Paranaenses foram protagonistas de boas notícias em 2018

Redação


O ano de 2018 foi marcado por eleições polarizadas no Brasil, pela crise migratória, crimes que chocaram o país e reviravoltas no cenário político. Mas 2018 também foi um ano de boas notícias, grande parte delas protagonizadas por pessoas comuns que, em meio às dificuldades, encontraram formas de tornar o mundo melhor.

E os paranaenses têm muitos motivos para se orgulharem. Relembre alguns dos casos mais emocionantes e inspiradores do estado de 2018.

A vida continua

No primeiro trimestre deste ano, o Paraná ganhou um motivo de muito orgulho: o estado se tornou líder em número de doações e transplantes de órgãos no país. O estado conquistou a posição com 50,2 doadores efetivos a cada milhão de habitantes. No mesmo período, ficou em primeiro lugar em transplantes de rim e terceiro em transplante de fígado.

Um único doador de órgãos e tecidos pode beneficiar até dez pessoas que aguardam por um transplante de órgão ou tecido.

Atualmente, o Brasil registra números recordes e tem o melhor cenário dos últimos 20 anos. No ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o país realizou 27 mil transplantes, 2 mil a mais que 2016. A expectativa é que esse número seja cada vez maior, principalmente pela qualificação das equipes médicas e pela informação de como o procedimento é feito.

Foto: Venilton Kuchler

Para o secretário de Saúde do Paraná, Antônio Carlos Nardi, o resultado evidencia a qualidade do trabalho desenvolvido no Estado em relação à doação de órgãos. “Além de um sistema de captação e transporte de órgãos organizados, contamos com excelentes profissionais como a equipe do Hospital Bom Jesus, em Toledo, na região oeste, capacitados a conversar com as famílias dos possíveis doadores com sensibilidade que o assunto merece”, disse.

Vitória sobre o câncer

Foi lá no comecinho do ano, em março, que pesquisadores paranaenses do Instituto Carlos Chagas da Fundação Oswaldo Cruz, em Curitiba, desenvolveram uma molécula que pode reinventar o tratamento contra a leucemia e alguns outros tipos de câncer.

Stephanie Bath de Morais, Nilson Zanchin e Tatiana Brasil modificaram em laboratório a enzima chamada de “asparaginase humana”. Tatiana explicou que a enzima é usada há quase 50 anos em medicamentos que atuam no tratamento da Leucemia Linfóide Aguda, que atinge principalmente crianças e adolescentes. A asparaginase é capaz de controlar a asparagina, que é um aminoácido presente no corpo humano, que contribui para o desenvolvimento de células cancerígenas.

Foto: Ascom / Hoiol

“Hoje o tratamento é feito com vários medicamentos, dentre eles a asparaginase. Ela é muito eficiente no tratamento, mas hoje ela é isolada de bactérias. Hoje, quando é injetada no paciente, ela acaba com as paraginas circulantes e as células leucêmicas precisamo desse aminoácido para sobreviver e acabam morrendo”.

De acordo com o Ministério da Saúde, atualmente no Brasil cerca de quatro mil pacientes utilizam a asparaginase bacteriana no tratamento da Leucemia. Ela é importada pelo Sistema Único de Saúde de países como Alemanha e Estados Unidos.

A asparaginase é administrada em conjunto com diferentes coquetéis por meio de injeções. A possibilidade de cura com o tratamento é de 90%. Tatiana conta que o problema é que para alguns pacientes ela causa diversos efeitos colaterais severos.

“Trinta por cento dos pacientes tem essa resposta de hipersensibilidade para moléculas de bactérias. Então esse tratamento vai melhorar a qualidade de vida de cerca de 30% dos pacientes”. Tatiana estima que, se tudo correr bem, a descoberta chegue até os pacientes como medicamento em cerca de dez anos.

Robô herói

Um simpático robozinho tem ajudado pacientes a identificarem problemas de vista. E o robozinho é paranaense! Em junho deste ano, o Adam Robô, criado pela startup curitibana Prevention, ficou na 15ª colocação na Imagine Cup 2018 da Microsoft, a maior competição internacional de inovação.

Recentemente, o projeto também foi aprovado no Edital de Inovação para a Indústria, iniciativa do SENAI, SESI e Sebrae. Além disso, a empresa da capital foi escolhida pelo reality show Shark Tank Brasil e recebeu aporte financeiro de R$ 200 mil.

Foto: Luiz Costa / SMCS

O equipamento usa a inteligência artificial para identificar, em no máximo cinco minutos, problemas oftalmológicos como miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia (vista cansada).

O robô também participa da disputa por uma das nove vagas da semifinal do Startup Show, a maior competição entre startups do país. O reality show dará prêmios, mentoria e uma viagem ao Vale do Silício, na Califórnia (EUA), para a startup vencedora.

Ao todo, 27 empreendedores estão participando da competição de 12 semanas. As etapas eliminatórias do Startup Show, que começaram em setembro, estão sendo gravadas em um formato de websérie até a grande final este mês.

A Prevention começou a desenvolver o Adam Robô, em 2017, no Worktiba Barigui, primeiro coworking público do país. No espaço da Prefeitura, a startup trabalhou por dez meses. Posteriormente, o projeto foi incubado na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

Pesquisas indispensáveis

Em novembro, um projeto do Centro de Estudos do Mar, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi selecionado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). Dentre os 114 inscritos no país, apenas 16 foram selecionados para viajar até a Antártica para colher material para as pesquisas.

O projeto paranaense, batizado de “As múltiplas faces do carbono orgânico e metais no ecossistema subantártico”, terá duração de 48 meses. Neste período, serão feitas três expedições de coleta conforme explica o coordenador César de Castro Martin.

“Dentro desse período estão previstas três operações antárticas. E essas expedições acontecem sempre no verão, porque tem o derretimento do gelo e isso facilita a coleta e atividades na região”, explicou.

Além da UFPR, o grupo terá o apoio da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

O projeto começou em dezembro e prevê a participação de pesquisadores em três expedições ao ambiente subantártico no período de 2019 a 2022, para a coleta de amostras de água superficial, material particulado em suspensão e sedimentos de fundo.

Estudante na ONU

Em setembro, um estudante de Curitiba foi centro das atenções na capital e no mundo. Gabriel Genivaldo dos Santos, de 16 anos, é morador da Vila Torres, um bairro pobre com moradias precárias e registro de miséria no coração da cidade.

Naquele mês, ele representou o Brasil no Dia do Debate Geral da Organização das Nações Unidas, em Genebra, na Suíça, em discurso para os representantes do Comitê de Direitos da Criança das Nações Unidas.

O evento ocorre a cada dois anos e reúne jovens de diferentes países do mundo para falar sobre assuntos relacionados aos direitos das crianças.

Gabriel é aluno do Centro Educacional Marista Eunice Benato, uma das 23 unidades sociais do Grupo Marista, que funcionam em comunidades de risco social e atendem, gratuitamente, crianças, adolescentes e jovens, por meio da educação e projetos no contra turno escolar. O adolescente falou sobre “Liberdade de expressão e violência nas escolas”. O tema foi definido pela ONU.

Segundo Diagnóstico Participativo das Violências nas Escolas, feito em 2016, com aval do Ministério da Educação, 69,7% dos jovens relataram naquele ano a ocorrência de algum tipo de violência no âmbito escolar. Nos arredores das instituições de ensino, segundo o levantamento, 82,2% dos alunos consideram que ocorre algum tipo de violência.

Por meio do Dia do Debate Geral, a ONU monitora direitos das crianças e adolescentes. Com isso, o Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, órgão formado por 18 especialistas de todo o mundo, recomenda governos dos países sobre como manter os compromissos firmados na Convenção sobre os Direitos da Criança, da qual o Brasil é signatário desde 1990.

Contra o bullying

O estudante paranaense Douglas Froelich criou uma lei para o Paraná neste ano. Ele, que foi aluno do Colégio Estadual do Campo Helena Kolody, no município de Cruz Machado, no Sul do Estado, foi vencedor do programa Geração Atitude.

O rapaz propôs ao Legislativo a instituição do Dia e da Semana de Prevenção e Combate ao Bullying, além de ações relacionadas ao tema. A lei foi sancionada e publicada no Diário Oficial do Estado no dia 27 de setembro.

A Lei tem como objetivo alertar a comunidade escolar sobre o tema, promover campanhas de conscientização e informação por meio de ações e programas desenvolvidos pela Secretaria de Estado da Educação.

Foto: Noemi Froes / Alep

“O Geração Atitude permite que os jovens expressem suas opiniões e contribuições para o desenvolvimento do Estado. O projeto foi inscrito com o intuito de conscientizar os alunos a não cometerem o bullying e alertar sobre suas consequências tanto para quem pratica quanto para quem sofre”, disse Froelich, que já concluiu o ensino médio.

De acordo com a nova Lei, as ações de combate ao bullying serão realizadas, todo ano, na semana de 7 de abril com palestras, distribuição de materiais de orientação e promoção de diferentes atividades educativas interdisciplinares. A data é celebrada junto com o Dia Nacional de Combate ao Bullying.

“Acredito que essa Lei vai contribuir para a diminuição de casos de discriminação, preconceito e até a violência nos colégios, porque com as palestras, cartazes e um dia dedicado exclusivamente ao combate do bullying vamos mudar o pensamento das pessoas sobre essa prática”, destacou Froelich.

Tecnologia pelos pets

Existem muitos grupos nas redes sociais para ajudar a encontrar animais desaparecidos. Mas um veterinário curitibano resolveu criar uma nova rede social exclusiva para os pets. O projeto Puppyfi ajuda animais a retornarem para casa por meio de uma comunidade em que todos estão engajados na missão de encontrar o bichinho.

De acordo com o criador da plataforma, Alexandre Roa, a ideia nasceu a partir de uma necessidade particular. “Um conhecido perdeu um pet e pediu ajuda. Nós criamos uma página no Facebook. Essa página teve bastante repercussão e sucesso. Isso motivou a criação de novas páginas e quando a gente viu estávamos com 40 páginas e 35 grupos. Foi então que a gente teve a ideia de unir toda essa comunidade em um lugar só”, conta Roa.

Foto: Reprodução / Puppyfi

Já são mais de 40 mil seguidores e 1800 usuários ativos no site oficial que trabalham na missão de encontrar os animais perdidos, arrecadar recursos para casos de resgates ou fazer a ponte entre um adotante e o pet. Para Alexandre, o sucesso da iniciativa mostra o quanto há pessoas engajadas em ajudar, sem receber nada em troca.

“Quando você une essas pessoas, a que precisa de ajuda e a que gosta de ajudar, o prazer é enorme. É uma comunidade do bem e isso é muito bom”, comemora.

A foto e a história de cada animal cadastrado são enviadas para todas as páginas criadas por eles. O projeto se espalhou por todo o país e até para Portugal. O idealizador estima que 3,5 mil animais tenham retornado para casa com a ajuda do site. Mas o propósito da ferramenta vai além de um serviço de “achados e perdidos” e também atende outras demandas como adoções e vaquinhas para ajudar usuários e ONGs. Para fazer parte dessa comunidade é só acessar o site puppyfi.com.

Boas notícias também na cultura

Neste ano, o cinema paranaense alcançou uma conquista inédita: o longa Ferrugem, do diretor Aly Muritiba, levou três kikitos inclusive o de melhor filme no Festival de Cinema de Gramado, considerada a principal premiação do país. Os jurados também elegeram a produção paranaense como Melhor Roteiro e Melhor Desenho de Som.

O diretor, Aly Muritiba, é baiano radicado em Curitiba. O ex-agente penitenciário iniciou a carreira como cineasta em 2008, aos 29 anos de idade, e em 2015 faturou sete prêmios no Festival de Brasília com o longa Para Minha Amada Morta e chamou atenção da cena internacional com premiações em Sundance e exibições em diversos eventos pelo globo.

Foto: Reprodução

O longa Ferrugem se desenrola a partir do vazamento de um vídeo íntimo de uma adolescente em um grupo de WhatsApp e para o diretor, Aly Muritiba, pretende ser mais um motivador de debate sobre o mundo atual. Nos cinemas, Muritiba já tem mais dois projetos engatilhados: está na pré-produção de uma série para a Netflix e ano que vem roda um novo longa.

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