Com um morto e 28 feridos acaba rebelião em Cascavel

Fernando Garcel

Com Andreza Rossini

A rebelião na Penitenciária Estadual de Cascavel, no Oeste do Paraná, chegou ao fim por volta das 10h30 deste sábado (11). Os presos mantiveram o motim com agentes penitenciários como reféns por cerca de 43 horas. Um preso morreu decapitado. Hoje, o diretor do Depen, Luiz Alberto Cartaxo de Moura afirmou que a morte anunciada ontem pela Sesp não foi confirmada.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (Sesp), os agentes penitenciários feitos reféns foram liberados e passam bem. A Polícia Militar (PM) e equipes do Setor de Operações Especiais (SOE) tiveram acesso à unidade.

Em coletiva de imprensa, Cartaxo  afirmou que as obras de recuperação da penitenciária serão realizados com os presos no local. “Os estragos nem se comparam aos da rebelião de 2014, mas a segurança no local terá que ser aumentada muito por causa das obras, então os familiares, a imprensa e qualquer pessoa que não faça parte do dia a dia carcerário terá acesso ao presídio”, disse. Nas outras unidades prisionais do estado, as visitas voltam ao normal no próximo domingo (12).

Cartaxo também afirmou que os familiares serão informados sobre a situação de cada um dos presos. 28 detentos estão com ferimentos leves ou moderados e foram levados para uma unidade de saúde.


Ainda segundo o diretor, ainda não sabe-se quantos detentos fugiram da penitenciária. “Nós identificamos durante as vistorias que fizemos, registramos alguns pontos de fuga: alguns foram utilizados e outros não, entretanto não podemos ainda estimar um tanto exato de fugas. O número só será divulgado após a contagem oficial dos presos, que está sendo feita neste momento”.

Questionado sobre o motivo da rebelião, Cartaxo afirmou que os presos queriam fugir. “Muitos objetivos podem ser alcançados por presos rebelados, ganhos na negociação, a recuperação das visitas que eles perderam nos finais de semana, mas o principal ganho que eles poderiam ter é a possibilidade de fuga e esse, talvez o único que realmente tiveram”.

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Rebelião

Segundo a Sesp, a rebelião pode ter sido motivada por uma briga entre facções e os presos não fizeram exigências. Segundo a secretaria, o presídio de Cascavel abriga 980 detentos. A capacidade da penitenciária é para 1.160 presos.

O motim foi organizado por integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) que mantiveram detentos de outra facção e três agentes penitenciários como reféns. Um dos funcionários da penitenciária foi resgatado ainda no primeiro dia. Um preso foi decapitado. Ele seria líder da facção “Máfia Paranaense” e já estava jurado de morte pelo PCC. Existe a suspeita de uma segunda morte que será apurada com a entrada da PM no local.

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“Uma guerra de facções, infelizmente o preso que foi decapitado, segundo o secretário [de Segurança, Wagner Mesquita], sua cabeça foi apresentada como troféu por uma facção adversária, PCC e outras facções, mas, enfim, a Secretaria está lá tentando resolver essa situação da melhor maneira possível. O mais importante neste momento é preservar vidas, que não haja confronto e acima de tudo a vida dos reféns seja preservada”, disse o governador na tarde desta sexta.

Rebeliões

Em 2014, na mesma cadeia, uma rebelião que durou 40 horas deixou cinco presos mortos e 27 feridos, em uma dos casos mais violentos em presídios da história do Paraná. Em 2016, uma nova rebelião deixou 12 presos feridos.

Depois da destruição das duas rebeliões, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária, o presídio de Cascavel foi reformado e entregue em novembro de 2016. Foram investidos pouco mais de R$ 1 milhão na obra.

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Para a presidente do sindicato dos agentes, o custo da rebelião é sempre maior do que o dinheiro que poderia ter sido investido para evitar o problema. “Já destruíram tudo. Não quiseram gastar alguns mil em mais segurança, agora vão ter que gastar de novo milhões para arrumar a cadeia”, reclama Petruska.

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