ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho foi retomado nesta quarta-fei..

Andreza Rossini - 28 de fevereiro de 2018, 11:48

Foto: Reprodução/APMP
Foto: Reprodução/APMP

Com Francielly Azevedo

O júri popular do ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho foi retomado nesta quarta-feira (28), às 9h46 (de Brasília), no Tribunal do Júri, em Curitiba. O primeiro a fazer uso da palavra foi o promotor Marcelo Balzer, que faz a sustentação da acusação.

De acordo com Balzer, Carli Filho assumiu o risco de matar quando ingeriu bebida alcoólica e pegou a direção. “Muitos bebem e tem medo de cair na blitz, mas estão conscientes que fazem algo errado. O mesmo aconteceu com o réu, que causou a morte dos dois jovens”, argumentou.

O promotor sustenta sua fala baseado no depoimento de uma das seis testemunhas, o médico e amigo de Carli, Eduardo Missel, que teria oferecido carona ao ex-parlamentar e disse naquela noite “você não está em condições de dirigir”.

Balzer afirmou que o réu só renunciou ao cargo na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para não responder aos seus pares e perder os direitos eleitorais na época. Disse também que ontem, como não seria diferente, Carli Filho pediria perdão, tentando comover as pessoas e não assumir as consequências do que aconteceu. Disse que é apenas isso, "não é pedido de perdão".

"Quando ele diz que não saiu de casa com a intenção de matar, isso é dolo direto. A partir do momento que ele se mostra indiferente sobre todas as circunstâncias, ele assumiu o risco de matar. O crime doloso contra a vida, quem tem que dar a voz final é o povo. O mesmo povo que o elegeu deputado estadual na época", diz o promotor Marcelo Balzer.

O ex-deputado prestou depoimento por cerca de dez minutos na noite de terça-feira (27). Ele foi o último a falar e negou que estivesse participando de um racha e virando-se para a plateia, pediu desculpas para as mães das duas vítimas. “Eu nunca tive a oportunidade de pedir desculpa para a dona Christiane e para a dona Vera. Eu quero hoje, do fundo do meu coração pedir desculpas pelo que causei”.

O julgamento do ex-deputado ocorre após nove anos do acidente. Nesse tempo, a defesa de Carli Filho apresentou mais de 30 recursos na Justiça. O julgamento foi marcado e adiado mais de uma vez enquanto os advogados buscavam que ele respondesse por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, nas instâncias superiores do Judiciário.