exportação arábia saldita

Brasil exportará frutas, castanhas e derivados de ovos para Arábia Saudita

O Brasil fechou um acordo com a Arábia Saudita, nesta segunda-feira (16), e vai ampliar os itens exportados do agronegócio brasileiro ao Reino. Conforme o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), foram autorizadas pela SFDA (Saudi Food and Drug Authority), autoridade sanitária saudita, as exportações de castanhas, derivados de ovos e a ampliação do acesso a frutas brasileiras.

Segundo o Mapa, somados, os produtos representam um mercado potencial superior a US$ 2 bilhões.

Entre os produtos mais vendidos para os sauditas estão carne de frango (in natura), açúcar de cana (bruto), carne bovina (in natura), soja (grão e farelo), milho, açúcar refinado e café (solúvel e verde). Em 2018, as exportações de produtos agropecuários ao país renderam US$ 1,696 bilhão. Foram mais de 2,959 milhões de toneladas. A carne de frango representou 47,4% do valor vendido em 2018 para a Arábia Saudita (US$ 804 milhões e 486 mil toneladas).

bovinos

Equador abre mercado para importação de bovinos vivos do Brasil

O Equador autorizou, na última quarta-feira (11), a importação de bovinos vivos do Brasil. De acordo com o Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), as autoridades equatorianas aceitaram o Certificado Zoosanitário Internacional proposto pelos brasileiros. A negociação começou em 2014, segundo a pasta.

Em 2018, o Brasil exportou US$ 535 milhões em bovinos vivos, para todos os continentes, além de US$ 6,5 bilhões em carne bovina.

Conforme o Mapa, a exportação de animais vivos diversifica a pauta exportadora brasileira e oferece uma alternativa para os produtores rurais de todo o país.

“O avanço do Brasil no mercado de bovinos vivos é um testemunho do alto padrão genético e da qualidade dos animais brasileiros e um reconhecimento da confiança internacional na defesa agropecuária brasileira”, afirmou o Ministério em nota.

Deral - Grãos - Safra - Paraná

Deral estima crescimento de 18% na primeira safra de grãos no ciclo 19/20

O segundo maior produtor de grãos do país projeta com otimismo o ciclo 2019/2020 em suas lavouras. Segundo o Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria da Agricultura do Estado do Paraná), o estado deve colher 23,3 milhões de toneladas dessas culturas em sua primeira safra, número 18% superior ao ano passado.

Esse índice coloca o Paraná com chances de superar sua safra histórica de 2014/2015, quando os produtores estaduais colheram 38 milhões de toneladas de grãos nas duas etapas do plantio. Como comparação, o ciclo 2018/2019 tem a expectativa de ser encerrado com 36,8 milhões.

Na visão do diretor do Deral, Salatiel Turra, os preços de algumas culturas têm motivado os produtores do estado. “As cotações para soja e milho estão interessantes. O produtor utiliza muito esses valores para a tomada de suas decisões. Isso porque os preços precisam cobrir os custos de produção para gerir lucro para as propriedades”, explica.

A soja deve puxar o bom rendimento do setor. O Deral estima que a área de plantio seja de 2,4 milhões de hectares, com aumento de 1% em comparação ao ciclo anterior. Mas a projeção de colheita é de 19,7 milhões de toneladas, número 22% maior que a safra 2018/2019.

Atenção ao clima

Um dos fatores que mais impactam na produção é o clima. O ciclo 2018/2019 sofreu com secas durante os meses de novembro e dezembro do ano passado e teve sua produtividade puxada para baixo. As projeções da próxima safra não conseguem calcular essas variáveis, que novamente podem prejudicar a produtividade no Paraná.

“No ano passado a estimativa era semelhante com a desse ano, entretanto problemas climáticos na fase de formação dos grãos, principalmente com falta de chuva no oeste do Paraná, que é o principal polo produtor da cultura no estado, puxaram os números para baixo”, analisou o diretor do Deral.

O plantio da primeira safra começou nessa quarta-feira (11), tendo duração até o dia 31 de dezembro. Mas o início dessa etapa já tem verificado perspectiva de atraso, justamente por problemas climáticos nas regiões Oeste e Norte do Paraná.

“As chuvas não foram uniformes e com isso os produtores não se sentiram seguros para a fase de germinação dos grãos plantados. Esse atraso acaba apertando e pressionando os produtores para que eles consigam colher dentro do período”, finalizou Turra.

produção agrícola no campo

Novas tecnologias digitais auxiliam produção no campo

Usar um sensor para prever se vai chover em uma propriedade e, assim, identificar o melhor momento de aplicar um defensivo agrícola. Ter um equipamento em um trator que monitora se ele para ou quebra de modo a permitir uma manutenção rápida. Inserir pequenos aparelhos no solo para ter indicadores para o plantio, como por exemplo, o nível de umidade. Essas são algumas das aplicações da chamada Internet das Coisas (IdC) que começam a ser implantadas em projetos no campo.

A IdC (ou IoT, sigla em inglês para “Internet of Things) é um nome dado a um conjunto de tecnologias que permite um monitoramento mais eficiente, em diversas áreas e em tempo real por meio de dinâmicas de comunicação máquina a máquina com diversas finalidades, como elevar a capacidade de monitoramento e controle sobre uma determinada atividade, como nos exemplos citados acima.

Essas tecnologias trazem novas possibilidades na gestão da produção rural. Satélites com serviços mais acessíveis viabilizam o monitoramento de lavouras. Colheitadeiras modernas permitem saber a produtividade por talhão (unidade por área). Soluções de irrigação inteligente avaliam o nível de água no solo para evitar desperdício e diminuir gastos.

Segundo a chefe-geral da unidade de informática agropecuária da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá, embora várias dessas tecnologias estejam começando a ser adotadas no Brasil, o país ainda está em um estágio inicial no emprego de IdC no campo e tem como desafio integrar os projetos e soluções sendo utilizadas.

“O desafio nosso é o fato de que você já tem vários tipos de dispositivos. Mas não tem ainda estes conectados ou porque não tem conectividade no campo ou porque os dados são heterogêneos ou porque não tem forma de integrar em aplicação”, explica a chefe da Embrapa. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2018, do Comitê Gestor da Internet, enquanto o percentual de brasileiros conectados nos centros urbanos chega a 80%, nas áreas rurais ele fica em 59%.

PROJETO-PILOTO

Um dos projetos-piloto em desenvolvimento pela Embrapa tem como foco o monitoramento de pragas e doenças. Por meio do monitoramento e previsão do clima com o uso de estações meteorológicas o objetivo é evitar a incidência de ferrugem asiática na soja. “O sistema vai receber a data mais certa para aplicar o defensivo dependendo do clima, cruzando com dados da doença. Vamos medir se isso realmente ajudou a reduzir custo e aumentou produtividade”, explica Silvia Massruhá.

Outro projeto, também coordenado pela empresa pública, envolve a otimização de formas denominadas no setor de “integração lavoura, pecuária e floresta”. Um produtor de soja, por exemplo, que planta durante três meses fica com a área ociosa no restante do ano. Ele poderia, com auxílio das tecnologias, encontrar outros usos para o solo, como o plantio de pastagem para a criação de gado. Ao lado do pasto poderia ser plantado eucalipto, o que possibilita sombra para os animais.

Os sistemas de Internet das Coisas no projeto-piloto vão medir diversos aspectos dessa integração. É o caso dos níveis de adubação do solo. Os bois terão chips implantados e por meio desse equipamento e outros (como balanças) será realizado um cruzamento de dados com outros aspectos, como alimentação, para identificar o seu desenvolvimento e a melhor hora do abate. O teste será realizado com produtores em cinco estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Piauí.

No Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, um terceiro projeto-piloto busca otimizar a produção de leite, com procedimentos como o monitoramento da alimentação dos bois e a automatizando da ordenha. Ao fim, o leite será comparado com outros sem a adoção dessas tecnologias para avaliar se essas soluções geraram melhoria da quantidade e da qualidade do produto.

O centro de desenvolvimento de tecnologia CPQD conduz um projeto com uma empresa agropecuária instalando sensores em tratores e outros equipamentos com o propósito de monitorar o desempenho das máquinas. O sistema vai acompanhar a distância rodada, o consumo de combustível e eventuais problemas de modo a identificar demandas de manutenção.

“Imagina se você está no meio do campo e a máquina quebra. O produtor tem que parar a colheita, remover a máquina e mandar outra. Se for possível pegar todos os dados dela e prever que ela tem possibilidade muito grande de quebrar, a pessoa poderá encaminhar pra manutenção antes que ocorra alguma coisa”, explica o diretor de inovação do CPQD, Paulo Curado.

POLÍTICAS PÚBLICAS

A agropecuária é apontada por pesquisadores, empresários e autoridades como um dos setores onde as tecnologias de Internet das Coisas vêm obtendo evolução mais rápida. “Tem muito potencial no Brasil na parte de agricultura. É uma das áreas prioritárias e que vem forte nos próximos anos”, destaca o presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc), Flávio Maeda.

A área foi escolhida como uma das prioritárias no Plano Nacional de Internet das Coisas, lançado em junho. O documento aponta diretrizes genéricas, sem entrar nos detalhes de que medidas serão adotadas por órgãos estatais para estimular essas tecnologias no campo.

A elaboração de propostas e projetos ficará a cargo de um grupo criado para esta finalidade, denominado Câmara Agro 4.0. Encabeçado pelos ministérios da Agricultura (MAPA) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), contará também com a participação de outros órgãos, de pesquisadores e de associações e empresas do setor no país.

Segundo o secretário de inovação, desenvolvimento rural e irrigação do MAPA, Fernando Camargo, os integrantes vão avaliar ações em diversas frentes. A mais importante será a ampliação da conectividade nas áreas rurais, dada a extensão territorial e o contingente de pessoas ainda fora da Internet nesses locais. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2017, do Comitê Gestor da Internet, enquanto o índice de lares com acesso à web é de 65% nas regiões urbanas, nas rurais ele cai para 34%.

A Câmara também deverá se debruçar sobre programas para fomento à aquisição e difusão de tecnologias inovadoras. Dentre essas, um dos intuitos é estimular a criação e o crescimento das empresas de base tecnológica, também conhecidas como startups. O objetivo com a disseminação dessas soluções técnicas é ampliar a produtividade no campo. “Precisamos incentivar novas empresas, startups, para aumentar cadeia produtiva dentro da área do agronegócio”, defendeu o titular do MCTIC, Marcos Pontes, no evento de lançamento da Câmara.

safra grãos

Safra de grãos deve fechar 2019 com crescimento de 5,9%, diz IBGE

A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve fechar 2019 com um crescimento de 5,9% em relação ao ano anterior. De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado em agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país deve ter uma safra recorde de 239,8 milhões de toneladas neste ano, ou seja, 13,3 milhões a mais do que em 2018.

No levantamento anterior, realizado em julho, a estimativa era um pouco menor, de 239,7 milhões de toneladas, ou 5,8% a mais do que no ano anterior.

De acordo com o IBGE, a alta de 5,9% deve ser puxada pela produção de milho, que deve crescer 21,5% em relação ao ano anterior. As outras duas grandes lavouras de grãos devem ter queda: soja (-3,9%) e arroz (-12,7%).

Entre as outras lavouras de grãos em que se estima produção acima de 1 milhão de toneladas, deverão fechar o ano com alta o algodão (32,4%), o sorgo (13,9%) e o trigo (9,5%). O feijão, por outro lado, deve ter queda de 1,1% no ano.

Outros produtos

O LSPA também estima a produção de outros produtos agrícolas importantes. A maior lavoura do país, a de cana-de-açúcar, deve ter queda de 1,4%. Também são esperados recuos nas produções de café (-13%), laranja (-1%), tomate (-4,3%) e uva (-10,5%). Por outro lado, são esperados avanços nas produções de banana (3,8%), batata-inglesa (0,8%) e mandioca (4,1%).

carne de frango

China habilita três frigoríficos paranaenses para exportação

Mais três frigoríficos paranaenses estão habilitadores a vender carne de frango para China, de acordo com o comunicado da GACC (órgão de sanidade chinês) enviado nesta segunda-feira (9) ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em todo o país, foram mais 25 empresas habilitadas entre carne bovina, de frango, suína e asinino. Com isso, o número de plantas habilitadas no Brasil passa de 64 para 89.

Os frigoríficos paranaenses são: Coasul Cooperativa agroindustrial, em São João, na região sudoeste; Gonçalves e Tortola S.A, Paraíso do Norte, no noroeste; e Granjeiro Alimentos Ltda, em Rolândia, no norte central. As empresas já podem exportar imediatamente.

Segundo o Mapa, as negociações foram conduzidas pela pasta e pela Embaixada do Brasil na China. O país asiático já é o principal destino dos embarques brasileiros de carnes.

Dos novos estabelecimentos brasileiros habilitados, 17 são produtores de carne bovina, seis de frango, um de suíno e um de asinino.

NEGOCIAÇÕES

No ano passado, o Mapa pediu à China a habilitação de 78 novos frigoríficos. As negociações foram conduzidas pelo Mapa, pelo Ministério das Relações Exteriores e pela Embaixada do Brasil na China.

Os chineses estão enviaram ao Brasil uma missão sanitária que auditou 11 plantas, com resultados negativos. Com isso, a demanda brasileira caiu para 34 unidades, consideradas as que têm mais chances de serem habilitadas por Pequim.

 

 

Rafael Greca - Mercosul - União Europeia - Fórum de Agricultura da América do Sul

Acordo Mercosul e UE gera potencial de US$ 133 bilhões ao Brasil

Assinado em julho deste ano, o acordo entre Mercosul (Mercado Comum do Sul) e União Europeia (UE) gera expectativa ao agronegócio brasileiro.

Com estimativa de gerar US$ 133 bilhões em receitas ao Brasil nos próximos dez anos, de acordo com dados do MDIC (Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços), as negociações ainda precisam ser aprovadas pelos 28 países do bloco europeu e os quatro do grupo sul-americano antes de serem ratificadas.

A consultora Emily Rees tem participado das negociações entre os grupos econômicos e avalia que o agronegócio brasileiro não é visto como sustentável pelo consumidor europeu.

“O Brasil é uma potência agrícola sustentável e isso precisa ser levado para essas gerações mais jovens. É preciso criar mecanismos para divulgar essas práticas e mudar essa visão da produção brasileira”, avaliou Rees.

Essa classe de 18 a 24 anos tem participado diretamente na renovação política no continente. Conhecida como “onda verde”, o movimento em prol das causas ambientais deve eleger 71 representantes para o Parlamento Europeu, número recorde para essas legendas e ocupar 9,45% das 751 cadeiras totais.

Por isso, o trabalho de relacionamento do Brasil com esse público que procura e está disposto a pagar mais por produtos que respeitem o bem-estar animal e o meio ambiente é importante para a melhora da imagem do setor no mercado europeu.

Paraná como referência

O agronegócio é parte importante da economia paranaense. Somente em 2018, US$ 14 bilhões de receitas foram geradas pelo setor, 70% do total do valor das exportações do estado no período.

Na visão do superintendente da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), Robson Maffioleti, o estado já possui uma boa base para atender a demanda europeia.

“A principal questão para esse mercado é a sanidade dentro dos rebanhos e lavouras. Algo que já recebe nosso constante investimento e procura por novas certificações para nossos produtos”, explica Maffioleti.

Recentemente o Paraná se aproximou de conseguir o status de zona livre de febre aftosa. O estado irá investir na construção de um Posto de Fiscalização de Transporte Agropecuário (PFTA) e na contratação de médicos veterinários e técnicos agrícolas. Com isso, a previsão da conquista dessa certificação é para 2021.

Maffioleti destaca que os setores de carnes, soja, milho e açúcar devem ser os mais beneficiados no agronegócio paranaense. Já o setor de lácteos deve ter que se adequar em algumas questões, principalmente com a redução das alíquotas para a importação de queijos europeus.

“O Mercosul nunca fez um acordo desse nível e por isso temos que continuar avançando em sanidade para manter essas parcerias. A União Europeia representa um mercado de 780 milhões de pessoas e 25% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial”, finaliza o superintendente.

Giovani Ferreira - Mercosul - União Europeia - Fórum de Agricultura da América do Sul
Coordenador do Fórum, Giovani Ferreira em discurso na abertura do evento. Foto: Lucilia Guimarães/SMCS

Protecionismo pode ser obstáculo

Além da necessidade de aprovação pelos parlamentos europeu e sul-americano, outras variáveis devem ter participação na ratificação desse acordo. Uma delas é o desdobramento comercial entre China e Estados Unidos.

As potências mundiais têm aumentado as alíquotas de diversos produtos negociados entre os países, o que tem impactado no agronegócio de todo o mundo.

O Brasil, por exemplo, tem sido beneficiado no curto prazo. Na avaliação do especialista em comércio exterior da Legex Consultoria, Fabio Carneiro Cunha, os chineses buscaram suprir sua demanda com a produção brasileira.

“Quando a China deixa de comprar dos EUA surge um espaço para o Brasil, para as cooperativas paranaenses e para o estado do Paraná que tem, majoritariamente, na sua balança, um percentual significativo de exportações”, pontua Carneiro Cunha.

Mas o especialista alerta que a médio e longo prazo o Brasil precisa de parcerias mais consolidadas, principalmente pelo fortalecimento de instituições que regulamentem o mercado como a OMC (Organização Mundial do Comércio).

Atualmente China e EUA estão criando dificuldades para a OMC realizar esse controle, o que pode prejudicar o futuro de acordos bilaterais, como o do Mercosul e a União Europeia, por exemplo.

Para o diretor da Divisão de Agricultura e Commodities da OMC, Edwini Kessie, os outros países devem trabalhar para buscar defender os interesses multilaterais e combater qualquer tentativa de protecionismo dentro do mercado e destaca o trabalho do Brasil dentro dessa questão.

“O Brasil, mais uma vez, é um ator de peso, que trabalha sem descanso para o fortalecimento multilateral. Além disso, os padrões de sustentabilidade do agronegócio brasileiro são vistos de forma positiva por consumidores de outros países”, discorre Kessie.

Curitiba como palco de discussões

Rees, Kessie e Carneiro Cunha foram alguns dos nomes que participaram do 7º Fórum de Agricultura da América do Sul. O evento foi realizado entre os dias 5 e 6 de setembro em Curitiba, no Museu Oscar Niemeyer, e recebeu especialistas de diversos países, além do Prefeito de Curitiba, Rafael Greca, e do vice-governador do Paraná, Darci Piana.

O objetivo do encontro foi discutir as políticas internacionais dentro do agronegócio com foco no continente sul-americano, principal celeiro agropecuário do mundo.

crédito rural dois primeiros meses safra Antônio AraújoMapa

Crédito rural nos dois primeiros meses da safra totaliza R$ 39 bilhões

O valor das contratações das operações de crédito rural nos dois primeiros meses da safra 2019/2020 (julho e agosto) foi de R$ 38,9 bilhões. As operações de custeio somaram R$ 24,8 bilhões (+ 2%), investimento, R$ 7,2 bilhões (+14%), comercialização, R$ 4 bilhões (-41%) e as de industrialização somaram R$ 2,9 bilhões (+40%).

Os números fazem parte do Balanço de Financiamento Agropecuário Safra 2019/2020, divulgado nesta sexta-feira (6) pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com base nos dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), do Banco Central.

O custeio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) alocou R$ 5,9 bilhões (+28%). Esse montante de recursos corresponde a 37.356 contratos (+15%).

Para o custeio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), foram financiados 148.367 contratos (-2%) equivalendo a R$ 4,4 bilhões (+16%).

As linhas de investimento tiveram performance bastante positiva, com o Pronamp alocando R$ 413 milhões (+71%), com 3.268 contratos (+38%) e o Pronaf com R$ 2,1 bilhões (+15%) e 160.083 contratos (-4%).

Dentre os programas de investimento, destaque para o Inovagro (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária), Programa ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) e Moderinfra (financiamento para o desenvolvimento da agropecuária irrigada sustentável), respectivamente com variação de +109%, +55% e +45% superior à safra passada.

Apesar de o crédito para a comercialização ter valor aplicado, nesta safra, inferior ao da safra passada, foram R$ 4 bilhões contra R$ 6,8 bilhões no período anterior, o número de contratos aumentou em 19%, somando 5.320 contratos, o que representa atendimento a um maior número de produtores rurais com valores de contrato mais baixos.

Em relação às fontes de recursos do crédito rural destacam-se a poupança rural controlada (R$ 14,7 bilhões; +38%), os programas de investimento com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social/BNDES (R$ 2,9 bilhões; +16%), as Letras de Crédito do Agronegócio/LCAs (R$ 4,5 bilhões; +31%) e a poupança rural livre (R$ 1,2 bilhão; +143%).

Bolsonaro - ministra - Mapa - dados - observatório

Bolsonaro e Tereza Cristina inauguram banco de dados do agronegócio

O presidente Jair Bolsonaro e a ministra Tereza Cristina (Mapa) inauguraram nesta quinta-feira (5), em Brasília, o Observatório da Agropecuária Brasileira.

O serviço irá servir como um banco nacional de dados para os produtores, com a disponibilização de informações para auxiliar a tomada de decisões nas propriedades e na elaboração de políticas públicas para o setor.

O projeto foi realizado em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A expectativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento é que essas informações possam ajudar principalmente o pequeno produtor.

“A integração de todos esses cadastros nos ajuda a fazer políticas públicas sendo mais cirúrgicos. Hoje não temos mais recursos e esses recursos devem ser encaminhados e colocados para serem melhor aproveitados pelos agricultores Brasil afora”, disse a ministra.

Dados referentes a mercado, custos de produção, exportações e meio ambiente serão disponibilizados para acompanhamento e gestão integrada dos dados.

Bolsonaro elogiou a iniciativa e destacou a viabilidade do “casamento entre o desenvolvimento e a preservação ambiental”.

Sala de controle

O Observatório irá funcionar em uma sala na sede do Mapa. O espaço conta com 12 telas de vídeo interligadas e com conexão a dispositivos móveis e computadores.

As informações como imagens de satélites, gráficos econômicos e de produção agropecuária devem facilitar o cruzamento de dados de diversos setores.

A organização dessas informações irá ficar a cargo de uma equipe formada por agrônomos, analistas ambientais, entre outros especialistas.

O Mapa tem a expectativa de no futuro disponibilizar informações de outras instituições, como a Agência Nacional de Águas (ANA) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de possibilitar o acesso ao serviço de forma online por uma plataforma na internet.

Valor da produção agrícola tem alta de 8,3% e bate recorde

A agricultura brasileira bateu recordes em várias culturas importantes no ano passado, que fizeram com que o valor de produção atingisse o recorde de R$ 343,5 bilhões, alta de 8,3% em relação ao ano anterior. A informação foi divulgada hoje (5), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na publicação Produção Agrícola Municipal (PAM 2018).

Segundo o IBGE, o valor de produção é o mesmo que valor bruto de produção. Eles pegam o chamado “preço de porteira”, que é o preço livre de fretes e impostos, e multiplicam pelo total produzido. O resultado é o valor de produção.

De acordo com o gerente de Agricultura do IBGE, o engenheiro agrônomo Carlos Alfredo, as principais explicações para o recorde no valor de produção foram as condições climáticas, boas no início do ano para algumas culturas. O clima foi ruim para a segunda safra do milho mas, em termos de valor, a falta do milho fez com que o preço do produto subisse, explicou à Agência Brasil. “Então, impactou também nesse valor da produção”, disse Alfredo. Foram plantados ao todo 78,5 milhões de hectares, redução de 0,6% na comparação com 2017.

O gerente de Agricultura observou que quando se olha o grupo dos grãos, principais produtos na categoria de cereais, leguminosas e oleaginosas, percebe-se que não conseguiu ser batido em 2018 o recorde de 2017, quando o clima foi excelente para as culturas. “Mesmo assim, a gente teve uma produção de 227,5 milhões de toneladas. É uma queda de 4,7% em relação ao ano anterior, mas, mesmo assim, foi uma produção boa”. Em termos de valor da produção, que atingiu para essa categoria de produtos R$ 198,5 bilhões, foi apurada expansão de 13,6%. “É a questão dos preços, que aumentaram bastante em 2018”. Carlos Alfredo disse que apesar da queda de 16% na produção de milho, ocorreu aumento de 14,1% no valor.

As dez principais culturas (soja, cana-de-açúcar, milho, café, algodão herbáceo, mandioca, laranja, arroz, banana e fumo) representaram quase 85,6% de todo o valor gerado no ano passado. A soja liderou, com participação de 37% no valor da produção, seguida pela cana-de-açúcar (15%) e milho (11%). A soja teve R$ 127,5 bilhões arrecadados, expansão de 13,6%; cana-de-açúcar, R$ 52,2 bilhões (-3%); e milho, R$ 37,6 bilhões (+14,1%).

Alta em 25 anos

A PAM 2018 revela que desde o Plano Real, em 1994, a soja liderou o ‘ranking’ de culturas nacionais em termos de valor da produção, à exceção de 1996, quando foi substituída pela cana-de-açúcar. Em 25 anos, a soja subiu de um patamar anual de R$ 3,8 bilhões para R$ 127,5 bilhões, em 2018, incremento de 3.222,1%, com a área colhida evoluindo 201,6% (de 11,5 milhões de hectares para 34,8 milhões de hectares. A produção de soja cresceu 372,8% no período (de 24,9 milhões de toneladas para 117,9 milhões de toneladas). A cana-de-açúcar também ampliou o valor da produção em 25 anos em 1.539,6% (de R$ 3 bilhões para R$ 52,2 bilhões), enquanto o milho aumentou o valor arrecadado em 1.111,7% (de R$ 3,1 bilhões para R$ 37,6 bilhões). Houve crescimento também da área plantada de cana-de-açúcar, de 4,4 milhões de hectares para 10 milhões de hectares; e de milho, de 14,5 milhões de hectares para 16,5 milhões de hectares.

Também no café foi registrada safra boa, com recordes na produção (3,6 milhões de toneladas produzidas, alta de 32,5% ante o ano anterior) e no valor de produção (R$ 22,6 bilhões, expansão de 22%). Carlos Alfredo salientou que “a questão climática ajudou bastante” nos resultados apresentados por essa cultura. A espécie café arábica teve um ano de bienalidade positiva em 2018, de alta produção. “A gente teve um recorde na produção de café no ano passado”. Ele explicou que no caso do café, houve queda no preço, que vem caindo nos últimos anos, provocando reclamações dos produtores, que se ressentem do aumento do custo de produção, enquanto os preços não acompanham esse aumento.

O gerente de Agricultura do IBGE afirmou que o mercado internacional está cheio de café, o que fez com que o preço dessa ‘commoditie’ (produtos agrícolas e minerais comercializados no exterior) fosse reduzido. Além disso, o Brasil enfrenta a concorrência da Colômbia e da Indonésia, que têm produzido bastante. “Isso tem aumentado muito a quantidade de café no mercado”.

Também o algodão herbáceo (em caroço) elevou muito a produção no ano passado, alcançando o recorde de 3 milhões de toneladas (aumento de 29%), considerado o maior da série histórica iniciada em 1974. Também o valor da produção subiu 52,3% (R$ 12,8 bilhões). “A demanda por algodão tem sido muito grande, principalmente por causa da China, cujos estoques caíram bastante. Eles estão recompondo os estoques e aí aumentaram bastante a demanda. E mesmo tendo muito algodão, o preço continua alto, diferente do café”, disse o gerente do IBGE.