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Tem sangue neste plenário, diz advogado da família Yared

Com Francielly AzevedoO advogado da família Yared e assistente de acusação contra o ex-deputado Luiz Fernando Rib..

Andreza Rossini - 28 de fevereiro de 2018, 12:34

Com Francielly Azevedo

O advogado da família Yared e assistente de acusação contra o ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho, Elias Mattar Assad, iniciou a sua fala por volta das 10h55 desta quarta-feira (28), no Tribunal do Júri.

Mattar Assad afirmou que o sangue não esteve presente apenas naquela noite e que os jurados terão a responsabilidade de amenizar o "sofrimento dos paranaenses". "Tem sangue neste plenário", falou em tom mais alto que o usual.

Carli filho responde por duplo homicídio com dolo eventual pela morte de Gilmar Yared e Murilo Almeida, em maio de 2009, em uma colisão de trânsito. Na ocasião, o ex-deputado dirigia em alta velocidade, estava embriagado e com a habilitação suspensa.

Sustentando o fato de que Carli Filho tinha a rotina de abusar da velocidade, o advogado disse aos jurados que o ex-parlamentar acreditava que "a rua era dele, assim como ele acha que o júri é dele também", destacou.

Os advogados do deputado defendem que ele responda por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. "A tese de mero acidente é proposta indecente", diz Mattar Assad. Segundo ele, o ex-deputado deveria abusar da velocidade costumeiramente, mas naquela noite acabou acertando os jovens. "O carro dele decolou como um avião", ressaltou.

Mattar Assad diz que a decisão dos jurados será fundamental para definir as ações de motoristas daqui para a frente. De acordo com ele, se o júri absolver Carli Filho estará "liberando geral" as situações de perigo no trânsito. No entanto, se condenar, estará "salvando vidas".

Após o tempo de 1h30 reservado a acusação, o juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Daniel Surdi de Avelar, anunciou um intervalo de aproximadamente 10 minutos. Após isso, é a vez da defesa fazer a sustentação oral por 1h30.

O júri

O julgamento começou às 13 horas de terça-feira (27) e se estendeu até aproximadamente 22h30.

No primeiro dia, foram ouvidas seis testemunhas arroladas pela defesa e pela acusação, e o próprio réu. Nesta quarta-feira, o julgamento foi retomado com o debate entre as partes: acusação e defesa, que pode levar até cinco horas. Por fim, os jurados se reúnem em uma sala secreta, votam por cédulas e o juiz anuncia a sentença.

Relembre

O julgamento do ex-deputado ocorre após nove anos do acidente. Nesse tempo, a defesa de Carli Filho apresentou mais de 30 recursos na Justiça. O julgamento foi marcado e adiado mais de uma vez enquanto os advogados buscavam que ele respondesse por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, nas instâncias superiores do Judiciário.