73% dos estudantes afirmam que professores agem contra o bullying

Mariana Ohde e Assessoria

26,5% já foram alvos de piadas e 23,6% disseram que já foram xingados na escola.

As 117 escolas participantes do Projeto Aprendendo a Conviver, do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), estão recebendo relatórios individualizados sobre a percepção de seus alunos sobre bullying e segurança escolar.

Os dados fazem parte de um levantamento de clima escolar realizado com 22.385 alunos de escolas estaduais, municipais e particulares de Curitiba, Colombo, Pinhais, Piraquara e São José dos Pinhais.

Segundo a pesquisa, 22,4% dos estudantes informaram já ter utilizado a internet para espalhar fofocas ou mentiras; 26,5% disseram já terem sido alvos de colegas que falaram coisas sobre eles para fazer outros rirem; e 23,6% informaram que já foram xingados na escola.

Indagados se já foram agredidos ou chutados no ambiente escolar, 12,5% informaram que sim. A pesquisa mostra, ainda, que 9,8% já receberam ameaças de agressão.

O questionário também abordou a percepção dos estudantes sobre o apoio recebido na escola diante de situações de bullyng. A grande maioria (73,4%) afirmou que os professores tentam parar o bullying; 30,4% disseram que os próprios estudantes tentam parar o bullying; e 56,3% afirmam que podem contar com o apoio de alguém na escola caso sofram bullying.

Outro aspecto do levantamento diz respeito à percepção de segurança por parte dos estudantes. A sala de aula foi a mais citada como local onde os alunos se sentem seguros – 79,7% indicaram essa alternativa. Depois vêm o refeitório (70%), os corredores (67%), comunidade e vizinhança (61,1%), espaço do recreio (56,2%), banheiro da escola (53,4%) e o caminho de ida e volta para a escola (41,6%).

O relatório completo sobre o levantamento será apresentado no dia 11 de agosto, durante o Encontro Conviver, que reunirá as escolas participantes para apresentar os planos de ação elaborados a partir dos dados – que já foram encaminhados para cada instituição.

“Muitas escolas já estão adotando medidas para quebrar o círculo do bullying”, afirma o professor Josafá Cunha. “Um ambiente escolar violento gera desengajamento dos alunos e, para muitas crianças, tem impacto para o resto da vida – a partir, por exemplo, do abandono escolar.”

Foto: SMCS

A superintendente da Secretaria de Estado da Educação, Ines Carnieletto, destaca que o Aprendendo a Conviver vai além da identificação dos problemas de cada escola. “O projeto prevê a capacitação de professores, que acabam atuando como multiplicadores dentro da escola para permitir a elaboração de projetos mais eficazes, e muitas vezes simples, de combate à violência”, diz.

Além de encontros mensais com os tutores da UFPR em cada escola, o projeto mantém uma plataforma digital formada por uma série de videoaulas disponíveis para que os professores complementem a formação.

Início

O projeto Aprendendo a Conviver iniciou as atividades em março, depois de ter sido incluído pelo Ministério da Educação entre as quatro propostas nacionais que receberiam aporte financeiro para capacitar profissionais da educação básica na área de direitos humanos e diversidade.

“Em maio, foi incluída na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, entre as incumbências das escolas, o combate a toda forma de violência – o que inclui o bullying – e a promoção da cultura da paz”, , informa o coordenador do projeto, professor Josafá Moreira da Cunha.

“É um avanço, mas não basta dar aulas sobre isso. É preciso tomar medidas para garantir que as escolas sejam ambientes seguros e acolhedores. O levantamento fornece informações importantes para isso.”

Na prática

Depois de receber os dados do levantamento e participar de encontros do projeto Aprendendo a Conviver, várias escolas já estão tomando medidas práticas para melhorar a convivência no ambiente escolar.

No Colégio Estadual Shirley Catarina Machado, em São José Dos Pinhais (na Grande Curitiba), a equipe pedagógica desenvolveu uma nova metodologia para solução de conflitos, incentivando a participação dos pais e responsáveis no cotidiano escolar, além de palestras sobre respeito ao próximo e combate ao bullying.

Para melhorar a segurança no entorno da escola, a equipe diretiva do colégio firmou algumas parcerias com o município que mudaram a visão da comunidade sobre a escola. Segundo o diretor João Batista Silva, a comunidade começou a observar a escola de outra maneira. “Antes tínhamos pais que optavam por matricular os filhos em outras escolas porque não tinham a sensação de segurança aqui, mas com essas parcerias conseguimos mudar esse paradigma”, disse.

As medidas tomadas foram simples, mas efetivas. Foram trocadas todas as lâmpadas em frente à escola por luminárias de 400 watts, que são mais potentes, além de parceria com a Guarda Municipal. Também foi solicitado a construção de uma lombada elevada em frente à escola para facilitar o acesso dos estudantes e funcionários. “A segurança reflete na qualidade do ensino porque a comunidade escolar ganha tranquilidade para trabalhar e estudar”, destacou o diretor.

O colégio, que possui cerca de 900 alunos matriculados no ensino fundamental e médio, também fez uma parceria com o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) do município, para promover palestras periódicas sobre assuntos relacionados aos adolescentes.

Saiba mais sobre o projeto Aprendendo a Conviver.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal