Conselho autoriza construção de rodovia em Pontal; ambientalistas questionam

Mariana Ohde

Com Cristina Seciuk, CBN Curitiba

O Conselho de Desenvolvimento Territorial do Litoral Paranaense (Colit) aprovou a licença prévia para a construção de uma nova rodovia ligando a PR-407 à Ponta do Poço, em Pontal do Paraná. A decisão foi tomada nesta semana, durante reunião do colegiado.

A licença prévia permite que se iniciem outras fases de estudos sobre os impactos da obra, que devem subsidiar a elaboração dos projetos de engenharia. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) estabeleceu uma série de condicionantes que precisam ser cumpridas para que seja solicitada a licença de instalação da obra.

A estrada, de aproximadamente 23 quilômetros, integra um projeto para a construção de uma Faixa de Infraestrutura no mesmo traçado. Elaborado pela Secretaria de Infraestrutura e Logística, ele também prevê a instalação de um gasoduto, um canal de drenagem, uma linha de transmissão de energia elétrica e um ramal ferroviário.


Até aqui, apenas a parte rodoviária, de energia e de drenagem do projeto receberam o aval do Conselho.

O projeto deve custar R$ 369 milhões. Para o secretário de Infraestrutura e Logística do Estado, José Richa Filho, que participou da reunião, a aprovação permite planejar melhor o crescimento das cidades litorâneas. “Tem muita coisa ainda para ser feita e construída, mas acho que demos um passo importante para trazer mais dignidade para as pessoas que moram no litoral”, explica, destacando que o projeto deve favorecer o desenvolvimento econômico, social e meio ambiente.

Mas apesar da afirmação de Pepe Richa, o projeto apresentado pelo governo do Paraná, gerou críticas de ambientalistas, já que, se o traçado previsto for mantido, colocará abaixo mais de 400 hectares de Mata Atlântica preservada.

Entidades que atuam na área pediram vista da proposta sob a argumentação de falhas graves, mas a autorização foi dada mesmo assim. Uma das organizações que tem cadeira no Colit é a Mar Brasil.

Segundo o diretor executivo da entidade, Juliano Dóbis o impacto pode ser ainda maior e chegar aos 6 mil hectares, já que mais fatores tem que ser levados em conta além da supressão da floresta.

“Somando tudo isso, a zona industrial, mais a faixa de infraestrutura e mais a duplicação, a gente chega a uma área suprimida próxima de 2 mil hectares. Mas a gente tem que pensar em outros conceitos que a gente trabalha dentro da conservação da biodiversidade, que é o efeito de obra. Quando você constrói, faz uma obra dessas, tem um impacto que vai além dessa área suprimida”, explica.

Com aprovação de licença prévia, o IAP estabeleceu uma série de condicionantes que precisam ser cumpridas para a solicitação da licença de instalação da obra. Conforme o governo do estado, essa licença prévia permite que se iniciem outras fases de estudos sobre os impactos da obra, que devem subsidiar a elaboração dos projetos de engenharia.

O processo segue agora para a Secretaria de Infraestrutura e Logística e para o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que está solicitando a licença, para que as demandas do órgão ambiental sejam cumpridas.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal
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