Empresas que vendiam carne roubada em Curitiba são alvos da polícia

Lucian Pichetti - CBN Curitiba


Casas de carnes nobres e restaurantes de Curitiba vendiam produtos roubados. Os estabelecimentos, cujos nomes não foram divulgados, eram usados para lavar o dinheiro do furto e roubo de cargas refrigeradas. A quadrilha tinha preferência por peixe, suíno, bovino e frango, mas também foram roubadas cargas de pão de alho e de fermento.

Nesta quinta-feira (13) a Delegacia de Furtos e Roubos de Cargas (DFRC) cumpriu 16 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão – um em Itajaí (SC) e dois em Curitiba. O suspeito catarinense já estava no sistema prisional.

O delegado Ademair Braga, responsável pela Operação Mão de Vaca, explica que lojas de fachada vendiam os produtos, escondendo a origem ilícita. “Grande parte das mercadorias eram distribuídas em Maringá e parte ficava nas boutiques e açougues que foram alvos da operação”, explicou.

O quarto mandado de prisão ainda não foi cumprido. Ed Carlo da Silva segue foragido. Conhecido pelo apelido de “Mão de Vaca” – que dá nome a operação – ele é proprietário de quatro boxes em dois centros gastronômicos de Curitiba. Ed Carlo e os outros três presos eram os líderes da quadrilha, responsáveis pela arquitetura do crime.

“A grande maioria dos roubos aconteceram em Curitiba e região metropolitana. Também tivemos casos em Santa Catarina”, explica. Segundo ele, informações obtidas aqui no Paraná foram compartilhadas com Santa Catarina, onde a polícia também teve êxito em alcançar alguns dos alvos.

Investigações

As investigações começaram em maio do ano passado. De lá para cá, foram mais de 20 prisões, 400 toneladas de carne apreendidas e um prejuízo de aproximadamente 200 milhões de reais. Os criminosos utilizavam codinomes relacionados aos produtos saqueados, entre eles “mão de vaca” e “carne moída”.

“É uma investigação complexa, que vem acontecendo há muito tempo. Tão logo tomamos conhecimento da existência dessa quadrilha, em maio do ano passado, parte da quadrilha caiu. Na ocasião, tivemos seis pessoas presas e 27 toneladas apreendidas”, disse.

Após roubar os caminhões, os criminosos adulteravam os chassis e revendiam os veículos. O dinheiro era investido em imóveis, que também são alvo da investigação. De acordo com o delegado, novas fases da operação devem ser desencadeadas em 2019, na região norte do Paraná.

“Neste primeiro momento, em que deflagramos a operação, temos os próximos passos. Vamos atuar de forma mais enérgica no Norte do estado, onde temos um ponto sensível de receptação da carga”, afirma. Os suspeitos vão responder por furto e roubo de cargas refrigeradas, lavagem de capitais e organização criminosa.

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