Caso Tatiane Spitzner: 13 testemunhas são ouvidas no primeiro dia de audiências

Alexandra Fernandes


A juíza Paola Mancini, da 2ª Vara Criminal de Guarapuava, região central do Paraná, começou a ouvir nesta terça-feira (11) as testemunhas do processo que acusa o professor Luis Felipe Manvailer de matar a esposa, a advogada Tatiane Spitzner.

Por volta das dez da noite, a nona testemunha começou a ser ouvida. O homem estava em frente ao edifício onde o casal morava. Ele teria presenciado o corpo de Tatiane debruçado na sacada, com uma das pernas para o lado de fora.

Neste primeiro dia de audiência, ainda prestaram depoimento uma amiga pessoal da advogada e uma amiga do casal. Ao todo, acusação e defesa indicaram cerca de cinquenta pessoas. Ao longo desta terça-feira (11), o delegado Bruno Miranda abordou detalhes das investigações. Ele afirmou que o Instituto de Criminalística não conseguiu acessar dados do celular de Manvailer. O aparelho está bloqueado e permanece apreendido.

Também foram ouvidos os investigadores da Polícia Civil que atenderam a ocorrência no dia do crime, há quase cinco meses, e o agente de necropsia que participou dos exames no corpo de Tatiane. O advogado de Manvailer, Cláudio Dalledone Júnior, afirma que o inquérito tem falhas. “Nenhuma linha de suicídio foi percorrida. Não se investigou se ela se suicidou”, disse. “Vários mitos estão caindo por terra. Várias certezas foram abaladas com a inquirição de quatro testemunhas. Por isso, a Justiça se perfaz com o contraditório”.

A acusação sustenta que Tatiane foi morta pelo marido e teve o corpo atirado do quarto andar do prédio onde morava. Quando foi encontrado, o corpo estava dentro do apartamento. Câmaras instaladas nos corredores, garagem e elevador do prédio flagraram Manvailer agredindo a esposa.

O corpo tinha diversos arranhões e escoriações. O advogado da família de Tatiane, Gustavo Scandelari, avalia que a culpa do marido está demonstrada. “Ele agrediu a Tatiane longamente, isso foi filmado, ele nunca admitiu. O fato da fuga dele, do resultado do laudo do IML dizendo que ela morreu por asfixia mecânico. Tudo isso é incontestável”, disse.

Luis Felipe Manvailer acompanhou a audiência. Ele está preso desde a data do crime, em 22 de julho, e deve ser interrogado na quinta-feira (13). No mesmo dia, ainda deve ser ouvido o chefe administrativo do Instituto Médico Legal (IML) de Guarapuava, Obadias de Souza de Lima Júnior.

As audiências estavam agendadas inicialmente para 22 de novembro, mas foram adiadas depois que a juíza acolheu o pedido do Ministério Público para incluir o motivo torpe como qualificadora do crime de homicídio.

A modificação foi feita depois da conclusão do laudo do Instituto Médico-Legal (IML) que apontou que Tatiane morreu por asfixia mecânica, ‘causada por esganadura e com sinais de crueldade’, e que não há dúvidas de que a advogada foi morta antes de ser jogada do quarto andar do prédio.

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