29 de abril: “Batalha do Centro Cívico” completa dois anos

Francielly Azevedo


O dia 29 de abril ficou lembrado pelos servidores estaduais do Paraná como “Batalha do Centro Cívico”. Na data em 2015, mais de 200 pessoas ficaram feridas, em Curitiba, no confronto entre a Polícia Militar e manifestantes. Para relembrar o ocorrido, os professores estaduais marcaram um ato simbólico na Praça Santos Andrade, no Centro da Capital.

A causa da confusão foi a votação, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), da reestruturação do Paranaprevidência, responsável pelo pagamentos das aposentadorias dos servidores do estado. O projeto de lei que promovia as mudanças foi aprovado em primeira discussão por 31 votos a 20 no dia 27 de abril. A redação final seria votada no dia 29, antes de ser encaminhada para sanção do governador Beto Richa (PSDB).

O projeto transferia cerca de 30 mil aposentados com mais de 73 anos do Fundo Financeiro – bancado pelo governo estadual – para o Fundo Previdenciário – formado por contribuições dos servidores e do estado – os dois fundos formam o Paranaprevidência. A transferência ameaçava gerar um déficit no Fundo Previdenciário e a redução da solvência (capacidade do fundo de se manter estável) da Paranaprevidência de 57 para 29 anos.

Os servidores defendiam, na época, que a mudança comprometeria o fundo que, com o tempo, teria mais benefícios a pagar do que recursos. Já o governo defendia que a medida geraria uma economia de cerca de R$ 125 milhões para os cofres do estado e a não aprovação da reestruturação poderia comprometer a remuneração dos professores, causando, entre outros problemas, o congelamento das promoções, progressões e revisões anuais de salário. O governo garantia o equilíbrio dos fundos previdenciários, a manutenção dos valores dos pagamento aos aposentados e pensionistas e a contribuição mensal do estado, de R$ 380 milhões.

O 29 de abril

No dia da votação, 29 de abril, professores se reuniram em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para se opor à aprovação. O confronto começou quando os servidores, que pretendiam ir à Assembleia para acompanhar a votação, foram barrados por um cordão formado pelos agentes da Polícia Militar (PM). Segundo levantamento da Prefeitura de Curitiba na época, mais de 200 pessoas ficaram feridas. Os policiais usaram bombas e dispararam tiros de balas de borracha. A Secretaria de Segurança Pública informou, na ocasião, que 20 policiais também ficaram machucados. A sessão acabou sendo adiada para o dia seguinte, quando os deputados aprovaram o projeto em segundo turno e em redação final.

No dia 29 de maio, um mês após o confronto, o Ministério Público de Contas divulgaria um levantamento que indicava que os gastos com a ação da polícia passaram de R$ 1 milhão. Os números estavam em documento oficial da Polícia Militar do Paraná (PM).

Manifestação

WhatsApp-Image-2017-04-28-at-10.12.29-e1493387162283Manifestantes reunidos no Centro Cívico de Curitiba mudaram, simbolicamente, o nome da Praça Nossa Senhora de Salete, sede dos governos municipal e estadual na capital. Eles participam de um ato da greve geral, movimento nacional que paralisou diversos serviços nesta sexta-feira (28) em todo Brasil.

Uma placa foi fixada no local com o novo nome: Praça 29 de Abril, uma referência ao confronto entre professores e policiais que ocorreu no local em 2015. Desde então, a praça tem sido chamada desta forma pelos professores e simpatizantes do movimento.

“Nós vamos deixar, mais uma vez, oficialmente, rebatizada essa praça como 29 de Abril, que é a praça da resistência, praça da luta. O massacre não nos derrotou e não vai derrotar a classe trabalhadora”, disse Marlei Fernandes, representante da APP-Sindicato.

 

 

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.
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