PM confirma que policiais atiraram na Vila Corbélia

Lucian Pichetti - CBN Curitiba


Dois homens, com coletes da Polícia Militar (PM), foram flagrados em vídeo atirando na Vila Corbélia, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). As imagens foram registradas por um morador, horas antes do incêndio que destruiu cerca de cem casas na região, na última sexta-feira (7).

A Polícia Militar (PM) confirmou que os homens pertencem à corporação. Na gravação é possível ouvir quatro disparos. Em nota Polícia Militar esclarece que é a “maior interessada no esclarecimento” e que “está levantando todas as informações para apurar os fatos.”

O texto diz que ambos os policiais militares envolvidos foram identificados e afastados de suas funções e que a PM colabora com a Polícia Civil e com o Ministério Público na investigação.

A corporação afirma ainda que não compactua com desvios de conduta de seus integrantes e que, caso sejam comprovadas irregularidades, os envolvidos serão punidos.

Incêndio

O incêndio começou por volta das 22h45 de sexta, pouco depois da morte do policial militar Erick Norio, de 27 anos. Durante uma ocorrência ele desceu da viatura para fazer a segurança do perímetro quando foi atingido por dois disparos de arma de fogo. O policial morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h da CIC.

Nesta terça-feira (10), o delegado-titular da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, Luiz Alberto Cartaxo Moura, descartou a possibilidade de o pm ter sido assassinado em uma emboscada.

Assassino confesso

O principal suspeito pela morte do policial, Antônio Francisco dos Prazeres Ferreira, de 33 anos, foi preso na noite de segunda-feira (10), no bairro Boqueirão, em Curitiba. À polícia ele confessou que disparou em direção ao PM por medo de ser preso, como explica o delegado-titular da DHPP.

“Ele confessou a prática do crime, disse que estava no local quando os dois policiais chegaram. Um se dirigiu para as proximidades da moto, que estava ali. Nesse momento, ele efetuou disparos. Como se tratava de uma submetralhadora, evidentemente, ele não conteve o número de disparos. Mas tudo leva a crer que foram dois”, explica. “Ele atirou porque estava com medo de ser preso naquele momento porque ele estava com a arma e essa arma o levaria à prisão”,

Quando a equipe chegou para a abordagem, Antônio estava com uma submetralhadora de calibre 9 milímetros, arma de uso restrito das Forças Armadas. O suspeito já tinha passagens pela polícia. O pedido de prisão preventiva deve ser expedido nessa semana.

Outras mortes

Além da morte do soldado Erick Norio, a DHPP investiga as mortes de Pablo Silva Pereira da Hora, 22 anos e de Gabriel Carvalho Maciel, de 17. Pablo foi morto na manhã de sexta-feira, após o assassinato do PM, e Gabriel na noite do incêndio na região da Vila Corbélia.

Segundo o delegado-titular da DHPP, os dois eram conhecidos da polícia e as mortes também são investigadas. “As mortes do Pablo e do Daniel são outros procedimentos que estão sendo realizados pela delegacia de homicídios daquela região, através da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa”, disse.

“Pablo era muito conhecido da DHPP, respodia por mais de sete processos por homicídio. Pessoalmente, o interroguei há um mês. Tratava-se uma pessoa envolvida com várias atividades criminosas. O outro também tinha envolvimento com práticas criminosas na região. Tudo isso será levado em consideração”.

Moradores da Vila Corbélia afirmam que as casas foram incendiadas por policiais, em represália pelo assassinato do soldado Erick Norio. No sábado (8), a PM afirmou que o incêndio pode ser atribuído ao crime organizado e negou qualquer tipo de violência contra a população da região.

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