Mãe de jogador Daniel presta depoimento

Francielly Azevedo, Vinicius Cordeiro, William Bittar - CBN Curitiba e Cristina Seciuk - CBN Curitiba

As audiências de instrução do processo que investiga a morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, de 24 anos, entraram no segundo dia nesta terça-feira (19). Ontem, três testemunhas de acusação foram ouvidas na 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

O segundo dia começou com atraso de quarenta minutos. As primeiras testemunhas a serem ouvidas são sigilosas. Elas estavam na casa de Edison Brittes quando as agressões ao jogador começaram.

Também prestou depoimento Eliana Côrrea, mãe do atleta, que mora em Minas Gerais. Ela chegou ao Paraná ontem e foi a primeira pessoa a ser ouvida durante a tarde, assim que as atividades foram retomadas após uma pausa para o almoço.

Allana Brittes, ré no processo. Foto: Giuliano Gomes/PR Press/Folhapress

Na chegada ao Fórum, a mãe do jogador, Eliana Corrêa, falou sobre o filho e que não desejava direcionar o depoimento aos acusados. “Meu filho lá de cima está do meu lado me apoiando. Eu não vou falar pra eles, eu vou falar quem era o meu filho. Eles sabem o que eles fizeram”, disse.


Na sala de audiência, além dela e dos advogados que atuam no processo também estavam os seis réus presos, entre os quais Edison Brittes, assassino confesso do rapaz. Essa foi a primeira vez em que familiares de Daniel ficaram frente a frente com os acusados de participação na morte, ocorrida em outubro.

Durante pouco menos de uma hora, a mãe de Daniel respondeu perguntas dos advogados de defesa dos réus, da promotoria e do assistente de acusação.

Eliana falou em “frieza desumana” ao comentar contatos que Edison Brites e a filha Allana fizeram com ela após o crime, em telefonemas e mensagens de WhatsApp, nos quais teriam lamentado a morte do atleta e se colocado à disposição para ajudá-la no que fosse necessário.

Também falou diante da juíza a tia e madrinha de Daniel, Regina Corrêa de Assis. Enquanto era realizada a audiência, os réus permaneceram na sala, uma vez que todos têm direito de conhecer integralmente as acusações.

Cristiana e Allana Brites sentaram-se lado a lado, vestiam o uniforme do sistema prisional e não usavam algemas. Os outros réus não usavam as vestes padronizadas, mas foram mantidos com mãos e pés algemados durante as atividades. Edison Brittes vestia calça jeans, camisa social e blazer. Visivelmente mais magro do que à época do crime, aparentava abatimento, mas reagiu pouco aos depoimentos.

As audiências de instrução seguem na fase de oitiva das pessoas indicadas pelo Ministério Público, na etapa de acusação. Vencida essa fase devem sem ouvidas quase uma centena de testemunhas de defesa, arroladas pelos representantes dos sete implicados no processo e apenas depois disse ocorrerá o interrogatório dos réus para que o juízo decida se vão ou não a júri popular.

Primeiro dia

Nesta segunda-feira (18), a sessão começou com atraso, depois das 14h, e teve Lucas Mineiro como a primeira testemunha ouvida. Morando em outro estado por ter sido jurado de morte em novembro do ano passado, ele relatou como foram as agressões ao ex-jogador, sem incluir Cristiana e Allana Brites entre os agressores. “O depoimento superou positivamente as expectativas da defesa”, resumiu o advogado de defesa da família, Cláudio Dalledone Júnior.

Também prestaram esclarecimentos os jovens Gabriel Purkote e Eduardo Purkote como testemunhas de acusação. O delegado Amadeu Trevisan foi dispensado.

No total, são 77 testemunhas de acusação e defesa arroladas no processo. Após todas falarem, os réus serão interrogados, o que deve acontecer na quarta-feira (20). Com o fim das oitivas, as partes de acusação e defesa terão que fazer suas alegações finais. Somente após isso, a juíza Luciani Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal, Júri e Execuções Penais vai decidir se os sete réus envolvidos no crime vão para Júri Popular.

Mãe de Daniel acompanha depoimentos

Eliana Corrêa compareceu também ao primeiro dia de audiência de instrução do processo. Ao falar com a imprensa ela disparou contra a família Brittes, acusada pelo crime.

“Não é fácil reviver tudo isso outra vez e ter que estar de frente com esses monstros. Vou tentar ser o mais forte possível pela honra do meu filho para conseguir que a memória dele não fique como eles pintaram. Têm sido meses de tristeza. Eu recebo muitas mensagens de conforto de todo o Brasil, é um grande apoio. Mas meu filho não volta mais. Essas pessoas tem que pagar pelo que fizeram”, disse ela antes de entrar no Fórum.

Acusados

Dos suspeitos, apenas Evellyn Brisola Perusso, responde o processo em liberdade. Os outros seis foram detidos poucos dias após o crime:

  • Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente e coação no curso do processo;
  • Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • David Willian Vollero da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e denunciação caluniosa;
  • Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho.

O caso

Revelado pelo Cruzeiro e com passagens por Coritiba, São Paulo, Ponte Preta, Botafogo e São Bento, Daniel veio para Curitiba comemorar o aniversário de 18 anos de Allana Brittes, no dia 26 de outubro, em uma casa noturna, no bairro Batel. A comemoração se estendeu na casa dos pais de Allana, Cristiana e Edison Brittes, último lugar que o jogador teve contato com amigos pelo WhatsApp. Na casa, ele foi espancado e depois conduzido no porta-malas do carro de Edison até a Colônia Mergulhão, onde foi morto.

O corpo do jogador foi encontrado em uma área de mata, na cidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no sábado (27), por moradores da região. Ele estava nu, com diversos cortes, dois deles profundos na região do pescoço, e teve o pênis decepado. O órgão estava pendurado em uma árvore a 20 metros de onde o corpo foi encontrado.

Edison foi gravado em ligação com um amigo da vítima se lamentando sobre o sumiço do atleta e dando outra versão sobre o que aconteceu na noite em que Daniel morreu. Na ligação, que aconteceu após o corpo de Daniel ter sido encontrado e identificado, Edison Brittes diz que não sabia como Daniel foi embora e que estava chocado com o caso. Falou também que teve que dar calmante para a filha, Allana, após saberem da morte da vítima e que ele chegou a ligar para a irmã de Daniel para dar os pêsames.

Edison afirma que Daniel estava no quarto tentando estuprar Cristiana. O delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevizan, declarou que a família Brittes mentiu nos depoimentos e que teriam formulado uma história.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Repórter do Paraná Portal e Rádio CBN. Tem passagens pela TV éParaná, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina.
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