Paraná deve ter safra de grãos com 24,1 milhões de toneladas

O agronegócio paranaense está se aproximando do recorde na safra de grãos. Segundo relatório do Deral (Departamento de Economia Rural), a produção no estado deve chegar a 24,1 milhões de toneladas no ciclo 2019/2020, número 22% superior ao registrado no ano passado.

Somente a produção de soja deve alcançar 20,4 milhões de toneladas, 700 mil toneladas a mais do que no último levantamento. Esse crescimento equivale a uma produtividade de duas sacas a mais por hectare. Já a safra de milho verão deve ficar na casa dos 3,3 milhões de toneladas

Para o secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara, caso a safra de inverno não registre problemas e ultrapasse os dois milhões de toneladas esperadas, a tendência é a produção total de grãos no Paraná ultrapasse as 40 milhões de toneladas totais, valor próximo ao recorde histórico do estado.

“Elevamos em mais de 50 mil toneladas do que tínhamos divulgado na estimativa de janeiro deste ano, de tal forma que a safra de verão-outono também cresce no Paraná. Assim, contando com a safra de inverno, a expectativa de safra pode ficar acima de 37 milhões de toneladas”, explica o chefe do Deral, Salatiel Turra.

SOJA PERTO DO RECORDE HISTÓRICO

Motivado pelos bons preços, os agricultores estão passando pelo atraso no início do plantio e conseguindo uma produtividade acima da média estimada. Os 20,4 milhões de toneladas esperadas registrarão recorde na produção estadual, ultrapassando o ciclo 2016/2016, quando foram colhidos 19,9 milhões de toneladas

Cerca de 30% da produção estimada já está comercializada, com preços que pagam R$ 77,00 pela saca de 60 kg, R$ 8,00 a mais do que no ano passado. Até o momento, já foram colhidas 22% da área de soja no Paraná, número abaixo dos anos anteriores após o início atrasado no plantio.

Adapar - concurso público - agronegócio - Paraná

Adapar abre concurso público para reforçar vigilância sanitária no Paraná

O agronegócio é um dos motores da economia paranaense e às vésperas de conseguir o status livre da febre aftosa, a Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná) fará concurso público para a contratação de 80 funcionários.

Autorizado pelo governador Ratinha Junior, o concurso irá selecionar 50 técnicos agropecuários e 30 médicos veterinários. As inscrições abrem no dia 2 de março e se encerram no dia 2 de abril e podem se feitas pelo site http://www.cebraspe.org.br/concursos/adapar_pr_20.

Será aplicada uma prova objetiva para os candidatos no dia 10 de maio. Os valores de inscrição são R$ 70 para técnicos e R$ 100 para nível superior.  Atualmente, a Adapar tem 237 médicos veterinários e 245 técnicos agrícolas.

REFERÊNCIA NACIONAL

As contratações têm como objetivos manter o reconhecimento internacional sanitário do setor de produção animal, mantendo doenças como brucelose, tuberculose e raiva afastadas das matrizes do estado. Além disso, manter o status do Paraná livre da febre aftosa sem vacinação e da peste suína clássica também são fundamentais para as exportações dos frigoríficos estaduais.

“Na medida em que mantivermos a sanidade do rebanho, novos mercados se abrirão para o Paraná, que hoje já é o maior produtor de proteína animal do Brasil, o que beneficia todos os produtores, independentemente do tamanho da propriedade e do rebanho.”, explicou o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara.

Já o o diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins, destacou o trabalho feito pelo poder público estadual em manter a referência sanitária do estado internacionalmente.

“Esse é mais um passo que o Estado dá sinalizando para o governo federal e para a Organização Mundial da Saúde Animal que o Paraná trabalha fortemente não apenas para conquistar o status de livre da febre aftosa sem vacinação, mas para manter vigilância permanente sobre qualquer doença que possa atingir o rebanho”, finalizou Martins.

a garantia de um bom trabalho na manutenção da sanidade animal no Estado tem como uma das premissas a renovação dos quadros do órgão.

coopavel 2020 CASE e JMalucelli no Show Rural Coopavel

Show Rural Coopavel 2020: equipamentos de construção estão no campo

Iniciando o calendário de eventos voltados ao agronegócio, a CASE Construction Equipment, marca da CNH Industrial, junto ao seu concessionário para o Sul do país, JMalucelli Equipamentos, traz ao Show Rural Coopavel 2020, os equipamentos de construção que impulsionam também os negócios no campo.

De 3 a 7 de fevereiro em Cascavel, (PR), no estande da Case IH, a CASE expõe aos visitantes a retroescavadeira 580N, a pá carregadeira 621E e escavadeira CX220C e a minicarregadeira SR200.

Segundo Maurício Moraes, Gerente de Marketing da CASE para América do Sul, a versatilidade e a potência são algumas das vantagens que tornam os equipamentos ideais para quem busca a produtividade no dia a dia dos plantios e lavouras.

“As máquinas de construção são importantes aliadas do agronegócio, pois elas garantem a alta capacidade em aplicações de infraestrutura bem como nos processos de carregamento, no preparo do solo e também na área produtiva. Boa porcentagem das nossas vendas são deste segmento e por isso, fazemos questão de nossa participação na Coopavel que é a estreia nos grandes eventos do setor, reforçando sempre e cada vez mais a nossa sinergia com a Case IH”, completa.

MÁQUINAS

Líder de vendas, a retroescavadeira CASE 580N tem motor CASE/FPT MAR-I/Tier 3 com 85 hp de potência bruta e peso operacional de 7,858 kg. Com tração 4×4, o modelo é reconhecido por suas múltiplas aplicações, que vão da construção civil, à indústria e agricultura.

Já a pá carregadeira CASE 621E se destaca pela economia no consumo de combustível: o motor eletrônico da CASE/FPT N67 Mar-I/Tier3 dispõe de duas curvas de potência e dois modos de trabalho (standard e econômico). O modo econômico garante até 10% de economia de combustível em relação à versão standard.

A escavadeira hidráulica na faixa de 20 toneladas detém a metade do mercado brasileiro no segmento pela versatilidade. A CASE CX220C de 22.145 kg e motor CASE/FPT de 147,8 hp, conta com desempenho e produtividade de destaque, operando tanto em serviços leves quanto em minerações e escavações de médio porte.

A minicarregadeira CASE SR200, também chamada de Skid tem diversas aplicações na construção, na indústria e no agronegócio. Por ser compacta, a máquina é indicada para lugares com limitação de espaço e oferece alta produtividade e baixo custo operacional. O equipamento pode ser utilizado com uma vasta gama de implementos, como caçamba, garfo pallet, rompedor hidráulico e vassoura e tem como vantagem o baixo consumo de combustível e a facilidade de operação.

Show Rural Coopavel 2020
Divulgação

JMalucelli Equipamentos– Concessionária CASE para o Sul do Brasil

A empresa está em operação desde 1993 firmando-se como destaque em recordes de vendas no Brasil. Com uma equipe comercial ágil, forte e bem treinada, possui grande capacidade de identificar mercados promissores. O eficiente desempenho firmou a JMalucelli Equipamentos no mercado paranaense e também nos outros estados do Sul do Brasil.

A CASE Construction Equipment

Comercializa e dá suporte a uma linha completa de equipamentos de construção ao redor do mundo, detentora de um portfólio completo de escavadeiras hidráulicas, motoniveladoras, pás-carregadeiras, tratores de esteira, mini carregadeiras e retroescavadeiras, inclusive a CASE foi a fabricante da primeira retroescavadeira em 1957. Por meio dos revendedores CASE, os clientes têm acesso a um verdadeiro parceiro comercial com equipamentos de classe mundial, líderes de mercado, com suporte de pós-vendas, garantia de qualidade e financiamento flexível.

A CASE é uma marca da CNH industrial NV, líder mundial em bens de capital listada na New York Stock Exchange (NYSE: CNHI) e no Mercato Telematico Azionario da Borsa Italiana (MI: CNHI).

bovinos animais carne

Fogo na Austrália pode favorecer carne brasileira

Os incêndios na Austrália afetam a produção de carnes no país, o que deve abrir espaço para novo salto de exportações do Brasil, após o crescimento da demanda causado pela peste suína africana.
Estima-se que as queimadas tenham matado pelo menos 56 mil cabeças de gado nos estados de Nova Gales do Sul, Vitória e Austrália do Sul, os maiores produtores e também os mais afetados pelo fogo.

Enquanto fazendeiros e autoridades ainda concentram esforços na recuperação dos estragos e calculam as perdas totais para o setor -o que deve levar meses-, especialistas projetam um cenário desafiador em 2020 e, possivelmente, para anos subsequentes. Do outro lado do mundo, o Brasil aparece como provável substituto temporário para preencher as lacunas de um grande cliente em comum entre os dois países: a China.

O país asiático ampliou a importação de carne nos últimos anos por causa da peste suína africana, que mata de 80% a 100% dos porcos infectados e segue se alastrando. Recentemente, foram identificados os primeiros casos na Polônia.

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), mais de 1 milhão de porcos foram abatidos do início da epidemia na China, em 2018, até o começo deste mês. Em 2019, a China quebrou recordes na importação de carne de gado da Oceania.

A Associação de Carne e Pecuária da Austrália (MLA, sigla em inglês), entidade que compila os números do setor, afirma que a China importou mais que Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos, países que estão no topo da lista de compradores há décadas.

No ano passado, mais de 300 mil toneladas de carne bovina australiana foram enviadas para o país asiático, o que corresponde a um aumento de 84% na comparação com 2018. “A demanda por carne vermelha da Austrália continua sendo extremamente forte. Conforme as projeções para 2020, a Austrália terá de produzir mais de 2 milhões de toneladas de carne bovina, sendo 70% destinado à exportação”, avalia Scott Tolmie, gerente de inteligência de mercado da MLA.

Com os incêndios florestais, não há certeza de que conseguirá suprir a demanda. Conforme dados da MLA, aproximadamente 80 mil propriedades destinadas à pecuá- ria estão nas áreas atingidas pelas queimadas, no sudeste da Austrália.

A entidade estima que 9% do rebanho de gado nessa região tenha sido impactado e outros 11% estão em locais parcialmente atingidos pelo fogo. Além da morte de animais, também houve um prejuízo gigantesco na área de pastagem entre os mais de 6 milhões de hectares carbonizados. Com isso, a tendência é que a venda de um dos principais produtos da Austrália, o corte “grass fed”, que significa alimentação do gado unicamente à base de pasto, também possa ficar abaixo do esperado em 2020.

“Trata-se de um período terrível para criadores de gado e outros animais, principalmente porque tudo aconteceu logo depois de meses enfrentando uma seca. Como ainda não sabemos o impacto real do fogo à pecuária, nosso foco imediato está voltado à assistência aos produtores rurais que perderam tudo”, afirma Tolmie.

Matthew Dalgleish, analista sênior da consultoria de agronegócio australiana Mercado, acredita que secas duradouras, queimadas frequentes e inundações serão cada vez mais fortes na Oceania, forçando pecuaristas a serem mais resilientes às condições climáticas extremas.

“Não tenho certeza se as mudanças climáticas que estamos vivenciando seja o novo normal, mas suspeito que sim”, afirma.

“Acredito que, além das queimadas, a peste suína africana e seus impactos na disponibilidade de proteína na China continuarão sendo um dos maiores impulsionadores de crescimento da exportação de carnes do Brasil e outros países para a China.”

Por sua vez, o Brasil, como um dos maiores exportadores de carne do mundo, também presenciou um aumento significativo na demanda chinesa em 2019, bem como os vizinhos Argentina e Uruguai.

O país exportou cerca de 840 mil toneladas de carne bovina para China e Hong Kong em 2019, o que representa aproximadamente 13% a mais que em 2018 e 44% do número total de exportações, conforme dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

“A Abrafrigo acredita que as condições favoráveis ao Brasil no mercado internacional devam permanecer em 2020, com a China mantendo um patamar elevado de importações. E agora com um novo componente, que são as queimadas que atingem Austrália, um dos maiores participantes do setor no mundo, e ainda com as atraentes cotações do dólar no Brasil para os exportadores”, divulgou a entidade, em nota.

Jair Bolsonaro - terras de grilagem - reforma agrária - indígenas - quilombolas

Bolsonaro anistia grilagem e estaciona reforma agrária e novas áreas indígenas

Fiel ao discurso de campanha e aos ruralistas, o presidente Jair Bolsonaro assinou, em dezembro, medida provisória que abre caminho para a legalização de terras griladas, principalmente na Amazônia. Também congelou a reforma agrária e as demarcações de terras indígenas e quilombolas neste primeiro ano de governo.

Em 10 de dezembro, Bolsonaro assinou a medida provisória 910, que dá espaço para a privatização de terras públicas invadidas ilegalmente até o final de 2018. Para virar lei, é preciso aprovação no prazo máximo de 120 dias pelo Congresso, onde terá o apoio da bancada ruralista.

É a segunda anistia à grilagem dos últimos anos. Em 2017, o governo Michel Temer (MDB) já havia estendido o prazo para a regularização de terras públicas invadidas de 2004 para 2011.

A nova MP ainda estabelece que o Incra (órgão federal de terras) não exigirá vistoria prévia para regularizar imóveis de até 15 módulos fiscais (de 75 hectares a 1.650 ha, dependendo do município). O limite anterior era de 4 módulos fiscais (20 ha a 440 ha).

O governo afirma que a medida beneficiará 300 mil famílias instaladas em terras da União, principalmente em projetos de reforma agrária. Assegura também que fará vistoria caso o imóvel esteja embargado por infração ambiental ou tenha suspeita de outras irregularidades.

Apesar do discurso oficial de que as mudanças favorecem o pequeno produtor, a MP 911 foi criticada por organizações que defendem a reforma agrária, como a CPT (Comissão Pastoral da Terra), e elogiada por entidades ligadas ao agronegócio, caso da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Para a CPT, a MP fortalece a aliança de Bolsonaro com o agronegócio ao mesmo tempo em que não inclui a demarcação de terras, um dos principais focos de conflitos.

No documento “Perspectivas 2020”, a CNA afirma que a medida vai aumentar a segurança jurídica dos produtores que atuam na Amazônia Legal. A entidade também espera que Bolsonaro avance em sua promessa para criar legislação que permita agricultura mecanizada e pecuária em terras indígenas.

Membro do Grupo de Trabalho Terras Públicas e Desapropriação, do Ministério Público Federal, o procurador da República Marco Antonio Delfino diz que “a MP 910 é o maior presente do Natal para os grileiros de todos os tempos”.

“Nunca houve nada tão escandaloso, nada que fizesse tão jus ao mantra de que o crime compensa do que a MP 910”, diz Delfino, lotado em Dourados (MS), região com o maior número de disputa de terras entre indígenas e fazendeiros. “Tanto do ponto de vista conceitual quanto de dano ao patrimônio, nunca houve algo nessa escala.”

Delfino cita a possibilidade de pagar terras públicas invadidas com preços de até 40% do valor de mercado e linhas de crédito para quem for regularizado pelas novas regras. Isso porque o valor é calculado pela tabela do Incra, bem abaixo do mercado de terras.

Com relação ao crédito, Delfino afirma que, como os títulos são concedidos com cláusulas resolutivas (a escritura é emitida antes do pagamento total), o imóvel poderá ser usado como garantia para empréstimos bancários.

“Quantos brasileiros com imóveis financiados têm a possibilidade de usá-los como garantia bancária? Nenhum. Mas o grileiro vai poder usar uma propriedade que não foi consolidada”, compara.

“A pergunta que se faz é óbvia: e se não pagar? Aí a população fica com duplo prejuízo: desmatamento e perda de biodiversidade e dano ao erário.”

Enquanto a anistia à grilagem avança, os projetos federais de assentamento estão parados no Incra.

Documento do Incra obtido pela reportagem traz 289 processos de desapropriação para reforma agrária com futuro incerto, alguns que se arrastam desde 1997. O governo federal emitiu Títulos da Dívida Agrária (TDA), usados para indenizar os proprietários, mas a disponibilização para reforma agrária depende da indenização das benfeitorias, à parte.

Esses imóveis somam 478 mil hectares, com capacidade para abrigar 15.692 famílias. Para pagar as benfeitorias, seria preciso desembolsar R$ 164,7 milhões. Sem isso, o Incra não obtém a imissão na posse, concedida pela Justiça e necessária para iniciar projetos de reforma agrária.

Em 2020, esse quadro não deve mudar, já que a previsão orçamentária do Incra para aquisição de terras é de R$ 12,3 milhões.

O órgão informou que a obtenção de imóveis está paralisada devido à “insuficiência orçamentária, conforme decisão da presidência do Incra em 27 de março deste ano”.

Segundo a nota, a medida evita “expectativas de compromissos que podem não ser atendidos” e que o prosseguimento das aquisições “está condicionado à disponibilidade orçamentária”.

Além disso, conforme a Folha de S.Paulo revelou em novembro, o Incra dispõe de 66 projetos de assentamento para reforma agrária, mas nenhuma família foi regularizada nesses locais em 2019. Somados, eles têm capacidade para abrigar 3.862 famílias.

Sobre esses projetos de reforma agrária, o Incra também citou restrições orçamentárias, mas afirmou que o processo de assentamento seria retomado em 2020.

Com apenas R$ 39 milhões para a consolidação de assentamentos rurais, o orçamento do Incra não indica retomada. Levando em conta o custo médio de R$ 61,8 mil por família (valor de 2014, o ano mais recente disponível no site), seriam assentadas 631 famílias.

A reportagem pediu entrevistas com o presidente do Incra, Geraldo José de Melo Filho, e com o ouvidor agrário nacional, ocupado interinamente por Cláudio Braga, mas a assessoria de imprensa do órgão disse que eles não se pronunciariam.

Ligado ao agronegócio, Melo Filho está no cargo desde outubro. Seu antecessor, o general João Carlos Jesus Corrêa, foi demitido por pressão do secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, o ruralista Nabhan Garcia. Ele defende a desistência dos processos de desapropriação para reforma agrária, proposta que sofria resistência do militar.

De janeiro até 13 de dezembro, o Incra afirma ter homologado 5.132 famílias como beneficiárias da reforma agrária. Trata-se do terceiro número mais baixo dos últimos 25 anos e se refere a processos antigos de regularização.

Já a demarcação de terras indígenas e quilombolas foi zero em 2019. Bolsonaro tem reiterado que não assinará nenhuma criação de terra indígena, em outra decisão alinhada com a bancada ruralista.

O presidente chegou a tentar transferir a demarcação de terras da Funai (Fundação Nacional do Índio) para o Ministério da Agricultura, mas a mudança foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal. O órgão indigenista está sob o comando do delegado da Polícia Federal Marcelo Xavier da Silva, apadrinhado de ruralistas.

“Antes, o processo de demarcação era técnico, mas a decisão de demarcação era política”, afirma Delfino. “Agora, há uma politização do processo inteiro. É um movimento para colocar pessoas sem experiência, que não são antropólogos. A ideia é desmontar o processo desde o início.”

vinhos - Mapa - uva - Instrução Normativa

Mapa unifica normas para fiscalização de vinhos nacionais e importados

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) decidiu unificar critérios e parâmetros para fiscalização e controle de vinhos e derivados da uva, nacionais e importados. O Diário Oficial da União publicou hoje(2) a Instrução Normativa.

De acordo com nota do ministério, “o consumidor terá produtos com mais qualidade e segurança à saúde”. Conforme o Mapa, a norma organiza a aplicação de medidas fiscais e também é boa para produtores e importadores, pois aumenta “a previsibilidade dos processos de fiscalização e controle de importação, exportação e também da produção nacional”.

Conforme o Mapa, a nova instrução normativa atende “o rigor e as exigências semelhantes aos demais países com os quais o Brasil comercializa vinhos e bebidas” e “harmoniza o tratamento dado a importações nos pontos de ingresso no país”.

Os vinhos e derivados da uva e do vinho são regulamentados pela Lei nº 7.678/1988, regulamentada pelo Decreto n° 8.198/2014.

Emendas parlamentares garantem R$ 154 milhões à agricultura familiar

A Secretaria da Agricultura e Abastecimento prepara para o início de 2020 a entrega de equipamentos e veículos adquiridos com recursos de quatro emendas parlamentares da bancada federal do Paraná. As emendas somam R$ 154,50 milhões – dos quais R$ 7,2 milhões em contrapartida do governo estadual.

Essas emendas vão beneficiar em torno de 13.400 agricultores familiares do Paraná. Equipe técnica do Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável (Deagro) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento analisa os convênios e prepara as licitações para compra de equipamentos.

Outra emenda parlamentar da bancada federal, no valor de R$ 57,9 milhões, está prevista para ser executada em 2020. Ela permitirá a compra e repasse às prefeituras de mais tratores, máquinas, veículos e caminhões para obras de melhoria e manutenção de estradas rurais.

PECUÁRIA LEITEIRA 

A primeira emenda, de autoria do deputado federal Felipe Francisquini, visa estimular a pecuária leiteira praticada pela agricultura familiar de oito municípios – Alto Piquiri, Piên, Andirá, Porecatu, Primeiro de Maio, Reserva, Salgado Filho e Terra Roxa. Serão investidos R$ 1,59 milhão na compra de oito conjuntos de equipamentos, que vão compor a Patrulha do Leite.

Os conjuntos serão compostos por uma ensiladeira, uma carreta agrícola e um trator, devendo beneficiar cerca de 400 produtores.

Esse projeto visa apoiar os agricultores familiares para que sejam incluídos no mercado formal. Para isso, os agricultores beneficiários podem se profissionalizar com foco em qualidade, volume de produção, competitividade e responsabilidade ambiental. Esse convênio está sendo ajustado para ser iniciado em janeiro de 2020. Serão R$ 1,44 milhão do governo federal e mais R$ 144 mil do governo estadual.

Os equipamentos serão repassados às associações de produtores da agricultura familiar dos municípios, via termo de cessão e uso. Segundo o Deagro, até junho todos os equipamentos deverão estar entregues.

CADEIAS PRODUTIVAS 

Outra emenda visa o fortalecimento da agricultura familiar com a compra de 222 tratores agrícolas, com potência mínima de 100 cavalos de potência e equipado com cabine fechada.

O investimento está estimado em R$ 31 milhões, oriundos do Ministério do Desenvolvimento Regional – MDR, dos quais R$ 600 mil será contrapartida do governo do Estado. Os tratores serão destinados para uso coletivo e prestação continuada, devendo atender 150 municípios e beneficiar um total de 2.000 produtores. Serão atendidos os projetos de estruturação das cadeias produtivas potenciais.

ESTRADAS RURAIS

Outras duas emendas, que somam R$ 123 milhões, visam a aquisição de máquinas e equipamentos para serem utilizados em obras de melhorias das estradas rurais.

As obras vão beneficiar as famílias de agricultores e a comunidade em geral que terão acesso facilitado a escolas, postos de saúde, além de boas estradas para escoar a produção agrícola com mais facilidade rumo às cooperativas e às indústrias.

Uma das emendas, no valor de R$ 90 milhões (R$ 5,6 milhões em contrapartida do Governo do Paraná), vai atender cerca de 8 mil produtores em 211 municípios e mais um consórcio municipal do Estado.

Serão comprados 36 caminhões basculantes, três caminhões comboio, 109 tratores agrícolas com potência mínima de 100 cavalos, 20 escavadeiras hidráulicas, 14 motoniveladoras, 80 retroescavadeiras, 23 rolos compactadores. O Deagro já está fazendo a licitação de compra dos equipamentos, que começarão a ser entregues em fevereiro de 2020.

Outra emenda, no valor de R$ 33 milhões (sendo R$ 831,8 mil em contrapartida), também será utilizada na continuidade da adequação, manutenção e melhorias das estradas rurais e estruturação das cadeias produtivas potenciais.

Com os recursos dessa emenda, serão comprados 16 caminhões basculantes, 13 minicarregadeiras, oito escavadeiras hidráulicas, três motoniveladoras, 16 pás carregadeiras, 50 retroescavadeiras e 6 colos compactadores.

A emenda será um convênio com o pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que já aprovou o projeto, a ser executado em 108 municípios do Estado, devendo beneficiar mais de 3.000 agricultores familiares de associações de produtores e de assentamentos. Em janeiro de 2020, serão abertos os processos de licitação para compra dos equipamentos.

COOPERATIVAS

Estão previstas, ainda, uma emenda parlamentar do deputado federal Assis do Couto, no valor total de 780 mil, com R$ 15,6 mil em contrapartida) que visa fortalecer as cooperativas da agricultura familiar com interação solidária.

A emenda estabelece a compra de um caminhão Truck pesado, uma câmara fria frigorífica, um caminhão toco semipesado e um veículo. Os veículos serão destinados aos municípios atendidos pela Unicafes/PR.

Do deputado federal Enio Verri vem a emenda que aloca R$ 511 mil (R$ 11 mil em contrapartida). Ela prevê a compra de 2 tratores agrícolas com potência mínima de 100 cavalos e dois veículos novos.

Eles serão repassados para o município de Antonina, através da Associação de Pequenos Produtores Rurais para Sustentabilidade da Mata Atlântica, devendo beneficiar 50 famílias de produtores rurais da comunidade.

safra de grãos - soja - milho - Paraná

Safra de grãos deve atingir 23 milhões de toneladas no ciclo 2019/2020

As expectativas para a safra de grãos de verão no Paraná são positivas. Segundo levantamento do Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento) a colheira irá registrar crescimento de 18% em comparação ao último ciclo, chegando a 23,3 milhões de toneladas.

O final do plantio contou com boas condições de umidade no solo e boas condições climáticas, principalmente com chuvas regulares.

As principais projeções são para a safra de soja, que deve registrar 20 milhões de toneladas de produção em uma área de 5,48 milhões de hectares.

Essas estimativas devem garantir o Paraná como segundo principal produtor brasileiro de soja, atrás apenas do Mato Grosso. Os produtores ainda ficam no aguardo das negociações entre Estados Unidos e China para avaliarem o cenário das exportações no setor.

Já a primeira safra de milho deve ficar na casa das 3,1 milhões de toneladas, tendo a expectativa de colheira de 12 milhões de toneladas em soma com a colheita do milho safrinha.

bolsonaro fome - produtor rural - agronegócio - Mata Atlântica - segurança jurídica

Bolsonaro dá segurança jurídica para produção agropecuária na Mata Atlântica

O presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciou hoje (19), durante transmissão ao vivo na internet, que a Advocacia-Geral da União (AGU) emitiu parecer para dar segurança jurídica a produtores rurais que desenvolvem atividades no bioma Mata Atlântica.

Segundo a AGU, “o parecer destaca que o Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) admite a produção agropecuária na Mata Atlântica, uma vez que os artigos 61-A e 61-B da norma preveem a continuidade de atividades agropecuárias em áreas de preservação ambiental que tenham sido fixadas no bioma até 22 de julho de 2008”.

O presidente Jair Bolsonaro disse, durante sua live semanal no Facebook, que o parecer beneficia mais de 200 mil agricultores em 936 municípios de 10 estados do país, que também poderão ter multas extintas com a mudança de entendimento.

“Esse parecer atinge aproximadamente 220 mil agricultores no Brasil, que poderão voltar a produzir nas suas terras. E o mais importante, quem foi multado lá atrás pode recorrer agora e, em função desse parecer, vai ficar isento de multa”, afirmou.

Em reunião no Palácio do Planalto com parlamentares e produtores rurais, o advogado-geral da União, André Mendonça, afirmou que parecer jurídico traz impacto social importante, ao beneficiar produtores que atuavam em áreas que já estavam consolidadas para a agricultura.

“Esse parecer reconhece que o Código Florestal tem aplicabilidade como norma geral em relação a área de Mata Atlântica e que áreas que já estavam consolidadas como produtivas até julho de 2008 não só podem como devem ser utilizadas para a produção”, pontuou.

Trump - China - Estados Unidos - acordo comercial - Irã - EUA - ações militares - Câmara - NBA

Trump anuncia fechamento de ‘fase 1’ do acordo comercial com a China

Após meses de negociações, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (13) o fechamento da primeira fase de um acordo comercial com a China.

A decisão de concluir ao menos parte das conversas acontece em meio ao desgaste que a disputa com Pequim tem causado à sua popularidade às vésperas da eleição de 2020.

Em entrevista às 23h do horário chinês, oficiais do país asiático também anunciaram o acordo, mas com termos dissonantes dos divulgados pelo presidente americano.

Em seu Twitter, Trump afirmou que as tarifas de 25% já aplicadas sobre US$ 250 bilhões em itens chineses “permanecerão como estão”, mas o restante das importações que chegam de Pequim terão alíquota de 7,5% -esse valor representa metade dos 15% que estavam sendo cobrados desde setembro sobre US$ 125 bilhões em bens de consumo.

O presidente disse ainda que vai suspender taxas em cima de US$ 156 bilhões também sobre bens de consumo chineses que entrariam em vigor no domingo (15).

Em seguida, o presidente disse a repórteres na Casa Branca que vai usar as tarifas remanescentes como vantagem nas negociações da fase 2 do acordo, que, segundo o presidente, começam imediatamente.

Comunicado divulgado pelo escritório do representante comercial dos EUA confirmou as tarifas de 25% mantidas sobre cerca de US$ 250 bilhões de importações chinesas junto a 7,5% ​de tarifas a US$ 120 bilhões de demais produtos.

Em troca, diz o Trump, a China prometeu comprar mais produtos agrícolas, de energia e bens manufaturados dos americanos, o que seria um afago aos fazendeiros que apoiaram o republicano em 2016 mas estavam insatisfeitos com os prejuízos nas plantações de soja e milho, por exemplo, desde que a guerra de tarifas começou, em 2018.

“Concordamos em uma grande primeira fase do acordo com a China. Eles [chineses] concordaram com muitas mudanças estruturais e compras maciças de produtos agrícolas, energia e bens manufaturados, além de muito mais.

As tarifas de 25% permanecerão como estão, com 7,5% sobre o restante”, escreveu o presidente.

“Vamos começar as negociações da fase dois imediatamente, ao invés de esperar até depois das eleições de 2010. É um acordo maravilhoso para todos. Obrigado.”

O anúncio aconteceu no mesmo momento em que o Comitê Judiciário da Câmara aprovou as duas acusações de processo de impeachment contra Trump. A votação agora vai para o plenário da Casa, de maioria democrata, na próxima semana. O republicano tem o hábito de fazer grandes anúncios ou declarações polêmicas em meio a publicações de notícias que considera ruim ao seu governo.

Na coletiva em Pequim, oficiais chineses não responderam a perguntas de jornalistas sobre o valor exato das importações agrícolas americanas, uma das maiores partes do acordo. Estimava-se US$ 50 bilhões (R$ 205 bilhões), mas oficiais apenas disseram que as compras serão ampliadas por uma “margem notável”.

O texto do acordo tem nove capítulos e ainda precisa ser revisito legalmente pelos países para ser assinado e entrar em vigor. Segundo os chineses, parte das tarifas já impostas seriam retiradas pelos Estados unidos gradualmente, o que vai contra a declaração do presidente americano de manter 25% das tarifas.

Com a falta de clareza quanto à natureza do acordo, índices acionários americanos passaram de forte alta a queda. Dow Jones chegou a subir 0,5% a nível recorde logo depois do anúncio, mas virou para queda 0,4% por volta das 13h30. No Brasil, Ibovespa opera perto da estabilidade e o dólar virou de queda para alta de 0,36%, a R$ 4,109.

As Bolsas asiáticas, por sua vez, encerraram o pregão desta sexta em forte alta. O índice CSI 300, que reúne as Bolsas de Xangai e Shenzhen, subiu 2%.

Na manhã de quinta-feira (12), o presidente dos EUA havia dito em seu Twitter que estava “muito próximo” de um “grande acordo” com Pequim e o mercado financeiro reagiu com otimismo.

Analistas que acompanham as negociações há quase dois anos afirmam que o anúncio da conclusão de uma primeira parte do processo está longe de ter o tamanho ideal para o acordo, mas o saldo ainda é positivo.

Com essa etapa, além de fazer o afago a produtores de estados-chave para sua reeleição, como Iowa e Illinois, Trump alicia punição consumidores nos EUA, visto que as tarifas que entrariam em vigor no dia 15 de dezembro eram sobre produtos chineses de bens de consumo, como smartphones. E, por fim, mostra que ainda tem capacidade de chegar a um acordo após meses de conversas improdutivas.

A aparente manutenção dos 25% das taxas sobre bens intermediários e parte (7,5%) sobre bens de consumo também estimulou parte da reação negativa do mercado, visto que os consumidores nos EUA ainda sentirão os efeitos no bolso com produtos chineses chegando mais caros ao país.

Durante toda a quinta-feira, antes dos termos do acordo serem divulgados, o republicano teve reuniões com conselheiros de comércio do seu governo e viu surgirem boas reações no mercado, como o índice MSCI, que mede o desempenho global de ações, que bateu recorde no início da tarde. As empresas americanas tiveram alta na Bolsa, assim como os títulos do Tesouro.

O presidente havia dito que a batida de martelo com a China deveria sair somente após a eleição de novembro do ano que vem, mas tem sido aconselhado por integrantes de seu governo a agir diante dos custos que o prolongamento da disputa com os chineses poderia trazer para sua campanha.

Na semana passada, o republicano chegou a anunciar imposição de tarifas sobre o aço e alumínio que chegam nos EUA pelo Brasil e Argentina, pegando de surpresa o governo Jair Bolsonaro. A avaliação foi a de que Trump precisava fazer um aceno ao seu eleitorado e mostrar insatisfação com o brasileiro, que mantém uma relação cordial com os chineses.

Os agricultores americanos perderam vendas para os brasileiros e argentinos, que passaram a exportar produtos com preço mais vantajoso a Pequim.