Autoridades investigam incêndio que destruiu cerca de 100 casas em Curitiba

BandNews FM Curitiba

O Ministério Público do Paraná e a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa apuram as circunstâncias de dois assassinatos e de um incêndio que destruiu as Vilas Nova Primavera e 29 de Março, próximo às moradias Corbélia, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), na noite de sexta-feira (7).

A estimativa é de que 300 famílias tenham perdido tudo o que tinham, desde documentos até as casas. Moradores denunciam ter sido vítimas de uma série de atos de violência cometidos por policiais militares, numa ação que foi seguida da destruição das casas pelo fogo.

A Polícia Militar atribui o incêndio a uma ação do “crime organizado” e rebate a acusação de que agiu em represália ao assassinato de um soldado, ocorrido nesta semana, na mesma vila.

Em coletiva de imprensa concedida na manhã deste sábado (8) por representantes da Segurança Pública, o chefe do Estado Maior da PM, Coronel Antônio Zanatta Neto, diz não ter dúvidas de que o incêndio foi provocado por bandidos.


“Algumas pessoas dizem que foi a Polícia Militar, mas não trazem imagens, fotos, não colocam no papel e nem assinam um termo de declaração”, disse. “Aqui, com a Polícia Civil, a todo momento, temos conversado, trocado informações com muita transparência. A informação que temos até o momento é que não foram policiais militares”. Segundo ele, o caso foi motivado por uma rivalidade entre facções que moram na região. “Nós não temos dúvidas de que foram os bandidos”, afirmou.

O conflito envolve pelo menos mais um assassinato. Segundo a Polícia Militar, um motorista de aplicativo teria sido assaltado por volta das 22h30 da noite, depois de deixar um passageiro. Mais tarde, quando o incêndio já tomava parte das casas, um corpo teria sido encontrado na área. Para o coronel Péricles de Matos, do Comando Regional de Polícia Militar, o fogo foi causado de maneira criminosa por bandidos, porque a comunidade teria contribuído para elucidação dos crimes.

“Ocorreu uma retaliação do próprio crime organizado contra a comunidade, que nos deu todas as informações para a elucidação desse homicídio. Aquele setor que não se envolve com a atividade do crime organizado sofreu uma retaliação, uma reprimenda, do crime organizado que atuava lá”, disse.

A versão é contestada por militantes e lideranças da comunidade. Paulo Barzoti, do Movimento Popular por Moradia (MPM), diz que houve uma espécie de blitz nas casas dos moradores, após a morte do policial.

“A polícia começou a fazer uma grande operação na área, fazendo blitz, entrando nas casas. Aparentemente, como não conseguia achar o responsável pela morte, começou a aumentar o nível de violência. Quem tava em casa e abriu a casa, tudo bem. Mas quem não estava teve a casa arrombada”, disse. Segundo ele, 1.500 moradias foram alcançadas pelas ações. “De repente, por volta das 22h, iniciou-se, no curso da operação da Polícia Militar, um grande incêndio”, conta.

Representantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, da Defensoria Pública, assim como o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, deputado Tadeu Veneri, passaram a tarde deste sábado na Cidade Industrial de Curitiba ouvindo moradores da vila incendiada. Veneri diz que a intenção é buscar com as autoridades respostas sobre os dois assassinatos e o incêndio.

“Vamos tentar encontrar respostas. O que aconteceu com o policial, por que aconteceu, se é por causa de falta de efetivo, se vai sozinho, se isso é rotina. O que aconteceu com a pessoa que foi morta, como foi morta, quem matou. E, principalmente, como se iniciou esse fogo”, disse.

Durante atendimento à comunidade, equipes do corpo de bombeiros foram hostilizadas por moradores. Alguns chegaram a atirar pedras e pedaços de paus contra os bombeiros. Por causa disso, a Polícia Militar foi acionada para acompanhar o trabalho de combate ao incêndio. Segundo a prefeitura de Curitiba, 80 pessoas foram levadas para uma escola municipal onde receberam abrigo, roupas e alimentos. 

“Ao invés de localizar o responsável pela morte, é como se todas as pessoas tivessem pago. A população está indignada, revoltada”, afirma.

Por enquanto, a prefeitura de Curitiba não está arrecadando doações, pois afirma que o material disponível na FAS (Fundação de Ação Social) é suficiente no momento. Mas organizações não governamentais se mobilizaram para arrecadar produtos de higiene, alimentos, roupas e utensílios domésticos. Os pontos de coleta podem ser conferidos nas páginas do Facebook das seguintes organizações: moradiassabara, cwbresiste e institutodemocraciapopular.

PONTOS DE COLETA

– Escola Ensino Fundamental Doutor Hamilton Calderari Leal – R. Victor Grycajuk, 121 – São Miguel.

– Cras Moradias Corbélia – R. Profa. Cecília Iritani, 510 – Corbélia.

– Ong Anjos, em frente a praça Alto Bela Vista,  R. Carlos Eduardo Martins Mercer, 31 – no Sabará.

– Igreja Sara Nossa Terra Barigui – Rua Ricardo Emílio Michel, 531,  Cidade Industrial.

– Associação Moradias Sabará 1, Rua Ary Caramão Arruda, 151 – Cidade Industrial.

– Casarão da União Paranaense de Estudantes (UPE), Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1157 – São Francisco.

– Sara Nossa Terra, Avenida Presidente kennedy, 2134, Rebouças.

– Mandarino Advocacia, Av Marechal Floriano Peixoto 228 a/c cj 1503, Edifício Banrisul na esquina das Marechais – Centro.

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