Saúde orienta médicos a não aplicarem segunda dose da vacina contra a febre amarela

Mariana Ohde


Com Lucian Pichetti, CBN Curitiba

O número crescente de casos de febre amarela no Brasil tem resultado no aumento da procura pela vacina em postos de saúde de vários estados, entre eles, o Paraná. Apenas em Curitiba, entre 1º de dezembro de 2017 e 12 de janeiro, 5.587 pessoas foram vacinadas, de acordo com a prefeitura, apesar de não haver casos registrados nos últimos dez anos.

Em todo o país, desde julho de 2017, foram registradas 20 mortes por febre amarela. Nesta terça-feira (16), o Ministério da Saúde informou que foram notificados 470 casos suspeitos, dos quais 35 foram confirmados. 145 casos permanecem em investigação e 290 foram descartados.

No Paraná, a vacinação ainda não é recomendada pelo Ministério da Saúde. De acordo com a superintendente de vigilância em saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SESA), Júlia Cordelini, não é preciso pânico. “O Paraná não é área de risco, não há circulação viral, logicamente, não temos casos também”.

Segundo a superintendente, a vacinação, aqui, é seletiva, ou seja, apenas para quem trabalha ou vai viajar para áreas de risco. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera apenas o estado de São Paulo como área de risco da doença, além de estados das regiões Centro-Oeste e Norte; Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Maranhão; partes dos Estados da região Sul; e Bahia e Piauí. A situação é mais grave no estado de São Paulo, que registrou 21 mortes neste ano. Em Minas Gerais, foram 11 mortes.

Também é importante lembrar que a vacina tem dose única – ou seja, ela protege a pessoa durante toda a vida. “A dose para a febre amarela é única. Quem já tomou a vacina não precisa buscar os postos de saúde para revacinar”, explica Júlia.

De acordo com Júlia, a secretaria tomou conhecimento de casos de médicos que estariam recomendando a vacinação para quem já tomou uma dose. A superintendente afirma que a secretaria vai encaminhar uma nota oficial de informação ao Conselho Regional de Medicina (CRM) para que os profissionais sejam orientados.

A vacina está disponível nos postos de saúde e pode ser tomada por pessoas entre 9 meses e 59 anos que ainda não receberam nenhuma dose. “Essa vacina tem indicações e contraindicações. Não é todo mundo que pode tomar”, esclarece. “As pessoas que não estão na faixa-etária não devem tomar a vacina, a não ser com prescrição médica”.

Quem for viajar para áreas de risco deve se vacinar com pelo menos dez dias de antecedência, já que este é o tempo que o medicamento leva para garantir a imunização.

A superintendente lembra, ainda, que a doença não é transmitida pelo macaco, animal que, segundo ela, também é apenas uma vítima da doença. O vírus é transmitido por mosquitos, entre eles, o Aedes aegypti, que também é vetor do vírus que causa a dengue.

Número de casos salta em janeiro

Os números apresentados nesta semana pelo Ministério da Saúde representam um crescimento de cinco vezes no número de óbitos em um período de mês no Brasil. O penúltimo boletim epidemiológico, atualizado no dia 8, mencionava quatro vítimas da doença, contra 20 mortes confirmadas nesta terça-feira.

Quando considerados os casos confirmados, o crescimento entre o boletim anterior e o atual também é representativo. No comunicado do dia 8, havia 11 registros. No documento desta terça-feira, o número saltou para 35, um aumento de 320%.

Os incidentes ocorreram em matas, não havendo notificação até agora em áreas urbanas.

Entre julho de 2016 e janeiro de 2017, houve 271 casos e 99 mortes, em um período marcado por um surto da doença.

O número de casos confirmados ainda pode aumentar, pois há 145 episódios em investigação por equipes de secretarias de Saúde. Entre julho de 2017 e janeiro deste ano foram notificados 470 casos suspeitos. Deste total, 290 já foram descartados.

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Repórter no Paraná Portal
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