Médicos têm protocolo especial de atendimento a mulheres vítimas de violência

Redação e Alexandra Fernandes

Casa da Mulher Brasileira

O Paraná registra, em média, 90 casos de violência contra mulher por dia, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Só no primeiro semestre deste ano, foram 82 inquéritos abertos pela Polícia Civil e 60 casos denunciados ao Ministério Público.

Nas situações em que as agressões chegam ao ponto de se precisar de atendimento hospitalar, um protocolo do Ministério da Saúde impõe que o profissional de saúde, ao perceber indícios de violência contra a mulher, registre a suspeita no prontuário de atendimento.

No hospital Vita em Curitiba, por exemplo, pacientes que dão entrada no pronto atendimento e apresentam alguma suspeita são acolhidas.

Segundo o diretor, Gustavo Schulz, se a mulher quiser denunciar, é oferecido todo o apoio. “Esses médicos são frequentemente abordados em relação a isso, para que fiquem atentos e observem sinais que possam indicar algum indício de que a mulher está sofrendo algum tipo de violência”, diz. Alguns dos sinais, segundo ele, são fraturas múltiplas ou hematomas.


Este protocolo, chamado de notificação compulsória, é um dever dos hospitais públicos e privados. Os dados são encaminhados para as secretarias de saúde dos municípios, que então com as estatísticas podem gerenciar os programas de enfrentamento a violência.

“Existem muitos profissionais sensibilizados, preparados para dar esse atendimento à mulher que está fragilizada e precisa ser acolhida, no momento em que vai relatar sua história”, afirma a promotora de Enfrentamento a Violência Doméstica no Paraná, Fernanda Mota Ribas.

Dificuldade para denunciar

Ao mesmo tempo em que as mulheres demonstram ter mais consciência da violência doméstica, uma parcela menor de vítimas tem procurado delegacias e centros de referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência. Ainda há dificuldades para que as vítimas denunciem os parceiros.

De acordo com a promotora Fernanda Mota Ribas, entre os motivos estão à fragilidade emocional para romper com o relacionamento abusivo.

“É uma dificuldade que a mulher tem de romper o ciclo da violência, de se sentir no direito de se proteger, de se defender. Ela acaba ficando refém duplamente, do agressor e da concepção que ela tem de que não consegue romper essa situação”, explica.

Para a promotora, as políticas de acolhimento às mulheres avançaram muito. É importante que a vítima saiba que ela não está sozinha.

Em Curitiba, a Casa da Mulher Brasileira oferece orientação. O local fica aberto 24 horas e fica ao lado do terminal do Cabral, na Avenida Paraná, 870.

Mais informações podem ser obtidas no telefone 3252-1048.

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