Paraná recebe quarto grupo de venezuelanos até dezembro

Lenise Aubrift Klenk - BandNews FM Curitiba e Mariana Ohde


O Paraná se prepara para receber mais um grupo de venezuelanos vindos de Roraima no final de novembro ou começo de dezembro. E este quarto grupo, composto por 102 pessoas, deve encontrar, no estado, um acolhimento melhor estruturado.

Um novo programa de acolhida, proteção e integração, que foi chamado Pana – ou “amigo”, em um idioma indígena da Venezuela – está sendo desenvolvido pela Cáritas da Suíça em parceria com o governo dos Estados Unidos

A ideia é receber os imigrantes em casas mobiliadas transitórias. O projeto será executado em sete capitais pela Caritas brasileira. Além de Curitiba, vão participar do Programa Pana as cidades de Boa Vista, Porto Velho, Brasília, Recife, São Paulo e Florianópolis.

Os locais foram escolhidos por serem grandes áreas metropolitanas, o que deve favorecer a integração.

Casas temporárias

Um dos articuladores locais do programa, o psicólogo Marcos Regazzo, diz que os imóveis alugados serão casas de passagem, que devem dar lugar a um novo grupo de 102 venezuelanos em cerca de quatro meses.

“Vamos alugar casas para que esses venezuelanos cheguem e já as encontrem mobiliadas. Nosso projeto é fazer esse processo de inserção na sociedade”, afirmou, explicando que as ações também envolvem apoio para busca de trabalho e educação.

Em maio ou junho do ano que vem, um novo grupo deve chegar. “Essas casas serão casas de passagem. Eles virão a Curitiba, ficarão quatro meses e depois devem sair para um novo grupo assumir”, explica.

A desocupação deve ser feita na medida em que as pessoas sejam deslocadas para outras cidades ou tenham condições de viver pelos próprios meios em Curitiba.

As instituições têm orçamento para pagar aluguel de aproximadamente R$ 900 por casa. A intenção é alugar entre 17 e 22 imóveis para cerca de cinco pessoas em cada.

A seleção dos imigrantes, que será feita em Boa Vista, capital de Roraima, levará em conta a disposição dos venezuelanos de se transferir para cidades do interior do Paraná.

Dificuldades e ajuda

Segundo Marcos Regazzo, a equipe responsável pelo programa em Curitiba considera a possibilidade de alugar casas na região metropolitana porque está enfrentando resistência dos proprietários de imóveis na capital.

“Por preconceito, os donos não querem alugar para os grupos de venezuelanos, mesmo sendo a Cáritas que vai alugar e uma congregação parceira nossa”, lamenta. “É pelo simples fato de saberem que são venezuelanos que vão morar lá”.

As casas alugadas serão mobiliadas e equipadas com a ajuda de doações que chegarem da comunidade. Regazzo diz que todo tipo de ajuda é bem-vindo. “Estamos aceitando qualquer tipo de doação”, disse, ressaltando a necessidade de mobília para casa, produtos de limpeza e higiene, entre outros.

Empresas, como padarias, estão ajudando com a doação de alimentos e doação de roupas também são bem-vindas, por causa do grande número de imigrantes. O excesso, segundo Regazzo, será doado.

Imigrantes no Paraná

O Paraná já recebeu três grupos de imigrantes venezuelanos atendidos pela Operação Acolhida, projeto do governo federal que tem o apoio da Agência da ONU para Refugiados (Acnur).

Uma parte está em Curitiba, em um imóvel alugado pela Cáritas, chamado de Casa Dom Oscar Romero.

Atualmente são 104 pessoas em Curitiba.

Alguns já se mudaram para outras cidades, onde conseguiram oportunidades de trabalho. Uma parte está em Goioerê, no Noroeste do Paraná, sob a responsabilidade da organização Aldeias Infantis SOS.

Crise na Venezuela

Cerca de 3 milhões de pessoas já deixaram a Venezuela por causa da crise econômica que assola o país. O dado foi divulgado nesta semana pela Acnur e Organização Internacional para as Migrações (OIM).

O Brasil, embora seja o maior país na América Latina, é um dos que menos têm recebido os migrantes. O principal destino dos refugiados é a Colômbia, que acolheu 1 milhão de pessoas. No Brasil, cerca de 85 mil venezuelanos vieram buscar melhores condições de vida.

Em números, ainda estão à frente do Brasil o Peru (500 mil), Equador (220 mil), Argentina (130 mil), Chile (100 mil) e Panamá (94 mil).

Aqui no país, a maioria das pessoas chega por Roraima e se concentra na capital Boa Vista. Por isso, há alguns meses, o governo brasileiro iniciou uma campanha para a interiorização deste movimento em parceria com a Acnur, entidades da sociedade civil e prefeituras.

Desde então, várias capitais, como Rio de Janeiro, Manaus e São Paulo, e cidades do interior têm acolhido os imigrantes, que são transportados em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e outros meios. Nos locais, prefeituras e organizações civis trabalharam para oferecer a eles uma estrutura básica para recomeçar.

Como ajudar

Pessoas interessadas em ajudar os venezuelanos em Curitiba com doações podem entrar em contato com a Caritas pelo telefone (41) 3023-9907.

As doações também podem ser entregues das 9h às 17h na Casa de Acolhida Dom Oscar Romero, na Rua General Teodorico Guimarães, número 48, no bairro Fanny.

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