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Bolsonaro e Tereza Cristina inauguram banco de dados do agronegócio

O presidente Jair Bolsonaro e a ministra Tereza Cristina (Mapa) inauguraram nesta quinta-feira (5), em Brasília, o Observatório da Agropecuária Brasileira.

O serviço irá servir como um banco nacional de dados para os produtores, com a disponibilização de informações para auxiliar a tomada de decisões nas propriedades e na elaboração de políticas públicas para o setor.

O projeto foi realizado em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A expectativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento é que essas informações possam ajudar principalmente o pequeno produtor.

“A integração de todos esses cadastros nos ajuda a fazer políticas públicas sendo mais cirúrgicos. Hoje não temos mais recursos e esses recursos devem ser encaminhados e colocados para serem melhor aproveitados pelos agricultores Brasil afora”, disse a ministra.

Dados referentes a mercado, custos de produção, exportações e meio ambiente serão disponibilizados para acompanhamento e gestão integrada dos dados.

Bolsonaro elogiou a iniciativa e destacou a viabilidade do “casamento entre o desenvolvimento e a preservação ambiental”.

Sala de controle

O Observatório irá funcionar em uma sala na sede do Mapa. O espaço conta com 12 telas de vídeo interligadas e com conexão a dispositivos móveis e computadores.

As informações como imagens de satélites, gráficos econômicos e de produção agropecuária devem facilitar o cruzamento de dados de diversos setores.

A organização dessas informações irá ficar a cargo de uma equipe formada por agrônomos, analistas ambientais, entre outros especialistas.

O Mapa tem a expectativa de no futuro disponibilizar informações de outras instituições, como a Agência Nacional de Águas (ANA) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de possibilitar o acesso ao serviço de forma online por uma plataforma na internet.

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Universidade cria técnica que identifica uso de agrotóxicos em frutas

Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal de Goiás (UFG) possibilitará, a produtores e autoridades sanitárias, identificar e mensurar o uso de agroquímicos – em especial pesticidas e fungicidas – nas frutas e legumes consumidos no país.

Segundo pesquisadores, a técnica poderá ser usada também para checar se os produtos enviados ao exterior estão em conformidade com a legislação estrangeira no que se refere a agrotóxicos.

O orientador da tese, professor do Instituto de Química da UFG, Boniek Gontijo, explica que a técnica permite, também, evitar “as discrepâncias entre a quantidade sugerida nos rótulos de agrotóxicos e a quantidade suficiente para que o agroquímico exerça sua função. Em geral, eles sugerem uma quantidade maior do que a necessária, com o objetivo de aumentar seus lucros”, justificou o professor.

Desenvolvida em parceria com a Louisiana State University (EUA), a técnica foi usada, inicialmente, para identificar o nível de penetração do fungicida imazalil em maçãs.

“Constatamos que a substância penetra além da casca da fruta, atingindo em pouco tempo suas estruturas internas, o que pode prejudicar a saúde do consumidor, mesmo que a casca seja lavada”, disse à Agência Brasil o orientador do estudo.

Molécula não é degradada pela luz

“Ao contrário do que é dito nas especificações do fungicida, sua molécula não é degradada pela luz e, com isso, acaba penetrando na fruta”, acrescentou, referindo-se especificamente ao imazalil, utilizado para inibir o desenvolvimento de fungos, postergando o apodrecimento do produto.

Contatada pela Agência Brasil, a Associação Brasileira dos Produtores de Maça (ABPM) informou que este fungicida não é usado nos produtos nacionais.

“O ingrediente ativo Imazalil, apesar de estar registrado para uso em pós-colheita, não é utilizado na cultura da maçã no Brasil. Ademais, segundo relatório da Anvisa, publicado em 2016, de 764 amostras enviadas para análise de resíduos, apenas 0,65% ou 5 amostras detectaram a presença de resíduos de Imazali”, explica o diretor executivo da ABPM, Moisés Lopes de Albuquerque.

Ele acrescenta que, para fazer o levantamento, a Anvisa coleta amostras na gôndolas de supermercados, o que inclui maçãs nacionais e importadas. “Portanto, relacionamos a detecção da substância em 5 amostras à fruta importada”, afirmou. Segundo Moisés Albuquerque, de cada 10 maçãs consumidas no Brasil, 9 foram produzidas em solo brasileiro.

A Agência Brasil confirmou que as maçãs usadas no estudo da UFG não foram produzidas no Brasil. “Usamos, no estudo em parceria com a universidade norte-americana, maças comercializadas naquele país para avaliar como se dá a penetração de pesticidas em frutas. Trata-se de um estudo piloto no sentido de identificarmos maneiras mais fáceis de avaliar a penetração de fungicidas em frutas e legumes”, disse Boniek Gontijo.

“Apesar de o Brasil não fazer uso deste fungicida, a técnica desenvolvida permite desenvolvermos métodos sobre a aplicação de outros pesticidas, fungicidas ou agroquímicos em outros hortifrutis. Inclusive, já estamos trabalhando com tomate em uma abordagem similar”, acrescentou.

Fóruns Regionais vão discutir Febre Aftosa no Paraná

Na próxima terça-feira (14) começam a ser realizados os Fóruns Regionais com o tema “Paraná Livre de Febre Aftosa sem Vacinação”. O primeiro ocorre em Paranavaí, no noroeste do estado, e os demais em Cornélio Procópio (15), na região norte; Guarapuava (21), no centro-sul; Pato Branco (22), no sudoeste; Cascavel (23), no oeste, e Curitiba (29), no leste. “Estarão em pauta assuntos de extremo interesse para as cooperativas paranaenses. Por isso, estamos convidando nosso público a participar das discussões em todas as regiões”, afirma o superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti.

Os eventos são promovidos pelo governo do Estado, com apoio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab); Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Sistema Faep/Senar, Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Emater e Sistema Ocepar, além de entidades locais que apoiam com recursos físicos, como a Prefeitura Municipal de Paranavaí, Sociedade Rural de Cornélio Procópio, Fiep, Unicentro e Sociedade Rural de Pato Branco.

A ideia é debater os próximos passos que deverão ser tomados após o Paraná ter obtido autorização do Mapa, com o aval do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para antecipar a suspensão da vacinação contra a febre aftosa do rebanho bovino a partir deste mês de maio, quando ocorre a última imunização do gado no estado. A aprovação do pedido ocorreu no dia 24 de abril, durante a realização da 2ª Reunião do Bloco V do Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA), no auditório do Sistema Ocepar, em Curitiba.

Assim, o status do Paraná mudou para área livre febre aftosa sem vacinação, que será oficializada em setembro, quando o Mapa irá publicar um ato normativo de reconhecimento da condição do Estado.

Com informações do Sistema Ocepar

Embrapa comemora 46 anos e assina convênios de cooperação técnica

A Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, comemorou nesta quarta-feira (24) 46 anos de existência. Na solenidade, realizada na sede da empresa, em Brasília, a estatal de tecnologia e inovação na área rural anunciou quatro convênios com entidades de perfis diferentes e propósitos diversos, desde a finalidade social (agricultura familiar) ao objetivo econômico (melhoria de commodities).

O presidente da Embrapa, o engenheiro agrônomo Sebastião Barbosa, disse à Agência Brasil que a empresa não faz distinção “se é grande ou pequeno [produtor], se o alimento é orgânico, transgênico, ou [tem cultivo] convencional”. Segundo ele, a empresa produz tecnologia “que coloca à disposição dos mercados e dos produtores. Eles que decidem a tecnologia que querem”.

Conforme Barbosa, “a missão [da empresa] é incorporar os avanços à ciência, tecnologia e agropecuária, mas também resgatar grande parte da população”. Ele lembra que “grande parte da pobreza [no Brasil] está no meio rural e não teve acesso à tecnologia”.

Na avaliação do presidente da Embrapa, a composição técnica da estatal, com 2.405 pesquisadores de áreas diferentes em 600 laboratórios, permite atender à demanda heterogênea. “Os perfis dos pesquisadores são vários. Alguns querem trabalhar com tecnologia de ponta – com edição gênica, por exemplo. Outros são sócio economistas, querem organizar as comunidades para que tenham acesso às tecnologias da Embrapa e vençam as forças de mercado, onde não têm acesso aos insumos para produção”.

Parcerias

A Embrapa assinou hoje acordos com seis estados e o DF, que formam o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento do Brasil Central (BrC), para cooperação com a assistência técnica e para aprendizagem de produtores rurais (extensão rural).

Ainda no âmbito público, a Embrapa assinou com a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) um termo de cooperação técnica para fomento à inovação tecnológica e ao empreendedorismo agrícola em comunidades de 12 municípios de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe – no entorno das barragens do Complexo de Paulo Afonso e as Usinas Hidro Elétricas de Itaparica (Luiz Gonzaga) e Xingó.

A Embrapa também firmou convênio de cooperação técnica com a Associação de Produtores de Uva do Vale para realização de testes que verifiquem a produtividade, tolerância a doenças e viabilidade mercadológica da uva de mesa produzida no semiárido nordestino. O propósito é aumentar a competitividade dos viticultores nos mercados interno e externo.

Com a subsidiária da multinacional norte-americana DowDuPont, Corteva AgriscienceTM, a Embrapa estabeleceu parceria em pesquisa que aplica para edição gênica de soja tolerante à seca e à organismos fitonematóides.

Números

De acordo com dados oficiais, em 46 anos, a Embrapa contribuiu para o aumento de produção de grãos (240% a produção de trigo e milho, 315% a produção de arroz); para o crescimento produtividade do extrativismo florestal (140%), e a multiplicação do setor cafeeiro (300%).

Segundo nota de divulgação institucional (Balanço Social), “em 2018, para cada R$ 1,00 aplicado na Empresa, foram devolvidos R$ 12,16 para a sociedade – um lucro de R$ 43,52 bilhões gerado a partir do impacto econômico no setor agropecuário de apenas 165 tecnologias e cerca de 220 cultivares geradas pela pesquisa”.

Presidente do Ibama pede exoneração após postagens de Bolsonaro e Salles

Um dia depois de ter se tornado alvo em redes sociais do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do novo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que questionaram o valor do contrato para aluguel de veículos no órgão, a presidente do Ibama, Suely Araújo, pediu exoneração do cargo nesta segunda-feira (7). Ela aguardava ser substituída pelo indicado por Bolsonaro, o procurador da União Eduardo Fortunato Bim, mas decidiu antecipar a saída.

Nomeada em 2016 pelo presidente Michel Temer (MDB) e indicada pelo então ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, Suely, urbanista, advogada e cientista política tem uma longa carreira ligada ao tema ambiental, tendo sido consultora legislativa na Câmara dos Deputados desde 1991. Ela dá aulas de graduação em gestão de políticas e publicou estudos sobre licenciamento ambiental, política nacional de resíduos sólidos e proteção à biodiversidade.

O pedido de exoneração foi encaminhado ao ministro Salles na manhã desta segunda. “Considerando que a indicação do futuro presidente do Ibama, sr. Eduardo Bim, já foi amplamente divulgada na imprensa e internamente na instituição ainda em 2018, antes mesmo do início do novo Governo, entendo pertinente o meu afastamento do cargo permitindo assim que a nova gestão assuma a condução dos processos internos desta Autarquia”, escreveu Suely no ofício.

A reportagem apurou que Suely afirmou a interlocutores que ficou indignada com as postagens deste domingo, pois não foi procurada previamente por Salles para que explicasse o valor do contrato, de R$ 28,7 milhões.

O Ibama é autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. Em nota no domingo, Suely explicou que o valor corresponde ao total gasto pelo órgão com aluguel de 393 camionetes “adaptadas para atividades de fiscalização, combate a incêndios florestais, emergências ambientais, ações de inteligência, vistorias técnicas etc”. Segundo Suely, o contrato vale para as 27 unidades da Federação e inclui os gastos com “combustível, manutenção e seguro, com substituição [dos veículos] a cada dois anos”.

“A acusação sem fundamento evidencia completo desconhecimento da magnitude do Ibama e das suas funções. O valor estimado inicialmente para esse contrato era bastante superior ao conseguido no final do processo licitatório, que observou com rigor todas as exigências legais e foi aprovado pelo TCU [Tribunal de Contas da União]”, escreveu Suely na nota.

Após um tuíte do ministro Salles, o presidente Bolsonaro postou e depois apagou em uma rede social, no domingo: “Estamos em ritmo acelerado, desmontando rapidamente montanhas de irregularidades e situações anormais que estão sendo e serão comprovadas e expostas. A certeza é: havia todo um sistema formado para principalmente violentar financeiramente o brasileiro sem a menor preocupação!”

Atlas do Agronegócio será debatido em Curitiba

Curitiba recebe nesta terça-feira (25) um debate sobre o “Atlas do Agronegócio – fatos e números sobre as corporações que controlam o que comemos”, publicação lançada pelas fundações alemães Heinrich Böll e Rosa Luxemburgo no início do mês, no Rio de Janeiro.

Com riqueza de dados, mapas e infográficos,  o “Atlas do Agronegócio – Fatos e números sobre as corporações que controlam” o que comemos apresenta artigos de especialistas nacionais e estrangeiros que desvendam a cadeia do agronegócio no Brasil e no mundo e fazem um raio X da atuação das grandes corporações transnacionais que dominam o setor.

Propagandas de TV tentam vender a ideia de que o “Agro é Tudo”: motor da economia nacional, moderno, movido à alta tecnologia, gerador de empregos e divisas para o País. Há, no entanto, uma face obscura do agronegócio brasileiro que coloca o pais no topo de outras listas, menos lisonjeiras.  O Brasil é campeão mundial na produção de alimentos geneticamente modificados, no consumo de agrotóxicos, no desmatamento de ecossistemas nativos e em assassinatos de defensores e defensoras de territórios tradicionais e do meio ambiente.  É este o lado B do setor, uma realidade da qual o Brasil deveria se envergonhar profundamente

Segundo Maureen Santos, “a tendência crescente de concentração da produção e distribuição da cadeia faz com que as definições sobre qualidade, preço e acesso sejam determinadas pelas grandes corporações do setor. “Um exemplo é o mercado de sementes que, depois de fusões bilionárias, é dominado mundialmente por apenas quatro empresas transnacionais que impõem a utilização de transgênicos e a padronização da produção para atender as necessidades da indústria alimentícia. O resultado é o cultivo cada vez mais raro de espécies nativas e sementes crioulas que garantem a diversidade e variedade de espécies, colocando em risco as tradições alimentares de diferentes culturas e regiões do Planeta.

O Atlas aborda ainda a realidade brasileira ao desvendar o lobby dos ruralistas em governos e no Congresso Nacional, a alta concentração de terra no País e os impactos da recente reforma trabalhista nas relações no campo, que podem aumentar os índices de trabalho escravo.

Produção a que custo?

Longe de se preocupar com a erradicação da fome ou garantir alimentos acessíveis e saudáveis para a população mundial, a cadeia do agronegócio busca aumentar produtividade e lucros de forma acelerada e com altos custos ambientais e sociais, aponta o Atlas. Perda de fertilidade de solos, redução de biodiversidade, morte de oceanos e aumento crescente da emissão de gases de efeito estufa são algumas das consequências relacionadas à disseminação de novas tecnologias no campo e ao desmatamento.

No que diz respeito aos trabalhadores rurais e pequenos produtores, a situação não é diferente: postos de trabalho no campo estão sendo erradicados e produtores estão sendo expulsos de suas terras para dar lugar às grandes plantações de monocultura.

Temas como sementes, fertilizantes, maquinaria, marcas e cadeia de varejo, agrotóxicos, transgênicos, patentes, comércio global, lobby, investimentos, biofortificação, resistência e conflitos no campo, agroecologia e gourmetização da alimentação saudável são tratados de maneira direta, apontando os impactos desta realidade na alimentação da população mundial.

Embora a situação seja complexa e possa parecer desanimadora, há saídas e alternativas possíveis. O Atlas aponta ações de resistência de pequenos produtores, povos indígenas, comunidades tradicionais e quilombolas, e apresenta alternativas já aplicadas no Brasil e no mundo, como a agroecologia.

Debate:

O Atlas foi lançado no Rio de Janeiro com a presença de 200 pessoas, autores, Bela Gil e Gregório Duviver e ganhou atenção da imprensa com matérias no jornal O Globo, Intercept , Brasil de Fato, entre outros veículos. Em Curitiba, a ideia é reunir mais uma vez pessoas para ampliar este debate sobre a origem dos alimentos e os riscos de uma concentração de mercado no setor. Para Darci Frigo, coordenador da Terra de Direitos, organização anfitriã do evento, “É importante conhecer as contradições da agricultura, especialmente do agronegócio, para poder construir um projeto de país com alimentação soberana e saudável”.