Justiça marca júri popular de ex-deputado Carli Filho

Fernando Garcel


A 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba marcou para 27 e 28 de fevereiro de 2018 o início do julgamento do ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho. Ele é acusado de ser o responsável pela morte de Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, filho da deputada federal Christiane Yared, e Carlos Murilo de Souza, de 20 anos, em um acidente de trânsito em Curitiba.

As investigações apontaram que Carli Filho estava embriagado e dirigia a quase 170 km/h. O ex-parlamentar estava com a CNH suspensa, tinha recebido mais de 29 multas por excesso de velocidade, na época.

A decisão é do juiz Daniel Surdi de Avelar e foi publicada na tarde desta quarta-feira (22). A defesa do ex-deputado impetrou uma série de recursos em instâncias superiores desde a denúncia. A última tentativa de adiar o julgamento foi negada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do mês de outubro.

“Com essa decisão publicada, não há mais objeto para o habeas corpus que suspende o júri, uma vez que ele determinava a suspensão até o julgamento dos recursos e todos já foram julgados. Assim, o processo deve voltar ao Tribunal do Júri aqui do Paraná e o julgamento marcado”, explicou o advogado Elias Mattar Assad, assistente de acusação no processo, defendendo os interesses de da família Yared.

A deputada Christiane Yared usou as redes sociais para comemorar a decisão do magistrado. “Esperança para milhares de famílias que viram seus filhos serem arrancados de suas vidas. Famílias que vivem o descaso muitas vezes de uma justiça que não chega. Dias que tornam-se noites, e noites que são intermináveis”, desabafa.

Caso Carli Filho

No dia 7 de maio de 2009, o então deputado Carli Filho se envolveu em um acidente na esquina entre as ruas Monsenhor Ivo Zanlorenzi e Paulo Gorski, no Mossunguê, em Curitiba. O carro que ele dirigia bateu em um veículo que atravessava o cruzamento, matando seus ocupantes, Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Souza, de 20 anos. Em agosto do mesmo ano, Ministério Público ofereceu denúncia criminal contra Carli Filho por duplo homicídio com dolo eventual (quando a pessoa assume o risco de matar).

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Defesa

A defesa do ex-deputado sustenta que a colisão foi um “mero acidente de trânsito sem intenção de matar ou de assumir o risco de morte” e ingressou com todos os recursos cabíveis ao longo dos oito anos de processo. Os advogados conseguiram evitar duas vezes o júri popular.

Um dos argumentos da defesa é o de que os jovens erraram ao invadir a via preferencial. “Suponha que o Luiz Fernando estivesse em um motocicleta, ainda que acima do limite de velocidade, e que a colisão tivesse ocorrido da mesma forma mas só ele tivesse falecido. É claro que o sobrevivente, o condutor do outro veículo, seria submetido a uma investigação criminal e muito provavelmente seria acusado de homicídio por ter invadido a preferencial”, declarou a defesa.

“Esse cenário hipotético nos permite concluir que houve duas irresponsabilidades nesse caso: a do Luiz Fernando, por estar acima do limite de velocidade, e a do outro condutor que desrespeitou a preferencial e se colocou na frente do outro veículo”, afirmou o advogado Gustavo Scandelari.

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