PF prende quadrilha responsável por assaltos violentos a bancos do PR e SP

Mariana Ohde


Com Andreza Rossini
A Polícia Federal (PF) prendeu 15 pessoas durante Operação Miguelito, deflagrada na manhã desta quinta-feira (30). O objetivo da força-tarefa é desarticular organizações criminosas voltadas para explosões de agências bancárias. Foram cumpridos nove mandados de prisões preventivas e seis de prisões temporárias. A polícia ainda deve cumprir mais três mandados. Os líderes de três quadrilhas investigadas estão detidos.

De acordo com a PF, os assaltantes são responsáveis por assaltos violentos, com uso de cordão humano, reféns amarrados em capô de carro e explosões simultâneas em caixas eletrônicos, por exemplo.

“Eles tomavam as cidades durante a madrugada, utilizavam algumas táticas de guerrilha com armas de grosso calibre, disparos a esmo e em direção a destacamentos policiais, explodiam o banco e saíam da cidade atirando, de forma bem violenta. Em algumas situações houve confronto. Em Terra Rica com a Polícia Civil em agosto, outro com a PM em Barbosa Ferraz com a Polícia Federal nas águas após a ação em Cruzália”, afirmou o delegado responsável pela ação Alexander Dias.

Nas ações, os grupos utilizavam armas de grosso calibre – em sua maioria fuzis – realizando diversos disparos e “espalhando clima de terror na população de pequenas cidades”, segundo a PF.

Investigações realizadas nos últimos 18 meses identificaram, pelo menos, dois grupos responsáveis por cerca de 20 ataques a instituições financeiras nas cidades de Marialva, Mandaguaçu, Terra Rica (duas vezes), Porecatu, Itambé e Barbosa Ferraz, no Paraná e Iepê, Pedrinhas Paulista e Cruzália no estado de São Paulo, num total de 20 agências bancárias atingidas nos dois estados.

Além disso, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, nas cidades de Londrina, Cambé, Arapongas e Curitiba no estado do Paraná. Também há manados para Sandovalina e Euclides da Cunha Paulista, em São Paulo, e Nova Andradina, no Mato Grosso do Sul.

A Polícia faz um rastreio dos explosivos apreendidos para tentar identificar a origem dos mesmos. Entre os criminosos estão ex-jogadores de futebol profissional, agricultores e dentistas.

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Confronto

Em um desses assaltos, em abril deste ano, seis integrantes de um dos grupos foram mortos em Alvorada do Sul, Paraná.

De acordo com a PF, ao fugirem pelas águas do Rio Paranapanema, eles foram interceptados por policiais federais e reagiram à abordagem. Foram apreendidos, na ocasião, fuzis, pistolas, coletes balísticos, explosivos e dinheiro roubado das agências atacadas.

Operação Miguelito

A operação desta quinta-feira deve prender integrantes desse grupo criminoso e de um grupo de Curitiba, responsável por ataques a agências bancárias nas cidades de Marialva e Mandaguaçu, ambas no Paraná.

As investigações e a operação de hoje têm apoio da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná (Sesp). Todos os mandados foram expedidos pela Justiça Federal em Maringá, no noroeste do estado.

Os criminosos responderão pelos crimes de organização criminosa, roubo agravado, latrocínio (roubo seguido de morte) em sua forma tentada, porte de arma de fogo de calibre restrito e exposição a perigo mediante explosão. Se condenados poderão ter penas que podem passar dos 30 anos de prisão.

O nome Miguelito é referência aos instrumentos compostos de pregos retorcidos e espalhados pelas quadrilhas nas vias de fuga das ações para dificultar perseguições policiais.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal