MP-PR está recebendo denúncias contra João de Deus

Redação


Com Angelo Sfair

Com a repercussão das denúncias contra João Teixeira de Faria, o João de Deus, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) disponibilizou um canal de atendimento para as mulheres que possam ter sofrido abusos sexuais por parte do médium, em Abadiânia, Goiás, onde ele realiza atendimentos espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola.

O MP-PR informou que, por meio do Núcleo de Apoio à Vítima de Estupro (Naves), está recebendo denúncias de vítimas que moram no Paraná. Elas devem, segundo o órgão, procurar as Promotorias de Justiça de suas cidades.

Em Curitiba, o Naves acolhe as denúncias pelo telefone (41) 3250-4022, pelo e-mail naves.mp@mppr.mp.br ou pessoalmente, no Bloco I da sede do MPPR (Rua Marechal Hermes, 751, 5º andar, Centro Cívico).

Os procedimentos realizados, segundo o MP-PR, serão encaminhados para o Ministério Público de Goiás, que tem atribuição legal para apurar os fatos e instituiu uma força-tarefa para investigar o caso.

Nesta semana, três mulheres denunciaram os abusos no Paraná. Desde sexta-feira (7), quando uma reportagem sobre o caso foi ao ar na TV Globo, cerca de 330 mulheres registraram denúncias no Ministério Público de Goiás. Até agora, mulheres de nove estados registraram as queixas, além de mulheres nos Estados Unidos e Suíça.

A procuradora Rosângela Gaspari explica que o número de denúncias tende a crescer a partir do momento em que os primeiros casos são denunciados, porque as vítimas se sentem amparadas. “A vítima demora para relatar por vergonha, medo que não acreditem. Quando ela percebe que outras vítimas passaram pela situação, ela se sente fortalecida”, disse.

Coordenadora do Naves, a procuradora aponta que, em muitos casos, a denúncia ajuda as vítimas a superar o trauma. “A partir do momento em que resolve denunciar e descobre que não está sozinha, que o Ministério Público está com ela, que tem um aparato, uma instituição que está acreditando nela e que vai buscar provas, investigar, ela se sente muito melhor. Conseguimos perceber a melhora da vítima no transcorrer”, explica.

A procuradora Rosângela Gaspari aponta que o sigilo é uma garantia e uma prioridade. “Que elas fiquem tranquilas. O que é dito aqui é mantido em sigilo. Será passado de Ministério Público para Ministério Público, sem divulgação do conteúdo”, garante.

Recebendo informações de que a vítima gostaria de prestar declarações, o Naves marca um horário para que a pessoa seja ouvida. Todos os promotores são capacitados para receber as denúncias.

João de Deus se instalou em Abadiânia há 42 anos e mantém o centro de atendimento espiritual, onde costuma receber pessoas com doenças variadas. No local, segundo as denúncias, ele teria abusado sexualmente de mulheres durante atendimentos individuais. O Ministério Público de Goiás pediu ontem a prisão preventiva do médium.

Nesta semana, o procurador Benedito Torres Neto, que coordena a força-tarefa de investigação, enviou correspondências aos procuradores-gerais de Justiça dos estados e do Distrito Federal, solicitando que sejam designadas unidades de atendimento para coleta de depoimentos de possíveis vítimas do médium.

Eventuais ações penais contra o médium vão tramitar na Promotoria de Abadiânia. A força-tarefa do Ministério Pública é integrada por sete pessoas.

Previous ArticleNext Article