Bradesco é condenado pagar R$ 50 mil para ex-gerente no Paraná

Fernando Garcel


O Banco Bradesco foi condenado a pagar indenização de R$ 50 mil a uma ex-gerente que teve o quadro de depressão agravado em função das condições de trabalho no Paraná.

A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho entendeu que a doença da ex-gerente foi diretamente influenciada pela cobrança de metas excessivas. Essa cobrança, segundo a decisão, implicava em críticas do superintendente feitas em público e de maneira depreciativa.

Na reclamação trabalhista, a ex-bancária contou que conseguia cumprir os objetivos até a saída de um gerente de contas da equipe dela. Quando esse funcionário saiu não houve redução proporcional das metas nem a nomeação de um novo profissional em tempo razoável.

De acordo com a reclamante o superintendente não atendia o pedido da mulher para a reposição de pessoal e, segundo testemunhas, cobrava, de forma enfática, o alcance de resultados. Após avaliação de desempenho, o banco despediu a bancária sem justa causa, enquanto apresentava episódio depressivo grave.

Metas inviáveis

Em primeira instância o Bradesco foi condenado ao pagamento de R$ 30 mil de indenização por dano moral à trabalhadora. O Tribunal Regional do Trabalho do Paraná, apesar de reconhecer que as situações vivenciadas no banco contribuíram para que a doença se agravasse, não concluiu pela ocorrência de assédio moral e absolveu a instituição bancária.

A bancária recorreu ao TST, onde o relator do recurso, o ministro Maurício Godinho Delgado, afirmou que houve assédio moral decorrente de cobranças de metas inviáveis, e o agravamento dos episódios depressivos estava relacionado às atividades desempenhadas pela empregada. Segundo Godinho, esse tipo de assédio se caracteriza por condutas abusivas, mediante gestos, palavras e atitudes, praticadas sistematicamente pelo superior hierárquico contra o subordinado.

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