Dificuldades e esperança marcam o ano de migrantes em todo o mundo

2018 foi mais um ano de partidas e chegadas para milhões de pessoas em todo o mundo. Após a crise migratória na Síria, q..

Redação - 24 de dezembro de 2018, 07:00

Foto: Isac Nóbrega / PR
Foto: Isac Nóbrega / PR

2018 foi mais um ano de partidas e chegadas para milhões de pessoas em todo o mundo. Após a crise migratória na Síria, que atingiu seu auge entre 2016 e 2017, países na América estiveram no centro dos debates neste ano.

Entre eles, a Venezuela, que vive a pior recessão econômica de sua história. São três anos de retração econômica. Entre 2013 e 2017, o PIB do país caiu 37% e, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, deve cair mais 15% em 2018.

A crise privou a população do acesso a serviços básicos, como os de saúde, e chegou a esvaziar as prateleiras de supermercados. A saída, para grande parte dos venezuelanos, tem sido procurar, em outros países, melhores condições de vida.

É uma crise migratória de grandes proporções. Hoje, mais de 3 milhões de refugiados e migrantes venezuelanos vivem fora de seu país, sendo que 2,3 milhões deixaram sua terra natal a partir de 2015. E as estimativas são pessimistas. Segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), em 2019, 3,6 milhões de pessoas vão precisar de ajuda, sem previsão de retorno à Venezuela.

Hoje, a Colômbia abriga o maior número de refugiados e migrantes da Venezuela — mais de 1 milhão. Em seguida, vem o Peru, com mais de 500 mil venezuelanos, Equador, com mais de 220 mil, Argentina, com 130 mil, Chile, com mais de 100 mil.

No Brasil, estima-se que cerca de 150 mil imigrantes cruzaram a fronteira. Mais de 85 mil procuraram a Polícia Federal para solicitar refúgio ou residência no Brasil. Os dados da operação estão compilados no site da Casa Civil.

Em Curitiba, a Cáritas organizou um programa de acolhimento, oferendo casas mobiliadas pelo período de alguns meses, até que possam se estabelecer na capital ou em outras cidades. O último grupo, de 102 imigrantes, chegou no dia 20 de dezembro. Alguns se instalaram em Colombo, na região metropolitana.

“São pessoas que têm história, tiveram que deixar para trás a família, seus sonhos. A gente tem recebido pessoas com muito potencial, pessoas que podem contribuir muito com nosso país”, explica a coordenadora dos projetos com o tema de imigração da Cáritas, Márcia Ponce. “Assim como temos muitos brasileiros vivendo em outros países, que a gente também possa acolher e acolher com dignidade”.

Em Curitiba, pessoas interessadas em ajudar os venezuelanos com doações podem entrar em contato com a Caritas pelo telefone (41) 3023-9907. As doações também podem ser entregues das 9h às 17h na Casa de Acolhida Dom Oscar Romero, na Rua General Teodorico Guimarães, número 48, no bairro Fanny.

Intolerância nos EUA

Cenas de crianças separadas dos pais imigrantes, nos Estados Unidos, foram outro marco em 2018. Com a eleição de Donald Trump, o país, que vem vivendo um endurecimento das leis de imigração, se tornou o centro de um escândalo internacional ao enviar os pequenos em abrigos e prender os seus pais, que chegavam sem documentação.

Em julho, o documento passou por 192 Estados-membros da ONU, com exceção dos EUA, onde o governo Trump argumenta que o conteúdo do documento configura uma ameaça à soberania nacional do país.