PM já registrou mais de 2 mil atestados de alteração psiquiátrica em policiais em 2018

Vanessa Fernandes - CBN Curitiba


Em coletiva realizada nesta segunda-feira (10), no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar (PM), em Curitiba, o Tenente-coronel Éveron César Puchetti Ferreira, Diretor de Pessoal da PM, conversou com a imprensa e esclareceu os crimes recentes envolvendo policiais militares no Paraná.

Em pelo menos dois dos últimos casos, os policiais envolvidos teriam sido aprovados no concurso realizado em 2013 e participado da escola de formação de soldados no ano de 2016. Para o diretor de pessoal da PM, coronel Puchetti apenas uma coincidência.

“Nós não detectamos nenhuma falha na formação e nem na testagem psicológica que foi feita para esses candidatos. Eu mesmo era comandante do batalhão de Pato Branco até recentemente. Recebi as turmas deste concurso, fui até professor deles, e não observei nenhuma falha no processo de inclusão desses policiais”, explicou.

Em 2017, a Junta Médica da Polícia Militar recebeu 3.446 atestados de alteração psiquiátrica, gerados por 991 policiais militares. Em 2018, de janeiro a agosto, foram recebidos pela junta 2.336 atestados de alteração psiquiátrica apresentados por 752 PM’s.

Dos 3.446 atestados apresentados em 2017, 23% eram relativos a afastamento do trabalho por problemas psicológicos. O cálculo foi realizado levando em conta o total do efetivo que é de 20.063 homens, entre policiais militares e bombeiros militares.

Sobre os casos

Sobre o caso do policial militar Peterson da Mota Cordeiro acusado de matar Renata Larissa e de estuprar outras jovens, Puchetti disse que Peterson foi reprovado na avaliação social e não no teste psicológico antes de entrar com o recurso que possibilitou seu ingresso na PM. “Ele passou pela avaliação e não tinha nenhum indicativo de que ele praticaria atos como esses pelos quais ele está sendo acusado”, disse. “A avaliação, nem de longe, apresentou que ele tinha um comportamento distorcido”.

O policial militar Lucas Santos Araújo, que matou um subtenente e um soldado na 6ª Companhia Independente da PM em Ivaiporã, havia passado por uma avaliação psicológica em outubro de 2017, menos de um ano antes do crime, registrado no dia 2 de setembro. Conforme o tenente-coronel Puchetti, “nunca teve nenhum indicativo na sua ficha técnica sobre problemas psicológicos”.

“O soldados Santos Nunca teve nenhum indicativo, em sua ficha médica, de problema psiquiátrico”. Segundo Puchetti, 90% dos integrantes passaram por avaliação psicológica e foram aprovados, em outubro de 2017.

Com relação aos dois policiais militares envolvidos no acidente da Linha Verde, em Curitiba, que deixou quatro pessoas mortas, o diretor de pessoal da PM não quis comentar detalhes sobre o caso, para não atrapalhar o andamento das investigações. No entanto, segundo Puchetti assim que a situação foi registrada, psicólogos da instituição foram acionados e prestaram apoio aos militares e às famílias das vítimas do acidente.

E sobre o caso do policial William Moreira de Almeida que matou a namorada, o primo e cometeu suicídio, em Colombo, Puchetti esclareceu que o soldado havia acabado de retornar para a corporação após ficar afastado por sete meses para tratamento psiquiátrico. Ele havia sido liberado pela Junta Médica da Polícia Militar, em agosto, para retornar às atividades até novembro e recebeu novamente sua arma no dia 3 de setembro, quatro dias antes de cometer o crime.

“Depois de algumas semanas, ele foi atendido por psicologo da Polícia Militar, que, o entrevistando, chegou à conclusão de que o que o psiquiatra tinha falado era verdade. Ele estava bem, demonstrava estar bem”.

Por fim Puchetti relata que o soldado William ainda não havia voltado às operações em campo, porque entraria em férias alguns dias após a data do crime. “Dia 3 de setembro, ele recebeu a arma novamente. Naquele momento, ele já tinha condições de voltar para a viatura, de voltar para a atividade operacional. Mesmo assim, o batalhão não colocou ele. Ele não foi escalado no outro dia para ir para a viatura. Tem uma razão: existia a expectativa de, a partir do dia 10, ele entrar em férias”.

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