Ônibus de Curitiba transportam 4 mil fura-catracas por dia

Mariana Ohde e Andreza Rossini

A maior parte das invasões acontece entre 19h30 e 22h.

Uma pesquisa realizada pelas Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) revelou que, todos os dias, 3.995 pessoas furam as catracas dos veículos e deixam de pagar a tarifa. Os dados foram levantados em março e representam uma alta de 2% em relação a agosto de 2017, quando foi realizado o último levantamento.

O prejuízo com os “fura-catracas” é estimado em R$ 6 milhões por ano – valor equivalente a cinco biarticulados novos, segundo a Setransp. Segundo os dados, as estações mais invadidas são a do Passeio Público (363 invasões por dia), Rio Barigui (171) e Osternack (133).

Foram cerca de 28 mil invasões na semana pesquisada. 9.766 eram considerados “passageiros comuns” (identificados pelos cobradores como pessoas que costumavam pagar); 4.423 estudantes; 1.164 torcedores; 4.444 membros de gangues e tribos urbanas; 8.164 pessoas que não foram identificadas pelos cobradores.

Os horários com maior número de invasões registradas são entre 19h30 e 22h, com 5.416 invasões por dia.


O diretor-executivo das empresas de ônibus, Luiz Alberto Lenz César, atribui o número elevado à facilidade que as pessoas encontram para entrar nos ônibus e tubos e também à falta de punição. “Nossa preocupação é que isso contribuiria para criar uma cultura de invasão, que essa prática se dissemine. A pessoa vê que é simples pular a catraca e nada acontece”, alerta.

A Câmara Municipal da Curitiba aprovou, em 2016, uma lei que prevê multa de 50 passagens (R$ 212,50, nos valores atuais) para quem entrar nos ônibus sem pagar. Porém, a legislação ainda depende de regulamentação sobre como a fiscalização seria feita.

Estudantes

A pesquisa revela um dado positivo: o número de estudantes fura-catracas diminuiu. Em março, 4.423 estudantes embarcaram sem pagar, contra 5.828 em agosto, uma queda de 24%.

Levantamento

A pesquisa foi realizada entre 19 e 25 de março em 2294 pontos de cobrança (bilheterias e estações-tubo). Foram cinco dias úteis, um sábado e um domingo.

Segundo Lenz, o levantamento é uma forma de mapear o problema para que “os órgãos competentes possam tomar providências”. Ele informa que os números serão entregues à Guarda Municipal, Polícia Militar (PM) e Urbs nos próximos dias.

Post anteriorPróximo post
Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal
Comentários de Facebook