Commodities agrícolas: conheça a arquitetura da formação dos preços

A produção de alimentos como soja, milho e trigo ocorre em áreas rurais, em sua maioria, localizadas distantes das grandes cidades. Mas isso não quer dizer que as atividades agropecuárias não tenham ligação com os mercados financeiros globais. São as negociações internacionais, expectativas de clima, tendências de oferta e demanda, taxa de câmbio, despesas logísticas, entre outros fatores, quem determinam os preços pagos aos produtores rurais. E apesar de parecer um arranjo complicado em um primeiro momento, entender esse cenário, além de fundamental, é fácil considerando alguns conceitos básicos.

Para começar, é preciso compreender que há ambientes de negociação que ditam parâmetros de referência para os preços das commodities agrícolas. No caso da soja e do milho, por exemplo, o que determina as cotações de base é a Bolsa de Chicago. “Os principais fatores que influenciam esse valor da bolsa de referência são oferta e demanda internacional, clima nas regiões produtoras e a política em termos de acordos comerciais, programas de biocombustível, etanol, entre outros”, explica o consultor da INTL FCStone Glauco Monte.

O segundo passo para entender o sobe e desce das cotações, segundo Monte, está nas variáveis de cada local. Para adaptar o valor de referência a cada realidade, existe um cálculo que pode ser obtido por meio do chamado diferencial de base. “Tem alguns fatores que influenciam essa conta. O prêmio no porto é um deles, assim como o custo com logística, gastos portuários, custo de elevação e oferta e demanda local”, enumera. “Considerando isso, podemos ter a bolsa mais um prêmio (ágio) ou a cotação da bolsa menos um valor (deságio)”, detalha.

Para completar esse tripé de formação de preços, o consultor da INTL FCStone acrescenta que as negociações de commodities ocorrem a nível internacional, ou seja, a precificação necessariamente considera a cotação do dólar. “Aqui temos outro aspecto fundamental: a taxa de câmbio. Esta é influenciada, principalmente, pela economia nacional e internacional, perspectivas políticas, inflação e taxa de juros, com mais relação à conjuntura econômica do país”, esmiúça.

Futuro influencia presente

Para o professor da Escola de Negócios da PUCPR Wilhelm Eduard Milward de Azevedo Meiners, os preços agrícolas brasileiros refletem a variação de bolsas internacionais. “Nesse âmbito são negociados os volumes mundiais em oferta e demanda, tanto do mercado à vista quanto do mercado futuro. A diferença é que existe uma grande influência do mercado futuro no mercado presente”, enfatiza. “Mercado futuro é a entrega de mercadorias numa data posterior determinada por um preço pré-estabelecido. Então, ele incorpora uma série de expectativas quanto a esse preço pré-definido”, detalha.

Para Meiners, o Brasil pode ser considerado um mercado satélite da soja, ou seja, tem o preço determinado por mercados externos. Porém, pelo fato de o país ter um grande volume de produção e exportação, trata-se de um satélite parcial. “Temos alguma capacidade de influenciar o preço internacional. Quando pegamos a evolução do preço da soja no Brasil e em Chicago, por exemplo, constatamos algumas variações, embora o gráfico seja sempre bastante próximo. É diferente do que ocorre no mercado de alumínio, no qual seguimos exatamente a mesma tendência”, compara.

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Análise: mudança de cenário tira mercado de carne do marasmo

O mercado do boi está em ebulição. As cotações têm apresentado sucessivas altas nos mercados físico e futuro, de maneira generalizada em todo o Brasil. Iniciando o ano cotada a R$ 149, a arroba atingiu o patamar de R$ 231 no final de novembro, em São Paulo, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

As cotações atravessaram a maior parte de 2019 “andando de lado”, ou seja, sem grandes variações, oscilando entre R$ 150 e 160. Contudo, na segunda quinzena de outubro rompeu esse patamar e, desde então, vêm subindo a níveis expressivos. Somente em novembro, a valorização foi de 36,24%, partindo de R$ 169,55 no dia primeiro e alcançando R$ 231 no dia 27, recorde real da cotação.

Diversos fatores contribuem para explicar esse cenário de alta, entre eles a exportação. De janeiro a outubro, o Brasil enviou 1,46 milhão de toneladas de carne bovina ao mercado externo, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O montante representa aumento de cerca de 10% frente ao mesmo período do ano passado (1,3 milhão de t), consolidando 2019 como ano de exportações recordes para o país e injetando 5,7 bilhões de dólares na economia nacional.

O Brasil aumentou as exportações para 100 países, de um total de 174 com os quais negocia sua carne bovina. A China ainda figura como o principal destino (318 mil toneladas), seguida por Hong Kong (284 mil t) e Egito (151 mil t).

A China tem elevado as compras do Brasil, não apenas de carne bovina, mas de frango e suínos, reflexo da peste suína africana que vêm assolando rebanhos da Ásia e parte da Europa. Em 2019 houve acréscimo de 23% no volume e 7,5% em receita da carne bovina embarcado para os chineses, que respondem por 21% do total exportado pelo Brasil.

Para os Emirados Árabes, o incremento foi de 175%. Merece destaque também o mercado russo, que saltou da 37ª posição em 2018 para a 6ª nesse ano, elevando suas compras em impressionantes 1.695%. Durante todos os meses de 2019 foram embarcados volumes superiores à média mensal dos últimos cinco anos. Neste cenário total, a diferença do resultado das exportações de 2018 e 2019 representa 132 mil toneladas, que, com o peso médio de carcaças de 247,5 quilos por cabeça neste ano, segundo o IBGE, representa um volume correspondente a 500 mil animais.

Mercado Interno

No contexto do mercado interno, em novembro ocorreu o pagamento da primeira parcela do décimo terceiro salário para os trabalhadores brasileiros, melhorando o poder de compra da população. Soma-se a isso a melhoria da economia brasileira, ainda que tímida, com redução na taxa de desemprego e até mesmo a recém-instituída política de saque de parte dos recursos do FGTS, aquecendo o comércio e, consequentemente, a demanda interna, que geralmente absorve 80% a produção nacional.

As festividades de fim de ano também têm a sua influência sobre o mercado da carne bovina. Tradicionalmente, a série histórica do IBGE aponta que o último trimestre do ano concentra a maior parte dos abates anuais no Brasil, 25,37%, com destaque para dezembro, que concentra 8,6% do volume total. As vendas de carne bovina nesse período do ano aquecem o mercado e proporcionam valorizações, pela lei da oferta e demanda.

Contudo, o bom desempenho das exportações tem aumentado a demanda em uma velocidade superior à oferta de boiadas, que somada à expressiva demanda interna, culmina nos atuais valores da arroba.

As indústrias têm tido dificuldade para encontrar animais terminados, resultando em uma competição acirrada. Por conta disso, há relatos de negócios fechados a R$ 240 a arroba, em São Paulo, principal praça do país.

Considerando apenas os abates com Serviço de Inspeção Federal (SIF), dados do Ministério da Agricultura apontam para uma redução de 4,5% no número de animais abatidos em 2019 frente a 2018. De janeiro a novembro de 2019 foram abatidos 21,5 milhões de cabeças nessas indústrias ao passo que em igual período de 2018, foram 22,5 milhões.

A demora na chegada das chuvas em todo o Brasil, especialmente na região Centro-oeste, deve atrasar a oferta de animais terminados a pasto no início do ano. As cotações aquecidas do dólar, por sua vez, favorecem ainda mais as exportações, mantendo, portanto, a demanda externa aquecida. Dessa forma, o mercado deve se manter firme para o pecuarista terminador pelos próximos meses.

Reposicionamento do mercado

Ainda assim, é importante lembrar que apesar do bom momento para os pecuaristas, esse cenário não se trata de um “boom” de preços. Recordes nominais e reais foram batidos. Contudo, em termos reais, apesar do novo recorde, o que tem ocorrido é um reposicionamento da arroba no mercado.

Nos últimos quatro anos, os pecuaristas têm enxergado certo marasmo no mercado do boi gordo. As grandes oscilações registradas desde então foram negativas, reflexos das operações Carne Fraca e Bully, que derrubaram as cotações da arroba. Contudo, ao deflacionarmos os valores desde janeiro de 2015, o que tem havido é uma correção nas cotações.

Após quatro anos de mercado apático, o final de 2019 representa um bom momento pelos pecuaristas, que, até então, registravam redução das margens. Em janeiro de 2015, com o valor de uma arroba era possível adquirir 6,9 sacas de milho e 54,7 litros de óleo diesel. Já em janeiro de 2019, as cotações da arroba permitiam ao pecuarista adquirir o equivalente a 5,2 sacas de milho e 44,29 litros de diesel, redução de 24,6 e 19,1%, respectivamente.

Para o bezerro, a relação de troca do pecuarista se manteve estável nesse período. Considerando um boi gordo de 16,5 arrobas, a venda de um animal permitia a aquisição de 1,9 bezerro em janeiro de 2015. No mesmo mês de 2019, essa relação alcançou 2,02. Porém, no final deste ano, a forte elevação das cotações permitiu alcançar um fator de conversão de 2,22 bezerros/boi gordo.

Desta forma, a análise do comportamento do mercado permite apontar que o atual momento é apenas uma correção abrupta após quatro anos de cotações “mornas” em termos nominais. Num primeiro momento, o pecuarista deve comemorar. Mas, sem esquecer que é o momento de otimizar na gestão e se capitalizar para investir na atividade, especialmente no bem mais precioso das propriedades pecuárias: as pastagens.

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Mapa credencia laboratório em Curitiba para exames de mormo

A equideocultura paranaense já pode comemorar nova conquista. Mais um laboratório do Estado foi credenciado para a realização de exames e emissão de laudos de mormo, doença infectocontagiosa que acomete equídeos. O VP Laboratório, localizado em Curitiba, recebeu o aval do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no dia 19 de novembro.

No ano passado, a FAEP, por meio de ofício encaminhado ao Mapa, solicitou agilidade no processo de credenciamento de três laboratórios paranaenses. Um deles foi o Mercolab, de Cascavel, na região Oeste, primeiro credenciado em maio de 2018. O laboratório Campos Imagem de Diagnóstico Veterinário, de Londrina, na região Norte, ainda aguarda autorização.

O credenciamento dos laboratórios é importante para o cumprimento da Portaria 22, de 16 de março de 2018, do Mapa, e da Portaria 183, de 25 de junho de 2018, da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Desde o dia 1º de setembro de 2018, o ingresso de equídeos (cavalos, mulas, jumentos, etc.) no Paraná só é permitido mediante apresentação de laudo laboratorial negativo para o mormo.

Um dos grandes benefícios para os criadores de equídeos e demais envolvidos com a atividade é a redução dos custos e do tempo de retorno dos laudos laboratoriais. Para o exame ser realizado em laboratório credenciado em outro Estado, o valor do frete fica em torno de R$ 70 a 100, enquanto o tempo para entrega dos resultados pode chegar a 15 dias. Com o laboratório credenciado em Curitiba, esse tempo de espera reduz para 24 horas.

Segundo a médica veterinária e proprietária do VP Laboratório, Vanessa Benoni, a agilidade dos laudos também é resultado de uma nova tecnologia implantada para a realização dos exames, que garante mais precisão e confiabilidade nos resultados. Ainda, o credenciamento de mais laboratórios paranaenses auxilia no reforço da barreira sanitária do Estado. “Além de redução de custos e tempo, temos redução de riscos. Não haverá mais a necessidade de essas amostras biológicas serem transportadas para fora do Estado para a realização dos exames. É uma conquista do setor privado e de todas as entidades envolvidas”, destaca Vanessa.

O credenciamento de um laboratório em Curitiba também se consolida como um passo fundamental para a valorização da cadeia, principalmente em relação ao esporte e à economia, visto que a capital paranaense está no centro de muitas atividades da equideocultura. “Temos o Jockey Club do Paraná e a Sociedade Hípica Paranaense, além de polos de forte comercialização para exportação de animais e material genético, como Tijucas do Sul e São José dos Pinhais. Esse laboratório irá facilitar o trânsito para outros municípios próximos, que conseguem enviar amostras para realizar os exames aqui”, afirma a técnica do Departamento Técnico Econômico (Detec) do Sistema FAEP/SENAR-PR Nicolle Wilsek.

Mudanças no prazo de validade de exames de AIE

As novidades para a equideocultura não param por aí. No dia 17 de outubro, a Adapar publicou Portaria que estabelece novas regras para os exames de Anemia Infecciosa Equina (AIE), que passa a valer em janeiro de 2020. A Portaria 322 prevê que, para a movimentação de equídeos dentro do Estado, os exames de AIE passam a contar com um prazo de validade maior, de 60 dias para 180 dias.

A decisão partiu de um estudo epidemiológico sobre a doença realizado pela Adapar, que identificou baixa prevalência no Paraná. Em contrapartida, a vigilância da AIE é reforçada pela Portaria, que passa a estabelecer exigência de laudos negativos do exame para todas as finalidades.

De acordo com o gerente de Saúde Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, a extensão de prazo é benéfica tanto para os produtores, por exigir menos frequência de realização de exames, quanto para a sanidade animal do Estado, pois inclui essa obrigatoriedade para situações em que antes não existia. “Identificamos que a prevalência da AIE é baixa, em cerca de 0,5% dos animais. Mas, ao mesmo tempo, aumentamos a vigilância da doença. Não importa para o que for, tirou o animal da propriedade, precisa fazer o exame”, observa.

Ainda, segundo Dias, a Adapar está trabalhando em novos estudos de mormo ao lado de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, o que irá possibilitar novas ações para desburocratizar os processos e modernizar a cadeia de equinos no Estado.

Encontro de Empreendedores e Líderes Rurais 2019 vai focar desafios ao campo

No dia 22 de novembro, acontece o grande evento do empreendedorismo rural paranaense. Mais de 5 mil produtores irão se reunir no Encontro Estadual de Empreendedores e Líderes Rurais, no Expotrade Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), para celebrar iniciativas que transformam a realidade do campo. Na ocasião, serão anunciados os projetos vencedores do Programa Empreendedor Rural (PER) 2019, parceria entre Sistema FAEP/SENAR-PR, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PR) e Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep).

Neste ano, a programação do evento segue o tema “Liderança Rural”, com o objetivo de ressaltar a importância da representatividade no campo e discutir as relações entre poder de liderança e iniciativa empreendedora. Está programada uma palestra com o pesquisador Zander Navarro, mestre em sociologia rural e doutor em sociologia, que atua em áreas como desenvolvimento agrário e rural e organizações rurais. Navarro irá abordar os desafios e oportunidades da agropecuária brasileira, temas que se refletem em algumas de suas publicações, como: “A agricultura brasileira: desempenho, desafios e perspectivas”; “Agricultura familiar: é preciso mudar para avançar”; e “O mundo rural no Brasil do século 21: a formação de um novo padrão agrário e agrícola”.

Está prevista no evento, ainda, a presença do vice-governador do Paraná e presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-PR, Darci Piana; do diretor superintendente do Sebrae-PR, Vitor Roberto Tioqueta; e do presidente da Fetaep, Marcos Brambilla.

A temática do evento está conectada com o Programa de Sustentabilidade Sindical (PSS) do Sistema FAEP/SENAR-PR, iniciativa que vem promovendo uma série de estratégias para a formação de novos protagonistas do campo e o estreitamento dos elos do sistema associativo. É por isso que, nesta edição, o foco do encontro estará nos produtores rurais vindos de todas as regiões do Estado. Durante o evento, será reforçada a importância da atuação e mobilização destes produtores para o desenvolvimento dos diversos setores do agronegócio paranaense.

Vencedores do PER

Durante a programação do evento, após o almoço, serão apresentados os 10 projetos finalistas do PER 2019, com o anúncio dos três grandes vencedores desta edição. Como prêmio, eles receberão uma viagem técnica internacional em 2020, com a finalidade de conhecer a realidade do setor e produção agrícolas de outros países. A atração musical de encerramento da festa ficará por conta do cantor Daniel.

Olimpíadas Rurais

Em paralelo ao Encontro, durante a manhã, ocorrerá a etapa final das Olimpíadas Rurais. Um total de 105 alunos dos programas Aprendizagem de Adolescentes (AAJ) e Jovens e Jovens Aprendizes Rurais (JAA), classificados em provas feitas previamente ao longo do ano, vão participar de um circuito de atividades. Serão cinco desafios nas áreas de cálculo e interpretação de textos, contextualizados a partir de problemas nas áreas vistas durante a formação, como silvicultura, agricultura, pecuária, cidadania e meio ambiente. Os grupos classificados de cada região vão disputar prêmios que incluem, além de medalhas e troféus, transmissores de streaming, headphones sem fio, tablets, caixas de som e smartphones.

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Dia de campo comprova segurança na pulverização aérea

A simulação de uma pulverização aérea, conduzida em Goioerê, no Noroeste do Paraná, comprovou que a adoção de um conjunto de boas práticas garante segurança total nessa modalidade de aplicação de defensivos. Na ação, a deriva – deslocamento de gotículas pulverizadas para fora da faixa-alvo da aplicação – não chegou a 50 metros: distância pelo menos cinco vezes menor que a área de segurança definida por lei. A demonstração fez parte do dia de campo “Boas práticas na aplicação aérea”, promovida pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR, além de outras empresas e entidades.

Na demonstração, o avião fez as aplicações ao longo de uma faixa linear de 400 metros de extensão, em uma lavoura de soja. Para comprovar as áreas em que houve deposição – onde as gotículas efetivamente caíram –, posicionaram-se papelotes a cada cinco metros, a partir da faixa de aplicação, até se chegar a um raio de 100 metros (veja o infográfico). Para pulverizar o produto, a aeronave fez voos rasantes, a alturas entre três e cinco metros, a partir do topo da cultura.

A análise dos papeis comprovou que a deposição se concentrou na faixa de aplicação. A partir de 30 metros desta DEMONSTRAÇÃO área, já não se verificava concentração considerável do produto. Dos 50 metros em diante já não havia vestígios das gotículas pulverizadas. O índice de deriva verificado se encontra, com grande margem, dentro da área de segurança estabelecida pela Instrução Normativa (IN) 2/2008, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A norma estabelece que as aplicações aéreas sejam feitas a uma distância mínima de 500 metros de cidades ou bairros, ou de 250 metros de mananciais e moradias isoladas.

“As boas práticas minimizam os riscos na aplicação aérea, a ponto de praticamente eliminá-los. Qualquer pulverização dentro dessas boas práticas vai ser completamente segura para a sociedade. Os parâmetros ficam dentro da legislação vigente, dentro do considerado aceitável pelos órgãos ambientais e das diretrizes do Mapa”, observou o professor Ulisses Rocha Antuniassi, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), especialista em aplicação aérea e que conduziu a prática.

Outro ponto que chama a atenção é que a aplicação se mostrou segura – com deriva dentro da margem de segurança definida em lei – mesmo com a demonstração tendo sido feita em condições meteorológicas adversas. Durante o voo, o vento chegou a 21 quilômetros por hora, quando o ideal é inferior a 9 quilômetros por hora. “Se fosse para fazer uma aplicação convencional, o avião nem teria decolado, porque o vento pode favorecer a deriva. Nós fizemos, por se tratar de uma demonstração. E ainda com o vento superior, a deriva ficou bem abaixo do limite estabelecido”, disse o professor.

Para a técnica do Departamento Técnico da FAEP Elisangeles Souza, que monitora temas diretamente relacionados ao controle de agroquímicos, o evento atesta que a IN 2/2008 garante, com folga, que a pulverização aérea não implique em riscos ambientais nem às comunidades no entorno das propriedades. “A legislação fala em 250 [metros] e em 500 metros, como área de segurança. Se comprovou que a deriva ficou em uma área pelo menos cinco vezes menor. Isso quer dizer que a legislação é bem segura em relação a essa questão de prática no campo”, apontou.

Pilares da segurança

Para se chegar a esse resultado, no entanto, o professor Ulisses Antuniassi destacou que, além de seguir as determinações da legislação, é imprescindível adotar uma série de boas práticas – que ele divide em “três pilares”. O primeiro é a gestão da informação. Neste aspecto, o produtor e a empresa aérea devem fazer um levantamento do entorno – identificando eventuais áreas sensíveis e de segurança – e estabelecer um mapeamento da aplicação, respeitando as faixas de segurança.

O segundo ponto é adequar o plano de aplicação aos aspectos meteorológicos. Ou seja, deve-se proceder a pulverização apenas diante de condições de tempo consideradas ideais, observando, por exemplo, a temperatura e a umidade, além da direção e da força do vento. Tudo isso, levando-se em conta o tipo de produto a ser aplicado e as especificações que constam da bula.

O terceiro pilar, segundo o especialista, é a adoção de técnicas que reduzem a possibilidade de haver deriva. Neste ponto, a empresa deve levar em conta a composição da cauda do avião e a altura do voo de pulverização, de acordo com as condições do tempo e do tipo de lavoura. Entre os aspectos técnicos, o professor destaca o ajuste do espectro de gotas, que dimensiona a espessura das gotículas que serão pulverizadas sobre a plantação. “Quer reduzir a deriva, tem que se evitar gotas menores, que estão mais suscetíveis ao vendo e às condições atmosféricas. É muito melhor optar por gotas médias”, pontuou.

Bom senso

Ainda segundo o professor, a cada safra, cerca de 25% das aplicações de defensivos no Brasil são feitas por aviões. Para o especialista, o tema merece ser analisado com serenidade e bom senso. Ele observa, por exemplo, que é preciso analisar o tipo de cultura, dimensão e a área em que se encontra a lavoura, para definir qual é o melhor método de controle de pragas. A aplicação de defensivos por meio de aviões é inviável, por exemplo, a pequenas propriedades, mas é indispensável a plantações extensas, principalmente a culturas como soja, algodão, milho e cana-de-açúcar.

“Em muitas culturas, em muitas regiões, não precisa de aplicação aérea. Mas em outras, é imprescindível. Na cana, por exemplo, depois que ela atinge dois metros, não tem como fazer aplicação, sem ser pela plataforma aérea. Mais de 60% das aplicações em cana adulta têm que ser feitas por avião, porque não dá para fazer de outra forma”, ressaltou. “Do ponto de vista técnico, eu posso dizer que o controle químico é seguro. Do ponto de vista de sociedade, digo que é fundamental que coexistam técnicas diferentes, como agricultura orgânica e controle químico, para que possam se complementar e que a gente possa gerar segurança alimentar para a sociedade”, apontou.

A técnica da FAEP destacou que o evento representou mais uma oportunidade de se disseminar informação técnica e qualificada, em relação a um tema que é alvo de uma série de preconceitos por parte de segmentos da sociedade. “É importante a gente trabalhar com informação segura e favorecer esse nivelamento de informação”, disse Elisangeles Souza.

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Obrigatório: atualização do rebanho deve ser feita até 30 de novembro

O prazo para os produtores rurais do Paraná fazerem a atualização dos seus rebanhos termina no dia 30 de novembro. O procedimento é obrigatório para todos aqueles que tenham animais que transitam pelo Estado com interesse econômico. Isso vale, portanto, para todas aquelas atividades que necessitam da chamada Guia de Trânsito Animal (GTA). O trâmite é gratuito e pode ser feito tanto pelo site da Agência de Defesa Agropecuária (Adapar) ou pessoalmente (veja abaixo, em Serviço).

A exigência do cadastro foi implantada como parte das ações que substituem a vacinação obrigatória de bovinos e bufalinos contra febre aftosa. A Instrução Normativa 47, da Adapar, previu a suspensão da vacina para esses dois grupos de animais, que acontecia em duas fases anualmente. Com a retirada da vacina, a Adapar substituiu a comprovação da vacinação, pela Campanha de Atualização de Rebanhos, para assegurar o controle sanitário no Estado.

A medida obrigatória vale para propriedades que detenham animais de produção ou trabalho, como bovinos, bufalinos, cabras, ovelhas, suínos, cavalos, jumentos, mulas, galinhas, peixes, além de caixas de abelhas. Essa é uma forma de promover um conjunto de ações que vão provocar uma melhoria na sanidade das criações voltadas à produção de proteínas animais no Estado.

Além de ser uma medida de segurança para o próprio setor, quem não atualizar o cadastro está sujeito a algumas penalidades. A primeira delas é o fato de não conseguir movimentar os animais, pelo bloqueio sistêmico das GTAs, o que inviabiliza a atividade econômica dos pecuaristas. Outra é a possibilidade de multa.

Para o técnico do Departamento Técnico Econômico (DTE) da FAEP Guilherme Souza Dias, o cadastro em dia é um instrumento fundamental para ter um sistema sanitário sólido. “Com essa ferramenta é possível monitorar a dinâmica da movimentação animal no Estado. Em qualquer emergência, no caso de foco de alguma doença, por exemplo, é possível que as autoridades sanitárias identifiquem a origem do foco, bem como os rebanhos periféricos, o que irá nortear as ações de saneamento de maneira rápida e efetiva”, explica.

Dias lembra que o tempo de resposta a qualquer emergência precisa ser o menor possível e que isso só se obtém com produtores (de todas as cadeias produtivas) e autoridades sanitárias trabalhando em sintonia. “Qualquer sintoma de doenças infeciosas precisa ser notificado, existe toda uma estrutura preparada para indenizar produtores que porventura tenham prejuízos por ações de controle de doenças. É preciso seguir todos os protocolos e agir com seriedade quando o assunto é a credibilidade internacional sobre a qualidade dos alimentos produzidos pelos paranaenses”, completa.

Serviço

A atualização do rebanho pode ser feita pelo site: http://www.produtor.adapar.pr.gov.br/comprovacaorebanho. Também é possível fazer o procedimento pessoalmente em uma unidade local da Adapar, em um escritório de atendimento municipal autorizado ou em um sindicato rural autorizado.

PER 2019 divulga os 10 projetos finalistas

A banca avaliadora do Programa Empreendedor Rural (PER) elegeu os 10 projetos finalistas da edição 2019. As três melhores iniciativas serão premiadas durante o Encontro Estadual de Empreendedores e Líderes Rurais, que acontece no dia 22 de novembro, no espaço Expotrade, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

Nesta edição, a região de Guarapuava, no Centro-Sul do Estado, teve destaque por concentrar metade dos 10 projetos finalistas. Quatro saíram do próprio município e outro de Candói. Os demais estão em Francisco Beltrão, Terra Roxa, Nova Prata do Iguaçu, Maringá e Faxinal (confira a lista completa de finalistas abaixo).

Ao todo, foram 53 trabalhos avaliados pela banca, que teve duração de dois dias e contou com participação de especialistas, também responsáveis pela atualização do programa. “A banca é formada por uma equipe com vasta experiência na avaliação de projetos, com reforço de técnicos do Sistema FAEP/SENAR-PR e consultor do Sebrae-PR. A participação de diferentes instituições e a avaliação de um mesmo projeto por, no mínimo, quatro membros da banca são os métodos utilizados para garantir isenção na escolha dos classificados”, explica a técnica do Sistema FAEP/SENAR-PR e coordenadora do PER, Mariana Assolari.

O PER é uma iniciativa do Sistema FAEP/SENAR-PR em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PR) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep) que estimula o empreendedorismo rural em todo o Estado. Ainda, o programa premia os melhores projetos de melhorias nas propriedades rurais e gerenciamento de oportunidades de negócios.

Finalistas PER 2019 (*ordem alfabética por título do projeto):

Projeto: Aumento da produção de leite
Autor: Cristiano Fankhauser
Município: Francisco Beltrão

Projeto: Galinha Feliz – Sítio do Caju
Autores: Arno Hoffmann e Valentina Hoffmann
Município: Terra Roxa

Projeto: Implantação Compost Barn – Sítio Sepultura
Autores: Alexsandro B. Rodrigues e Gilso Mis
Município: Candói

Projeto: Implantação de agroindústria e biodigestor na Fazenda Vassoural Autores: Ana Carolina Araújo Abreu e Elouise Cristine Rodrigues
Município: Guarapuava

Projeto: Implantação de um confinamento na Fazenda São Pedro
Autores: Laíz Mara Vassoler Coletta e Marcelo Coletta
Município: Faxinal

Projeto: Migração da avicultura para confinamento de ovinos de corte
Autor: Thais Fernanda Gavlak
Município: Guarapuava

Projeto: Multiplicação e comercialização de sementes de aveia preta
Autor: Paloma Detlinger
Município: Guarapuava

Projeto: Otimização de terras através da integração: pecuária/ovinocultura/floresta
Autores: Igor Gabriel Modesto Dalgallo e Mariane Koepke
Município: Guarapuava

Projeto: Projeto incremental “Cachaça artesanal Nova Prata”
Autor: Ana Paula Rodrigues
Município: Nova Prata do Iguaçu

Projeto: Sítio Camilo & Coelho: Implantação sistema de rotação de pastagens e piqueteamento
Autor: Eduardo Camilo Coelho
Município: Maringá

Censo Agro aponta trajetória de crescimento do Paraná na última década

O agronegócio do Paraná segue firme nos trilhos do desenvolvimento. O Censo Agropecuário 2017, recém-divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que o movimento de crescimento das riquezas que vêm do campo segue em uma trajetória ascendente. E isso não como um fenômeno isolado, de melhoria apenas em indicadores econômicos. O dinamismo e a adaptação dos produtores rurais às inovações tecnológicas e aos novos desafios de um mercado cada dia mais competitivo ficam evidentes nos números. Melhoraram aspectos como produção e produtividade, nível de formação, preservação ambiental, cuidado com o solo, acesso à internet e uma série de outros indicadores (veja as tabelas no Boletim Informativo).

Além de simplesmente analisar os números, o Boletim Informativo fez, nesta edição, a opção de dar voz a uma parte de quem materializa essas estatísticas: os produtores rurais. Afinal, o campo não se faz apenas com a frieza dos números, mas por pessoas que guiam o dia a dia da administração das propriedades rurais. Por isso é que, a partir da análise do levantamento do IBGE, junto com esses dados, compartilhamos algumas histórias de batalhadores, que precisam lutar contra os desafios que o país impõe a quem ousa diariamente produzir e gerar empregos.

Soja e milho

O Oeste, por exemplo, é a região que mais produz grãos no Paraná. Na soja, produto que gera o maior Valor Bruto de Produção (VBP) do Estado, os municípios locais são responsáveis por 19% do total, o que equivale a 3,6 milhões de toneladas (de um total de cerca de 18 milhões de toneladas). No milho, a regional responde por 27% da produção estadual, ou 2,6 milhões de toneladas (de um total de 17,3 milhões de toneladas). Reflexo do trabalho de pessoas como o produtor Eudes Edimar Capelletto, 52 anos, morador de Cascavel. “Há 31 anos estou na lavoura. Hoje cultivo uma área de 200 hectares. Além da agricultura, tenho também pecuária de leite. Então, planto soja no verão e depois faço uma parte de milho safrinha e outra parte uso para pastagens de inverno”, compartilha Capelleto.

O agricultor aponta a tecnologia como uma das principais aliadas para a conquista do aumento da produtividade constatado no Paraná nos últimos anos. A soja teve um incremento de 50% no número de sacas por hectare na média estadual entre 2006 e 2017. Ou seja, de cerca de 40 sacas por hectare para quase 60 em sua melhor temporada, segundo o IBGE. “Hoje, contamos com todo o maquinário com ar-condicionado, tratores e pulverizadores. Melhorou muito. Por outro lado, o custo aumentou bastante e isso interfere diretamente na rentabilidade. Mas nós não temos escolha, afinal temos que andar conforme a coisa vai evoluindo. As gerações anteriores também passaram por esses processos”, lembra.

Leite, aves e suínos

O leite, que integra parte do sistema produtivo de Capelletto, tem sido um destaque para o Paraná. Nos últimos anos, o Estado se consolidou como segundo maior produtor do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais. A maior bacia leiteira em volume de produção, hoje, fica na região Sudoeste (26% do total produzido).

Francisco Romano Gaievski, produtor de leite em Francisco Beltrão, tem uma propriedade com cerca de 30 animais e uma média de 27 litros por vaca holandesa e de 17 litros cada uma da raça Jersey. Segundo ele, houve uma grande evolução na região na última década. E, a perspectiva é que as mudanças sigam em ritmo acelerado nos próximos anos. “O volume de leite vem crescendo ano por ano, mas o número de propriedades vem diminuindo. A tendência é a manutenção deste quadro”, avalia.

Na avicultura, setor no qual o Paraná lidera a produção com impressionantes 333,3 milhões de cabeças em seu rebanho, a continuidade da escala para o sucesso na atividade é compartilhada pela produtora Juliana Afonso Branco  dos Santos, 41 anos. Com três aviários na propriedade em Cafezal do Sul, a 65 quilômetros de Palotina (região que mais produz aves no Estado), ela comenta que os investimentos para entrar e se manter na atividade são um desafio para fechar as contas. “A avicultura não é simples. Se eu tenho intenção de continuar na atividade, o que dá lucro na avicultura, hoje, é a escala, para diminuir os custos e aproveitar ao máximo toda a infraestrutura montada”, alerta.

Outro pilar da produção pecuária no Estado é a suinocultura, já que o Paraná é o vice-líder no ranking nacional do reba nho, com 6,9 milhões de cabeças. A região com maior concentração é o Oeste do Paraná, com 61% dos animais.

Agostinho Celato, produtor rural há 50 anos em Toledo, ratifica que a tecnologia melhorou o trabalho no campo, além de trazer novos desafios. Hoje, com capacidade para alojar 4,2 mil animais, Celato avalia que uma das principais preocupações é a sustentabilidade da atividade a médio e longo prazos. “Tudo o que for agregar de tecnologia na propriedade traz resultados efetivos. O problema é viabilizar esses investimentos. Me preocupo com a próxima geração, porque os negócios no campo são uma raiz, uma continuidade da família e se quisermos ter coisa boa para o futuro, em relação à sucessão, temos que preparar isso agora”, reflete.

Centro-Sul e a pecuária

A região Centro-Sul paranaense é um dos destaques da produção de bovinos de corte no Paraná. Com um território e um rebanho muito menor que o de outros Estados, os pecuaristas apostam na qualidade e conseguem números impressionantes. João Arthur Barbosa Lima, 64 anos, na atividade desde 2001, mantém em torno de 600 animais em uma área de 35 hectares (17 animais por hectare, enquanto a média nacional é próxima de 1 boi por hectare).

Além disso, com muita tecnologia embutida, consegue entregar bois para o abate com cerca de um ano de vida (a média nacional é de quatro anos). “Tem gente que não acredita, mas é possível. O primeiro desafio é pensar em comida, em pastagem. Outro detalhe muito importante é o manejo. Sempre falo para os meus colaboradores: não faça nada para o animal que você não gostaria que fizesse para vocês. Ninguém gosta de levar cutucão, de grito, estresse”, ensina.

Outro destaque da região de Guarapuava está no perfil de pessoas que comandam as propriedades. É o local em que há mais mulheres no comando, um total de 13,42%. Uma dessas mulheres à frente dos negócios é Ana Paula Ferreira Ransolin, 41 anos. Desde 2006, junto com a mãe Ana Circe, produz leite. Hoje, tem cerca de 32 animais e entrega cerca de 13 mil litros por mês. “Nesse tempo que estou na atividade, muita coisa mudou. Passamos a trabalhar apenas com inseminação artificial. Antes tirávamos o leite na mão, hoje temos ordenhadeira e novos resfriadores, um sistema para gerenciar os índices zootécnicos e agora estamos apostando em uma consultoria para acompanhar melhor a parte financeira”, relata.

Feijão e trigo

O Paraná é o maior produtor nacional de feijão, colheu 691,8 mil toneladas em 2017. E a região de Irati, além de reunir a maior população rural do Estado (mais de 40% da população vive no campo), também concentra a maior parte das lavouras do alimento no Paraná (29% do total).

Willian Paulo Kasperzak, 59 anos, planta feijão há quase 40 anos. Anualmente, uma área de 450 hectares é dedicada ao cultivo. “Nessas décadas de dedicação à agricultura, em termos de tecnologia e produtividade, posso dizer que melhorou bastante. Mas a rentabilidade tem caído muito, o que obriga a buscar o máximo de produtividade para poder sair um pouco de renda”, analisa. “No caso do feijão, tem que haver um incentivo para que se consuma mais, melhorar um pouco as variedades, pois ainda é um cultivo suscetível a algumas doenças. E tem o custo de produção. As máquinas têm muito mais tecnologia embarcada, mas também estão muito mais caras do que antigamente”, completa.

Os produtores paranaenses são ainda os que mais produzem trigo no Brasil, em 2017 foram 2,3 milhões de toneladas. A região de Londrina, segundo o Censo Agropecuário, foi a que concentrou o maior volume colhido dois anos atrás, com 28% do total.

O londrinense Maurício Okimura, 54 anos, dedica parte de suas terras ao cultivo. Para ele, não se pode avaliar a cultura isoladamente, mas de forma complexa o papel do cereal nos sistemas de cultivo. “No último ano mesmo, foi fraca a produção de trigo aqui, pois tivemos problemas climáticos sérios. Mas se colocar na ponta do lápis, a soja plantada em cima do trigo, é uma área limpa, sem erva-daninha. É muito diferente do que plantar em uma área que tinha milho, por exemplo, que exige muito mais controle e gastos”, compartilha.

Metodologia e datas de referência

O Censo Agropecuário 2017 visitou mais de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários em todo o Brasil. Foram mais de 20 mil recenseadores envolvidos, que foram responsáveis por visitar cada propriedade, registrar coordenadas, aplicar questionários e armazenar informações em seus dispositivos móveis de coleta. Todos os trajetos dos recenseadores estão disponíveis para consulta no site do IBGE e podem ser baixados e vistos por meio do Google Earth.

Além disso, o instituto também disponibiliza em seu site informações como logradouros, CEP, pontos de referência, latitude e longitude de propriedades rurais cadastradas pelos recenseadores.

A data de referência do Censo Agropecuário 2017 foi o dia 30 de setembro de 2017, relacionada às informações sobre pessoal ocupado, estoques, efetivos da pecuária, da lavoura permanente e da silvicultura, entre outros dados estruturais. Para o período de referência, ao qual foram relacionados todos os dados sobre a propriedade, a produção, área, volume de trabalho durante o ano, etc., adotou-se o intervalo de 1º de outubro de 2016 a 30 de setembro de 2017. No Censo Agropecuário 2006, o período de referência foi o ano de 2006: de 1º de janeiro a 31 de dezembro daquele ano, e a data de referência, o dia 31 de dezembro de 2006.

Informações ajudam a calibrar políticas públicas

As histórias dos produtores mostram que o agronegócio do Paraná é destaque em diversas cadeias, como soja, milho, trigo, feijão, leite, frango, suínos, bovinos e tantas outras. E muito desse sucesso só pôde ser alcançado porque produtores, líderes rurais, políticos, empresários e tantos outros tiveram em suas mãos informação de qualidade para embasar suas decisões.

“O Censo Agropecuário é uma ferramenta para situarmos cada cadeia, compreender as mudanças que ocorrem e obter informações sobre suas estruturas, dinâmicas e produção. Essas informações possibilitam planejamento, monitoramento e avaliação de políticas públicas e são uma base sólida para nosso desenvolvimento e tomada de decisões no mercado agropecuário”, sinaliza o presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette.

Essa trajetória de sucesso alcançada pelo agro do Estado elevou o Paraná à uma potência agrícola com um dos sistemas de produção mais dinâmicos do mundo. “Para quem faz gestão pública, ou para quem pretende fazer investimentos privados de qualquer tamanho, sempre é bom ter ótimas informações. A informação é boa para calibrar políticas, planejar ações públicas e privadas. Sem elas, é chute”, reconhece o secretário de Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara.

Divulgação no Paraná

O fato de o Paraná ter um dos sistemas produtivos mais diversificados do Brasil fez o IBGE escolher o Palácio Iguaçu, em Curitiba, como local para a divulgação nacional do Censo Agropecuário, no dia 25 de outubro. “O Censo dedica todo um esforço para retratar a realidade, que mudou de forma dinâmica nesses últimos anos. E o próprio Censo também foi dinâmico. Tivemos coleta de dados digitalizada, uma sofisticação tecnológica para acompanhar os trajetos dos servidores ao longo dessa operação. Foi muito interessante para mapear esse setor e o seu funcionamento”, destacou Suzana Cordeiro Vera, presidente do IBGE, no evento de divulgação dos números.

Na ocasião, o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Júnior, também alertou para a relevância de se disponibilizar dados para a tomada de decisões. Júnior lembrou que o Estado é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mesmo com pouco mais de 2% do território nacional, e chegou a esse patamar porque houve pessoas na história que não aceitaram pegar qualquer caminho. “Somos o maior produtor de proteína animal do país, um dos maiores de grãos, e não só em volume, mas também em diversidade. Nossa vocação é produzir alimento ao planeta, com uma diferença: nós fazemos uma agricultura verde e sustentável”, apontou.

Leia a matéria completa no Boletim Informativo.

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Paraná é o principal produtor e exportador de carne de frango para a China

O frango produzido no Paraná tem chegado à mesa dos chineses em um volume cada vez maior, a ponto de o estado se firmar como o principal fornecedor de cortes congelados ao gigante asiático. Hoje, quase 85% dos produtos avícolas que a China importa sai de portos brasileiros. Mais da metade diz respeito a aves produzidas, abatidas e embarcadas no Paraná. E mais: os volumes e a receita, que vêm aumentando, tendem a fechar 2019 em patamares recordes.

No ano passado, o Brasil exportou o equivalente a US$ 799 milhões em cortes de frango à China. Neste ano, em apenas oito meses, o país já está perto de superar essa marca: foram US$ 738 milhões exportados, até agosto. Líder absoluto nos embarques de frango aos chineses, o desempenho do Paraná é ainda mais positivo. Só nos oito primeiros meses de 2019, o Estado já embarcou U$$ 371,5 milhões, o que corresponde a 14% a mais da receita obtida nos 12 meses de 2018.

Com essas cifras, o Paraná se consolida, hoje, como o responsável por mais da metade (mais precisamente, por 50,34%) da carne de frango que sai dos portos brasileiros com destino à China. Isso significa que o estado tem peso duas vezes e meia maior que Santa Catarina, segundo colocado no ranking brasileiro. O estado vizinho responde por 21,81% dos embarques de produtos avícolas ao país asiático.

“O Paraná é o principal produtor e exportador de carne de frango para a China, assumindo uma posição de destaque, em uma relação comercial muito importante. Hoje, 21% do frango que o Paraná produz vão para a China. Segundo principal destino, a Arábia Saudita, por exemplo, é o destino de 9,8% do que a avicultura do nosso Estado exporta”, observa Luiz Eliezer Ferreira, técnico do Departamento Técnico Econômico (DTE) da FAEP.

ESCALA CRESCENTE 

Esse aumento das importações de carne de frango da China está relacionado, principalmente, a questões sanitárias. O país asiático enfrenta um surto de peste suína africana, que dizimou mais de 7 milhões de cabeças em toda a Ásia. Para compensar, os chineses têm ampliado as compras de proteína animal, seja de aves, suínos ou bovinos. Por outro lado, o gigante asiático atravessa um bom momento do ponto de vista econômico. A China é considerada a segunda maior economia do mundo, com um PIB (Produto Interno Bruto) de mais de 12 trilhões de dólares.

“Estamos com ótimas perspectivas para o frango brasileiro e, por consequência, para a avicultura do Paraná. A peste suína africana fez com que China venha aumentando as compras, fomentando um cenário positivo para as proteínas, de modo geral”, aponta Ferreira. “Leva um tempo até eles reporem o plantel. E a carne de frango tem uma vantagem: a ave está pronta para o abate em 45 dias. Na suinocultura, o período é de seis meses. A China é um ótimo mercado e temos que aproveitar o momento”, acrescenta.

TENDÊNCIA

Os dados indicam que o aumento não se trata de um fenômeno pontual, mas de uma tendência. Desde 2013, as exportações de cortes de frango para o Paraná vêm crescendo ano a ano, tanto em volume embarcado, quanto em receita. A exceção foi 2016, quando ocorreu o pico, em que o Estado enviou à China o equivalente a 378,5 milhões de dólares.

“O ano de 2016 foi atípico, porque uma série de fatores [como problemas de sanidade, câmbio desvalorizado e crise no setor produtivo chinês] fez com que a China aumentasse muito as importações. Por isso, em 2017, as vendas do Paraná para os chineses retornaram a um patamar mais real, mas voltaram a subir nos anos seguinte, consolidando o aumento da importância deste mercado”, aponta Ferreira. Outro ponto reforça que, cada vez mais, o frango produzido no Brasil deve alimentar os chineses. Em setembro, seis novos frigoríficos brasileiros terem sido habilitados para exportar cortes ao país asiático. Quatro dessas plantas estão estabelecidas no Paraná.

Paraná livre da vacina contra febre aftosa

O Paraná está, oficialmente, livre da vacinação contra a febre aftosa. Em solenidade realizada no Palácio Iguaçu, sede do governo do Estado, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, assinou a Instrução Normativa (IN) que, a partir de 31 de outubro, proíbe a manutenção, comercialização e o uso de vacinas contra a doença em terras paranaenses. Com o fim da imunização, o Paraná dá mais um passo definitivo em direção ao reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação.

Primeiro a discursar, o presidente da FAEP, Ágide Meneguette, destacou que a consolidação do sistema sanitário do Paraná é resultado de décadas de um trabalho integrado, entre os setores público e privado. O líder agropecuarista apontou que o reconhecimento internacional do Estado como área livre de febre aftosa sem vacinação vai trazer boas perspectivas não só para o agronegócio, mas para a economia do Paraná.

“É o coroamento de décadas de trabalho no enfrentamento dessa enfermidade que é emblemática, e é a garantia que o nosso sistema de defesa sanitário”, ressaltou Meneguette. “Com esse esforço conjunto, o Paraná se credencia como fornecedor de alimentos, mas de alimentos seguros. Nossos produtores abastecem boa parte do mercado interno e já têm uma importante projeção nas exportações. Estamos dando um passo em direção a mercados internacionais. Precisamos gerar empregos e riquezas, para termos paz social”, acrescentou.

Para Tereza Cristina, o modelo desenvolvido pelo Paraná é um “atestado de credibilidade para o mundo inteiro”, confirmando posição de protagonismo no setor agropecuário. Ao estar mais perto do novo status sanitário, o Estado inicia “uma nova etapa fantástica” de conquista de novos mercados. A ministra disse ainda que o caso do Paraná deve servir como estímulo para que outros Estados também invistam em seu sistema sanitário.

“O Paraná fez todo o dever de casa. Esse é o início, o primeiro passo. Ainda temos outros passos para dar, mas o Paraná inaugura uma nova era de sanidade e sustentabilidade, trazendo a qualidade para os seus produtos”, ressaltou Tereza Cristina. “Que o Paraná sirva de exemplo ao Brasil em sanidade, porque em várias coisas, vocês saíram na frente”, acrescentou.

O secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara, classificou o fim da vacinação como “o começo de uma nova história”, mas que vem muito trabalho pela frente. Ele ressaltou a necessidade de o pecuarista fazer a atualização do rebanho (leia mais abaixo) e apontou que o a nova etapa deve beneficiar não só a bovinocultura, mas outras cadeias relacionadas à produção de proteína animal.

“Estamos substituindo a vacinação por outros mecanismos de inteligência para monitoração sanitária. O nosso objetivo sempre foi evoluir, buscar mais espaço no mercado internacional. Vamos crescer”, vislumbrou. “O simples fato de estarmos vacinando o rebanho nos impedia de disputarmos 63% do mercado mundial de suínos. Agora, nós vamos poder disputar esse mercado. Vamos trazer dólar do mundo para o Brasil”, disse.

Para o governador do Paraná, Carlos Massa Júnior, a suspensão da vacinação contra aftosa pode ser entendida como “uma construção coletiva, com toda a sociedade civil organizada”. Animado, ele traçou uma meta ousada: que o Paraná se torne o principal produtor de alimentos do mundo.

“O agro é nossa prioridade. A nossa vocação é produzir alimentos para o planeta. Estamos nos preparando cada vez mais para isso. É um momento histórico. Viva o Paraná, viva o Brasil, viva a agricultura”, afirmou.

Contagem regressiva para o fechamento das fronteiras

A IN também fixou data para que o Paraná feche suas fronteiras sanitárias: a partir de 1º de janeiro de 2020. Na prática, isso significa que a o governo do Paraná terá que editar normas que controlem e restrinjam a entrada no Estado de animais vacinados contra a febre aftosa. Com isso, bovinos e bubalinos para cria, recria e engorda que provenham de unidades da federação que imunizam seu rebanho contra a doença ficarão proibidos de entrar no Paraná.

Para abate imediato, a nova norma permite o transporte de bovinos e bubalinos provenientes de Estados que praticam vacinação, desde que a carga esteja lacrada. Não há restrições em relação ao transporte de produto animal de outras unidades da Federação.

A partir do fim da vacinação e do fechamento da fronteira, o Paraná passa a ficar isolado sanitariamente do restante do país, no que diz respeito à febre aftosa. Com isso, em maio de 2020 – quando a última aplicação de vacinas contra a febre aftosa no Estado terá completado um ano –, o Mapa deve fazer um inquérito sorológico no rebanho paranaense, a fim de constatar que não há circulação viral no território.

Com essa confirmação laboratorial, então, o Ministério poderá pedir à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) que reconheça o Paraná como área livre de aftosa sem vacinação. Com os parâmetros técnicos dentro das exigências internacionais, a conquista do novo status sanitário deve ser oficializada em assembleia-geral da OIE, realizada em maio de 2021.

“É um momento de transição histórico, em que se inicia uma fase, uma fase de mudança de conceito, em que a vacinação é substituída por outras ferramentas de vigilância e de controle da febre aftosa”, disse o gerente de saúde animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias.

Fiscalização

Para garantir que bovinos e bubalinos de Estados que vacinam o rebanho não cheguem ao território paranaense, o Paraná consolidou uma barreira sanitária, que conta com 33 Postos de Fiscalização de Transporte Animal (PFTA) e cinco postos federais. O último ponto desta rede, o PFTA de Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba, na BR-116, que deve ser concluída até o fim de novembro.

Todos os caminhões que transportem animais e que venham de outros Estados deverão, necessariamente, passar por um desses postos. Na abordagem, a carga será vistoriada e conferida, de acordo com os registros. Nos postos estaduais, a fiscalização será feita pela Agência de Defesa Agropecuária (Adapar). As polícias rodoviárias Federal (PRF) e Estadual (PRE) também estão autorizadas a parar veículos que transportem cargas animais em estradas do Paraná, cobrando que os motoristas comprovem que passaram por um PFTA.

Dados da Adapar e da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) apontam que o volume de bovinos transportados para o Paraná, advindos de outros Estados, é ínfimo em relação ao tamanho do rebanho estadual. Nos últimos três anos, a média de transporte foi de 100 mil cabeças, o que corresponde a 1,08% do total de bovinos registrados no Paraná. No mesmo período, os pecuaristas paranaenses enviaram para outras unidades da federação uma média anual de 40 mil cabeças – 0,45% do rebanho oficial.

O levantamento revela que das mais de 179,1 mil propriedades que alojam bovinos, apenas 746 (0,45%) recebem animais de outros Estados. O estudo demonstra, ainda, que “50% das movimentações relacionadas a ingressos de bovinos se concentram em apenas 30 produtores rurais, tornando mais evidente a afirmação de que o maior volume de animais que entra no Estado pertence a um pequeno número de produtores rurais”. O documento conclui que “a maioria dos produtores não será afetada com a retirada da vacina”.

Outras determinações

A IN do Ministério da Agricultura também impõe algumas restrições à entrada de suínos, ovinos e caprinos em território paranaense. Essas espécies não são vacinadas contra a febre aftosa, mas são suscetíveis à doença. Para cria, recria e engorda, esses animais terão entrada permitida, desde que haja autorização prévia da Adapar e do Mapa. Além disso, o lote precisa passar por um período de quarentena na origem e por alguns exames.

Caminhões que transportam suínos, ovinos e caprinos de outros Estados e destinados ao abate imediato poderão transitar sem autorização prévia. Além disso, a nova norma fixa a obrigatoriedade de atualização de todo o rebanho duas vezes por ano (maio e em novembro) no sistema online ou na forma presencial.

Setor privado colaborou na estruturação do sistema sanitário

A conquista do novo status sanitário é resultado de um longo caminho, iniciado na década de 1970, quando o Paraná começou seu programa de profilaxia e controle da febre aftosa. A participação da iniciativa privada no processo de estruturação do sistema sanitário paranaense sempre foi decisiva. De 1997 para cá, o Sistema FAEP/SENAR-PR investiu mais de R$ 40 milhões no desenvolvimento sanitário do Paraná, em uma série de ações, como treinamentos, divulgações de programas e implementação de boas práticas, além da capacitação de técnicos e produtores, viagens técnicas e acompanhamento de organismos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e Comissão Sul-Americana para a Luta Contra a Febre Aftosa (Cosalfa).

Muito desta ação bem-sucedida está diretamente relacionada ao Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Paraná (Fundepec). Criado em 1995, o fundo é uma sociedade civil sem fins lucrativos, formado por entidades representativas, como FAEP, Ocepar e sindicatos de produtores de diversas cadeias. A partir de uma série de convênios, o Fundepec vem garantindo respaldo financeiro e institucional a uma série de ações sanitárias e na defesa dos produtores. Hoje, por exemplo, o fundo dispõe de mais de R$ 78 milhões em caixa, para eventuais emergências sanitárias e/ou para indenizar pecuaristas, caso sejam necessários abates sanitários, ante eventuais casos de doenças.

“Essa consolidação sanitária ocorrida ao longo das últimas décadas só foi possível a partir da criação do Fundepec e com a participação do setor produtivo. Foram essas ações que trouxeram o Paraná ao patamar em que estamos hoje”, disse o diretor-executivo do Fundepec, Ronei Volpi.