Violência contra menores está mais visível: denúncia é fundamental

Brunno Brugnolo - Metro Jornal Curitiba

Foram 1.166 casos em 2017. Denúncias podem ser feitas pelo 181.

Tema tabu e por muito tempo “escanteado”, a violência contra crianças e adolescentes vem pouco a pouco se tornando mais visível à sociedade. Apesar da dificuldade
para tomar ciência dos casos, muitos cometidos dentro de casa, ou até pelo compreensível silêncio dos menores, números mostram que tanto as denúncias quanto os atendimentos vêm crescendo nos últimos anos no estado.

Segundo dados do disque-denúncia (181), o número de denúncias de violência contra crianças e adolescentes em todo o Paraná aumentou 37,6% de 2016 para 2017, saltando de 843 para 1.166. A denúncia mais recorrente foi de abuso sexual – 31,5% (428) do total. Depois vieram violência física, com 30,4% (413), e negligência ou abandono, com 23,86% (324).

Nos últimos anos, a Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social vem fazendo campanhas de alerta e a de 2018 começou na última semana.

Também de 2016 para 2017, os casos de violência atendidos pelo Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, subiram 13,9%, de 533 para 607. Em relação a 2013 (373) ou 2014 (378), por exemplo, o crescimento foi superior a 60%. No ano passado, 52,2% dos casos foram de agressão sexual, 28,3% de negligência e 13,3% de agressão física.


A psicóloga responsável pelos atendimentos no hospital, Daniela Prestes, trabalha com duas hipóteses para o aumento. “As dificuldades e frustrações das pessoas nos últimos anos no país pode ter interferido, deixado elas mais intolerantes, agressivas. Por outro lado, mais positivamente, a gente acredita que as pessoas estão mais atentas a essa situação, conseguindo detectar os sinais, sabendo onde devem denunciar e procurar ajudar”, explica.

Dos casos atendidos no local ano passado, 72% tiveram como agressores alguém da própria família e a casa foi apontada como local em que mais acontecem estes abusos, maus-tratos e negligências: 40,2%.

“Ninguém é dono da criança. Se os responsáveis que deveriam cuidar dessas crianças não o fazem, é importante que outro adulto faça para salvaguardar os direitos delas. É um problema social momentâneo e a longo prazo” diz Daniela.

Mudanças de humor, alteração no sono e apetite e queda no rendimento escolar durante um período de tempo estão entre os sinais do menor vítima de violência. Nos casos de abuso sexual, a psicóloga explica que a sexualidade imprópria com relação a idade, comportamento erotizado e reprodução do ato sofrido na escola ou em outros ambientes podem ser indícios.

“O que está assustando mais agora é o aumento de casos de autoagressão e tentativas de suicídio”, declarou Daniela.

Em casos mais graves como esses, de tentativa de suicídio ou de abuso sexual cometido pelos próprios pais, o hospital procura manter o atendimento pós-alta até quando for necessário.

“Fazemos o acompanhamento psicológico para todos enfrentarem o tratamento até a alta, assim como notificamos os órgãos externos, como o Conselho Tutelar, mas nesses casos, pela gravidade, procuramos seguir atendendo por aqui. O quanto antes pudermos apaziguar os efeitos psíquicos que a violência causou, mais êxito teremos para resgatar a autoestima e romper o ciclo da violência, já que a criança pode se tornar agressor”, diz Daniela

Campanha nas ruas

Por Metro Curitiba

Em parceria com as secretarias estaduais da Saúde, da Educação e da Segurança Pública, a Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social lançou neste mês a campanha “Não engula o choro”, para reduzir a subnotificação dos casos de violência infantil e incentivar a população a denunciar esses crimes, assim como estabelecer diálogo com a criança.

Desde o dia 1º, duas animações de aproximadamente um minuto estão sendo exibidas antes dos filmes em todos os cinemas do estado. Elas mostram crianças chorando e passando por situações de perigo até encontrar alguém para contar o problema (em um caso a professora e no outro, os próprios pais).

A exibição vai acontecer durante todo o mês, em alusão ao Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, em 18 de maio.

Além das telonas, para as crianças e adolescentes a ação também está sendo divulgada nas mídias sociais com apoio de influenciadores. Nos maiores municípios, materiais de comunicação externa estão sendo exibidos em outdoors, mobiliário urbano e busdoor (com as imagens em ônibus do transporte coletivo).

Como fazer a denúncia

As denúncias podem ser feitas pelo telefone 181 com a garantia de ter a identidade preservada.

Os atendentes encaminham as denúncias, de acordo com o caso e a urgência, para o Conselho Tutelar, Polícia Militar ou outro órgão da rede de proteção.

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