Rodovias federais do Paraná tiveram mais de 230 acidentes com ciclistas em 2018

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 232 acidentes envolvendo ciclistas nas rodovias federais que cortam o Paran..

Francielly Azevedo - CBN Curitiba - 22 de fevereiro de 2019, 15:40

Foto: PRF
Foto: PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 232 acidentes envolvendo ciclistas nas rodovias federais que cortam o Paraná em 2018. As colisões resultaram em 183 pessoas feridas e 30 mortes.

Somente em Curitiba, foram 28 acidentes com ciclistas em rodovias federais, sendo dois na BR-376, três na BR-116, seis na BR-277 e 17 na BR-476, no trecho da Linha Verde.

Nos municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) foram 56 acidentes: 20 na BR-277, 17 na BR-116, 10 na BR-476 e nove na BR-376. O caso mais recente foi um atropelamento coletivo de ciclistas. Um motorista, sem carteira de habilitação, acertou um grupo de seis pessoas na BR-277, em São José dos Pinhais, no início do mês. O homem fugiu sem prestar socorro. Quatro ciclistas foram encaminhados ao hospital.

Já no litoral, são 31 casos registrados: 30 na BR-277 e um na BR-376.

Segundo o policial rodoviário federal, Maciel Junior, os números criam um alerta. "Os acidentes estão acontecendo, ainda mais em locais onde muitos veículos pesados trafegam. Os ciclistas profissionais se utilizam da rodovia e, muitas vezes, são flagrados transitando na faixa de rolamento. Muitos até ultrapassam veículos pesados, pegando o vácuo em caminhões", disse.

Ainda de acordo com ele, o acostamento é um local de emergência para os motoristas e não foi feito para o tráfego de bicicletas, mesmo que a ação dos ciclistas não seja proibida. Por causa disso, o aconselhável é que quem for andar de bike na rodovia permaneça o mais a direita possível. Além disso, para os grupos de ciclismo, a recomendação é que se ande em fila indiana e não lado a lado. Por fim, a sugestão é utilizar roupas claras, além de equipamentos refletivos e iluminação - caso seja no período noturno - para sempre ser visto.

"Apesar de não estar proibido o trafego de bicicleta, o acostamento é um local de emergência. Se o veículo está com falha mecânica, vai utilizar o acostamento. E motorista que pode estar com problema no carro pode não conseguir freiar e acaba atropelando o ciclista", avalia Junior

Visando diminuir o número de atropelamentos na BR 116, entre Paraná e Santa Catarina, a concessionária Arteris Planalto Sul utiliza desde julho um spray refletivo em ciclistas e pedestres que transitarem pela rodovia. O spray é invisível a luz do dia, mas a noite brilha e reflete com os faróis dos carros, assim como as placas de sinalização viária.

Outro lado

Já a PRF não recomenda o trânsito de ciclistas nas rodovias, mas muitos atletas que utilizam as estradas para treinar discordam. Marcia Carolina Silva, por exemplo, criou a página “Lugar de Ciclista é na estrada sim”, justamente para protestar contra motoristas tidos por eles como imprudentes. Ela utiliza a rodovia para treinar de três a quatro vezes por semana.

"Onde que é um atleta de ciclismo de estrada, que vai participar de uma competição na estrada, vai treinar?", questiona.

Marcia relata que, apesar dos cuidados, situações de acidentes são comuns. "Estávamos perto do Viaduto da Rui Barbosa nesses dias e veio um motorista em alta velocidade. Para ele não bater em outro veículo, jogou o carro no acostamento e por pouco não pegou um colega meu", conta.

Em caso de emergências e acidentes, a orientação é ligar para o telefone 191 da PRF.