Policial e namorado apedrejaram festa antes de disparo que matou copeira

Fernando Garcel

Novas imagens revelam mais detalhes sobre a noite em que a policial civil Kátia das Graças Belo atirou contra uma confraternização e atingiu a copeira Rosária Miranda da Silva na cabeça no dia 23 de dezembro do ano passado. Câmeras de segurança flagraram Kátia e o namorado arremessando pedras contra a festa.

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A trabalhadora foi hospitalizada, mas morreu dias depois.

Pelas imagens é possível observar o homem e a policial apontando para o terreno. Na sequência, ele pega uma pedra no chão e arremessa por cima do portão e vai para o outro lado da rua. Neste momento, a policial saca a arma, mas não faz nenhum disparo. Depois, ambos saem do campo de visão da câmera.


CapturarA cena está disponível nos autos do processo e devem ser usadas pelo Ministério Público. Em depoimento, a policial se reconheceu nas imagens e justificou que alguém teria se escondido entre as árvores e um contêiner na empresa vizinha à sua residência.

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“Ele falou que ia arremessar essa pedra para ver se alguém se manifestava no local. Não aconteceu nada ali”, conta em depoimento.

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O caso

Rosária Miranda participava de uma confraternização da empresa em que trabalhava quando foi atingida por um tiro disparado pela investigadora, que é vizinha da cafeteria onde a festa ocorria. Três dias depois do crime, a policial civil se apresentou na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa como autora do disparo. Ela teria se irritado com o barulho e alega que atirou contra o chão.

Imagens de uma câmera de segurança flagraram o momento em que a mulher é atingida. Veja:

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Um funcionário que pediu para não ser identificado afirma que a versão não é verdadeira. “Eu vi nas câmeras. O tiro que veio pega de cheio na cabeça da guria. É mentira dela (da policial) que disse que a bala recocheteou. Ela atirou em cheio. Ela sumiu três dias, pra fugir do flagrante. Tem as marcas de bala aqui. Ela deu dois tiros para cima e dois em direção do povo”, garante.

A janela da casa da policial fica a 70 metros de onde estava a copeira.

De acordo com o delegado, uma árvore impede a visualização de um ambiente para outro. A policial disse que usou a arma para atirar no chão, mas o tiro recocheteou e acertou a vítima. “Por fim, totalmente transtornada, ela acabou realizando esse gesto impensado ao qual se utilizou da pistola da instituição, colocou a mão, segundo o que ela diz, na janela da casa e, sem olhar, efetuou um disparo para o chão, que segundo diz, recocheteou no muro e acabou atingindo a vítima”, conta.

Rosária foi atendida pelo Siate. A Polícia Civil só foi acionada quando a vítima já estava internada no hospital.

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Em nota, a Polícia Civil disse que a investigadora foi transferida do Núcleo de Proteção a Criança e Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) – onde trabalhava, para o setor de recursos humanos da corporação, onde vai exercer atividades administrativas. O delegado-geral da Polícia Civil, Júlio César dos Reis afirmou em nota que “É inadmissível que um policial civil treinado para servir e proteger tome atitudes que coloquem em risco a proteção da população”.

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