PM nega erro no caso de mulher assassinada após demora da polícia para atender ligações de vizinhos

Felipe Harmata - BandNews FM Curitiba

A Polícia Militar do Paraná (PM-PR) afirma que vai mudar os procedimentos para identificar quais chamadas são consideradas prioritárias nas ligações feitas para os atendentes da Central de Operações Policiais Militares.

A mudança acontece após gravações telefônicas mostrarem que vizinhos ligaram para a PM pelo menos oito vezes para denunciar a briga de um casal, que terminou com a morte de Daniela Eduarda Alves, em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba. Mesmo com a mudança, a PM entende que não houve erro no procedimento aplicado no caso.

Segundo o tenente coronel da PM, Manoel Jorge dos Santos Neto, a chamada “grade de prioridades” das ligações vai ser alterada. A quantidade de telefonemas  para um mesmo caso vai ser um dos fatores que agora vai ser analisado. “Desde o momento em que soubemos desse fato, medidas estão sendo tomadas no sentido de alterarmos essa grade”, disse.

Segundo as investigações a briga do casal começou por volta das onze horas da noite. A viatura da PM chegou ao local só às duas e vinte de madrugada. Ela já estaria morta há quarenta minutos. Segundo a PM, no momento das ligações dos vizinhos, haviam 17 viaturas em operação e todas estavam em atendimento.


A Polícia Militar não especificou o que era cada um dos atendimentos realizados naquele momento. O tenente coronel entende que não houve erro da PM. “As prioridades que eles tinham são absolutas e foram cumpridas conforme o protocolo prevê. Agora, é lógico que a PM está consternada com esse fato”, disse.

Ele classificou a situação como “incomum”. “Acabamos tendo que estudar o fato em virtude de uma situação que não é comum. A PM atende 10 mil ocorrências por dia no estado do Paraná. Nessa ocorrência, infelizmente, algum tipo de atrapalho, erro, situação que ensejou na não ida da viatura e na morte de Daniela”, disse.

O tenente coronel também reclamou da falta de efetivo e de problemas com a frota da Polícia Militar. Ele também disse que toda pessoa que liga para a polícia encara que o próprio caso é prioritário. “Cada um tem sua prioridade”, disse. “Uma briga de casal que o policial atende como conciliador poderia ter se tornado, pela falta do policial, um homicídio também”.

Nessa sexta-feira, o governador Ratinho Júnior disse que assumiu o governo com parte da frota da PM parada em oficinas e que existe um estudo para trabalhar com viaturas locadas. A Secretaria de Segurança Pública investiga o caso internamente, para saber se houve algum tipo de erro no atendimento.

Emerson Bezerra, o assassino, está preso por homicídio triplamente qualificado: feminicídio, motivo torpe e meio cruel. As gravações das ligações foram solicitadas pelo Ministério Público e anexadas ao  processo do assassinato.

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