Sindicatos pedem que caminhoneiros encerrem a greve

Mariana Ohde e BandNews FM Curitiba

Há relatos de trabalhadores que estão sendo impedidos de voltar a trabalhar.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Autônomos (CNTA), que representa 120 sindicatos de caminhoneiros em todo o país, defendeu o fim da paralisação iniciada na última segunda-feira (21) em todo o país.

Representantes do setor afirmam que boa parte da categoria já não vê mais motivos de dar continuidade à greve, já que o governo federal cedeu em alguns pontos que estavam na pauta da categoria.

Na tentativa de encerrar a greve dos caminhoneiros, o presidente Michel Temer anunciou a redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel por 60 dias. A proposta também prevê a isenção de pagamento de pedágio para eixos suspensos de caminhões vazios, entre outros pontos.

De acordo com Diumar Bueno, presidente da CNTA, a partir de agora, a confederação recomendará que os sindicatos orientem os caminhoneiros a sair dos pontos de bloqueio. “Como a categoria atingiu os objetivos, a partir da agora, não existe a finalidade de continuidade do movimento. Passa a ser um desgaste para a categoria perante a população, um risco muito grande para as conquistas que tivemos”, disse.

Segundo Bueno, porém, não há garantias de que a determinação vá ser seguida por todos os trabalhadores.

A Polícia Militar (PM) afirmou na tarde de ontem (29) que a corporação observou questões pontuais de pessoas infiltradas dentro do movimento dos caminhoneiros. Por conta disso, o Coronel da PM, Antônio Zanatta Neto, disse que há necessidade de ampliar ainda mais as atividades de escolta de combustível, gás, oxigênio e outros insumos.

“Todas as unidades da PM estão em regime de sobreaviso”, disse. “Vamos observar os encaminhamentos, os reflexos dessa nota da CNTA e, a partir daí, vamos deslocar nosso efetivo”.

Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) afirma que estão sendo feitas ações em pontos prioritários das rodovias para restabelecer a normalidade. Conforme o superintendente da PRF, Adriano Furtado, todas as forças de segurança estão trabalhando em conjunto para neutralizar a ação de oportunistas e infiltrados. Os casos de ameaça aos caminhoneiros estão sendo investigados.

Sobre supostos infiltrados nas manifestações, o presidente da CNTA diz que não se tratam de caminhoneiros e que a identificação dos autores cabe às forças de segurança. “A categoria instalou este movimento de forma independente, até um determinado momento, sob orientação das entidades sindicais”, explica.

“Agora, em função da expressão do movimento dos caminhoneiros, que atingiu nível nacional, começou a haver invasão muito grande de pessoas alheias aos interesses dos caminhoneiros. Como a pauta foi contemplada, não vamos o objetivo do movimento continuar. Começamos a receber a informação de caminhoneiros que tem vontade e necessidade de ir embora, mas estão sendo impedidos”.

Nesta quarta-feira (30), uma operação conjunta da PRF e PM liberou aproximadamente 250 caminhões para rodar na região do Trevo Cataratas, em Cascavel. Parte desses motoristas relatou às equipes policiais que estava no local sob coação.

“Nós estávamos desesperados. Ontem à noite, fiz uma postagem para minha esposa, que nós íamos reunir um grupo e enfrentar esses caras. Nós íamos morrer ali, mas íamos enfrentar”, disse um deles.

Pelo menos 200 pontos em todo o Paraná permanecem parcialmente bloqueados. Conforme as autoridades, nesses pontos, continuam sendo liberados os veículos com o adesivo da Defesa Civil, que desde a quinta-feira passada estavam sendo colados em caminhões com cargas consideradas essenciais.

Desde a noite de ontem (29), equipes da PRF e de outras forças de segurança pública iniciaram ações de desmobilização nos pontos de manifestação de caminhoneiros, em diversas regiões do Paraná.

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